Artigo da seção pessoas Sérgio Rodrigues

Sérgio Rodrigues

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deSérgio Rodrigues: 1962 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Muriaé)

Sérgio Rodrigues (Muriaé, Minas Gerais, 1962). Romancista, jornalista, contista. Seus romances são conhecidos pela intersecção entre a pesquisa histórica, o jornalismo e a ficção. Em sua escrita, mistura técnicas ensaísticas e literárias, abordando temas caros à cultura brasileira, como o futebol, a música popular e as transformações linguísticas do português. Como jornalista, escreve colunas nos campos do esporte, da língua portuguesa e da crítica literária.

Desde cedo, Sérgio cultiva o interesse pela literatura. Durante a adolescência, em Minas Gerais, participa de concursos literários, e é premiado em alguns deles. Em 1980, muda-se para o Rio de Janeiro, onde inicia uma profícua carreira jornalística. Atua primeiramente no jornalismo esportivo. Como correspondente internacional do Jornal do Brasil, realiza a cobertura da Copa do Mundo do México, em 1986, e dos mundiais de Fórmula 1, em 1987 e 1988. Na década de 1990, trabalha também para O Estado de São Paulo e O Globo. Ainda na esfera esportiva, participa da criação do jornal Lance!, especializado em comentários de futebol.

Em 2001, escreve uma coluna aos domingos no Jornal do Brasil, migrando então para o campo da cultura. Entre diversos temas, trata principalmente de questões relativas à língua portuguesa no Brasil. Ao dialogar com a teoria linguística moderna, busca compreender as transformações provenientes do uso cotidiano do português brasileiro, questionando, de modo crítico, algumas estruturas normativas da língua. Em 2006, inaugura seu blog, Todoprosa, em que reúne resenhas, comentários e críticas sobre questões literárias. Em 2010, integra a coluna diária “Sobre Palavras”, no portal da Revista Veja, em que investiga expressões típicas do vocabulário brasileiro.

Sérgio incorpora as competências do jornalismo cultural e do comentário esportivo a seu trabalho como ficcionista. Sua inovação advém da habilidade em manusear temas típicos da cultura popular brasileira, misturando personagens e dados da realidade aos da ficção. Em suas narrativas, utiliza uma ambientação histórica bem delimitada. A profusão de vozes é o seu principal recurso de composição. Os enredos são narrados por muitas pessoas, o que configura um quadro multidimensional sobre um mesmo evento.

Convidado pela editora Nova Fronteira, Sérgio Rodrigues aceita a proposta de redigir a biografia de Elvira Cupello Calônio (1920-1936), de codinome Elza, uma jovem paulista executada pelos líderes do Partido Comunista em 1936. Em Elza, a Garota (2009), Sérgio retorna ao período de Getúlio Vargas (1882-1954) e trata da fracassada Intentona Comunista. A proposta do livro é revisitar a biografia de uma personagem cuja trajetória foi suprimida pelos movimentos políticos tanto à direita quanto à esquerda. Devido à ausência de fontes e testemunhas suficientes, o autor usa elementos literários para complementar lacunas históricas.

A biografia de Elza é um contraponto entre o ensaio tradicional e a ficção contemporânea, e ofusca a fronteira entre o texto jornalístico e o literário. Nesse livro, Sérgio Rodrigues dialoga com o jornalista mineiro Fernando Morais (1946), autor de Olga (1985), biografia da esposa do militante Luís Carlos Prestes (1898-1990), que foi enviada a um campo de trabalho nazista durante a gravidez. No entanto, os autores discordam sobre o papel de Prestes à frente do Partido Comunista: enquanto Morais enaltece a atuação do político gaúcho, Sérgio propõe uma leitura revisionista da história, tendo em vista que Prestes foi um dos articuladores da execução de Elza.

O romance O Drible (2013) trata da relação entre um comentarista esportivo e o seu filho, e tem como pano de fundo a história do futebol brasileiro, ilustrada na famosa cena do drible malfadado de Pelé na Copa do Mundo de 1970. O livro rapidamente atrai a atenção do público. Parte do seu sucesso provém do fato de o futebol, mesmo sendo o esporte de preferência nacional, não ser retratado de forma rotineira na literatura. Exemplos escassos são os romances O Segundo Tempo (2006), de Michel Laub (1973), e O Paraíso é Bem Bacana (2006), de André Sant’anna (1964). O Drible vence o Prêmio Portugal Telecom e recebe traduções em diversas línguas. Antecipando o sucesso da versão francesa, o jornal Le Monde convida Sérgio Rodrigues a escrever um folhetim sobre futebol. Os 24 capítulos de Jules Rimet, Meu Amor (2014) foram publicados no periódico francês durante a Copa do Mundo de 2014.

Durante os anos de trabalho jornalístico, Sérgio reúne vasto material de pesquisa sobre as particularidades da língua portuguesa falada no Brasil. O resultado é apresentado no livro Viva a Língua Brasileira (2016), que aborda a problemática linguística por meio de uma lente lúdica e didática. O tratamento dado pelo autor aos dilemas da língua brasileira visa tornar o ensino do português mais palatável e promover o patrimônio dos falantes. Critica preciosismos da língua culta e advoga por aplicações mais democráticas de mecanismos educativos de letramento, em defesa das expressões literárias nacionais.

A escrita de Sérgio Rodrigues atravessa fronteiras textuais e temáticas, permitindo diálogos entre diversas artes literárias e esferas comunicativas. Em seus textos, há uma profusão de linguagens e vozes. Com um viés crítico e informativo, o escritor traduz de forma criativa elementos centrais da cultura brasileira, além de momentos-chave da história nacional.

Outras informações de Sérgio Rodrigues:

  • Habilidades
    • Romancista
    • Contista
    • jornalista

Fontes de pesquisa (4)

  • BALADÃO, Janaína de Azevedo. Olga e Elza, vozes silenciadas. In: Revista Literatura em Debate, [s.l.], v. 4, Dossiê Especial, p. 40-48, jan. 2010.
  • Entrevista a Luiz Felipe Carneiro. Canal Alta Fidelidade. 03 nov. 2019 (64 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RD1wh0gc2Jg. Acesso em: 01 jun. 2020.
  • FACCIOLI, Luiz Paulo. O futebol-arte na literatura. In: Jornal Rascunho, [s.l.], n. 164, dez. 2013. Disponível em: http://rascunho.com.br/o-futebol-arte-na-literatura/. Acesso em: 01 jun. 2020.
  • MURTINHO, Jorge. Futebol e literatura. In: Revista Piauí, [s.l.], 11 nov. 2013. Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/futebol-e-literatura/. Acesso em: 01 jun. 2020.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SÉRGIO Rodrigues. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640856/sergio-rodrigues>. Acesso em: 05 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7