Artigo da seção pessoas Júlio Barroso

Júlio Barroso

Artigo da seção pessoas
 
Data de nascimento deJúlio Barroso: 1953 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 1984 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Júlio Barroso (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1953 – São Paulo, São Paulo, 1984). Cantor, compositor, jornalista e DJ. Carioca radicado em São Paulo, Júlio Barroso funda, na década de 1970, o jornal Ordem do Universo e a revista Música do Planeta Terra. O jornal trata de macrobiótica, música e cultura oriental; a revista, de música alternativa, com colaboração dos músicos Caetano Veloso (1942), Gilberto Gil (1942), Jorge Mautner (1941) e outros. Depois, torna-se colaborador (e amigo) do jornalista Nelson Motta (1944) em sua coluna no jornal O Globo. Em 1976, assina a coluna “Mundo Black” na revista Pop e colabora com a revista Som Três. Em 1977, reside por um ano em Nova York. De volta ao Brasil, atua como DJ nas boates Dancing Days e Paulicéia Desvairada, em São Paulo, e Noites Cariocas, no Rio de Janeiro. É um dos percussores do movimento new wave no Brasil.

Em 1981, funda a banda de rock Gang 90 & Absurdettes, contratada pela WEA. A gravadora inscreve o grupo no festival MPB-Shell de 1981, com “Perdidos na Selva” (Júlio Barroso). Após o sucesso inicial da canção, lançada em compacto, a gravadora dispensa o grupo. No ano seguinte, Júlio Barroso permanece alguns meses em Nova York e retorna para continuar à frente da banda. Em 1983, o grupo é convidado pela RCA Victor e lança o LP Essa Tal de Gang 90 e as Absurdettes, com a participação de Lobão (1957), Guilherme Arantes (1953), Wander Taffo (1954-2008), Gigante Brazil (1952-2008), Alice Pink Pank (1954), dentre outros. Destacam-se no disco as canções “Perdidos na Selva”, “Telefone”, de autoria de Barroso, e “Nosso Louco Amor”, parceria com Herman Torres (1958), tema da novela Louco Amor (TV Globo, 1983), de Gilberto Braga (1945). Em 1991, sua irmã, Denise Barroso, lança o livro póstumo, A Vida Sexual do Selvagem, em homenagem ao irmão. Muitas de suas músicas inéditas são gravadas por parceiros e amigos, como: “Noite e Dia” (1982), gravada por Marina Lima (1955); “Corações Psicodélicos” (1984), por  Lobão; “Não Quero Seu Perdão” (1986), por Barão Vermelho.

Análise

Durante suas viagens a Nova York, Júlio Barroso fica atento ao que acontece no mundo da música. Conhece o movimento pós-punk inglês e o new wave norte-americano de grupos como The Police, Echo & Bunnymen e principalmente Kid Creole & The Coconuts. Este traz elementos da música eletrônica, ritmos caribenhos, africanos, jazz e performances de big bands, além de contar com três mulheres no backing vocal. Com essa eclética formação musical, mistura uma leitura tropicalista do espírito antropofágico, a atitude do rock e o DIY (acrônimo para "Do it yourself", em português "faça você mesmo", princípio de autodidatismo herdado do movimento punk), e cria a Gang 90 & Absurdettes. Mesmo não sendo cantor profissional, assume o papel de líder e vocalista da banda e, inspirado nas Coconuts, insere vocais femininos estridentes e propositalmente desafinados, ao lado de músicos profissionais como Wander Taffo, Guilherme Arantes, Gigante Brazil e Lobão. 

Ao lado da Blitz, a Gang 90 influencia toda a geração do rock brasileiro que se consolida nos anos 1980. Com desempenho de palco marcado por um visual alegre e colorido, a banda utiliza a televisão para transmitir sua mensagem. Grava videoclipes e aparece em programas de auditório, como o de Abelardo Barbosa (1916-1988), o Chacrinha. Cria um novo estilo musical, definido pelo próprio Júlio Barroso como “música prapular brasileira”, voltado aos jovens ávidos por liberdade que vivem os últimos anos da ditadura militar.

Júlio Barroso também se destaca como poeta e letrista. Suas composições são marcadas por letras debochadas e ácidas que utilizam o humor para retratar as angústias dos jovens de classe média urbana no Brasil. Como não é músico de formação, seu trabalho como compositor dá-se com diversos parceiros. O principal deles é Lobão, com quem compõe sucessos dos anos 1980, como “Corações Psicodélicos” (1984). Grava apenas um disco em vida, Gang 90 e as Absurdettes, para o qual compõe oito músicas e faz duas versões para “I Know But I Don't Know” de F. Infante (1951) e “Spaced Out In Paradise”, do inglês Cat Stevens (1948), batizada de “Dada Globe Orixás”, em referência ao movimento dadaísta do autor francês Tristan Tzara (1896-1963).

Outras informações de Júlio Barroso:

  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Compositor
    • jornalista
    • DJ

Fontes de pesquisa (5)

  • ALZER, Luiz André; CLAUDINO, Mariana. Almanaque dos Anos 80. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
  • VINIL, Kid. Almanaque do rock. São Paulo: Ediouro, 2008.
  • ALEXANDRE, Ricardo. Dias de luta: o rock e o Brasil dos anos 80. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2002.
  • DAPIEVE, Arthur. BRock: o rock brasileiro dos anos 80. São Paulo: Editora 34, 1995.
  • LOBÃO; TOGNOLLI, Cláudio Júlio. 50 anos a mil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JÚLIO Barroso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640292/julio-barroso>. Acesso em: 17 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7