Artigo da seção pessoas Renata Felinto

Renata Felinto

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deRenata Felinto: 1978 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
Imagem representativa do artigo

Registro fotográfico Marcus Leoni

Renata Aparecida Felinto dos Santos (São Paulo, São Paulo, 1978). Artista visual, pesquisadora, educadora, escritora, performer e ilustradora. Suas obras se fundamentam na questão da identidade negra feminina e, por meio de diferentes linguagens, questionam construções estéticas e culturais. A artista também se destaca pelo exercício da arte-educação em universidades e instituições de cultura.

Felinto inicia sua formação no Sigbol Fashion Institute, em São Paulo, onde estuda desenho de moda, de 1994 a 1996. Em 2001, forma-se no bacharelado em artes visuais do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (IA/UNESP). Desde então, seus trabalhos vinculam-se à arte-educação.

Ainda em 2001, desenvolve a série Re-Existindo (2001-2003), que reúne fotomontagens construídas com álbuns fotográficos de famílias negras paulistanas. O pensamento sobre os ambientes de sociabilidade das famílias é uma questão central na elaboração do trabalho, que confere à artista sua primeira exposição individual, no Centro Permanente de Exposições de Arte Prof. José Ismael, em Guarulhos, São Paulo.

Felinto torna-se mestra em artes visuais pelo IA/UNESP em 2004, ano em que ingressa no Museu Afro Brasil como educadora. Mais tarde, passa a coordenar o setor educativo da instituição, onde permanece até 2011. A experiência lhe permite revisar sua biografia e aprofundar-se na pesquisa sobre questões étnico-raciais. Em 2005, licencia-se em artes pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo; no ano seguinte, idealiza sua empresa independente Cubo Preto, com o objetivo de difundir conhecimentos sobre história da arte geral e brasileira, especialmente a que provém da matriz africana no Brasil. Torna-se especialista em curadoria e educação em museus de arte contemporânea pela Universidade de São Paulo. Mais tarde, integra o conselho editorial da revista de afro-brasilidades O Menelick 2º Ato, idealizada pelo jornalista José Nabor Júnior (1982), em 2010.

Entre 2010 e 2018, desenvolve a série Afro Retratos, na qual, ao pintar sua própria imagem, representa mulheres de outros povos e culturas, vestindo identidades que extrapolam os estereótipos impostos às pessoas negras. Na obra, estabelece ligações entre sua autoimagem e outros entendimentos do que é ser mulher e recusa a tradição da pintura tradicional, fundindo técnicas de desenho, pintura e colagem.

Ao lidar com características e adornos femininos de cada cultura representada, cria reflexões sobre os fatores que influenciaram a construção de sua história e identidade como mulher negra brasileira. O trabalho alude a um mundo globalizado, onde a pluralidade de saberes e modos de ser constroem uma experiência singular do indivíduo contemporâneo: este, com sua ancestralidade, é reconfigurado por influências externas. A obra lhe confere grande visibilidade e quatro exposições individuais.

Como educadora, Felinto trabalha em 2015 no curso de pós-graduação em história da arte do Centro Belas Artes de São Paulo, lecionando arte e cultura africana. Em 2016, torna-se doutora em artes visuais pelo IA/UNESP. Em seguida, muda-se para Crato, na região do Cariri Cearense, onde ingressa na Universidade Regional do Cariri como professora adjunta. Lá, torna-se líder do grupo de pesquisa NZINGA – Novos Ziriguiduns (Inter)Nacionais Gerados na Arte – e conduz o projeto de pesquisa YABARTE – Processos Gestacionais na Arte Contemporânea a Partir dos Fazeres e Pensares Negros Femininos. O projeto tem o objetivo de visibilizar a produção de mulheres nos diversos setores artísticos, por meio de narrativas não hegemônicas.

Em seu trabalho Também Quero Ser Sexy (2012), composto por pinturas, fotografias e performances, propõe uma discussão sobre os padrões de beleza impostos pela sociedade ocidental contemporânea, fortalecidos por ícones da cultura de massa que influenciam negativamente a autoestima e a autoimagem de mulheres não brancas.

Faz parte desse projeto a performance White Face and Blonde Hair, na qual a artista usa o travestismo corporal para criar uma representação de si oposta ao seu fenótipo negro. Na ação, utiliza peruca loira, maquiagem mais clara que seu tom de pele e anda ostensivamente pela rua Oscar Freire, em São Paulo, subvertendo as noções de raça e classe. Há no trabalho uma reflexão sobre a presença do corpo negro nos espaços públicos elitizados e uma crítica ao blackface, recurso amplamente utilizado por atores e atrizes brancos, desde o início do século XX, para representar e, por vezes, satirizar personagens negros.

Em Axexê de A Negra ou o Descanso das Mulheres que Mereciam Serem Amadas (2017), uma ação performática representa o enterro de mulheres negras que serviram de amas de leite durante a escravidão. Criticando a exploração e a discriminação de pessoas negras por famílias tradicionais brasileiras, a artista lança fotografias à terra, devolvendo a ela a vida dessas mulheres, em um gesto simbólico. O trabalho é apresentado na 44ª Feira Internacional de Arte Contemporânea – FIAC (2017) e na exposição Histórias Afro-Atlânticas (2018).

Pelo trinômio artes visuais, feminino e arte negra/afrodescendente/afro-brasileira, Felinto reescreve uma história da arte que diverge da historiografia existente, tornando-se um nome expressivo entre artistas e pesquisadores brasileiros.

Outras informações de Renata Felinto:

  • Habilidades
    • Artista visual

Midias (1)

Renata Felinto – Série Cada Voz (2020)
Renata Felinto fala sobre a presença de suas obras fora das galerias de arte, permitindo que as pessoas criem conexões entre seu trabalho e o cotidiano, suas trajetórias e suas vivências. O interesse pelo universo artístico desde a infância, incentivado pela família, foi alimentado por meio de oficinas de arte.

Renata critica a expectativa sobre o "fazer certo" da arte oferecido no ensino formal e com o qual se deparou diversas vezes em sua formação. Recusando a representação clássica das formas humanas e da cor da pele em suas obras, ela reflete sobre a influência que a rigidez formal pode gerar no desenvolvimento de novos artistas.

ITAÚ CULTURAL
Presidente Alfredo Setubal
Diretor Eduardo Saron
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Martha Salomão
Intérprete de Libras: Thalita Passos (terceirizada)

O Itaú Cultural (IC), em 2019, passou a integrar a Fundação Itaú para Educação e Cultura com o objetivo de garantir ainda mais perenidade e o legado de suas ações no mundo da cultura, ampliando e fortalecendo seu propósito de inspirar o poder criativo para a transformação das pessoas.

Exposições (3)

Fontes de pesquisa (8)

  • ARAÚJO, Emanoel (Org.). A mão afro-brasileira. 2. ed., rev. e ampl. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: Museu Afrobrasil, 2010, v. 2.
  • BISPO, Alexandre Araújo; LOPES, Fabiana. Presenças: a performance negra como corpo político. Haarper’s Bazaar Art. São Paulo, abr. 2015.
  • BISPO, Alexandre Araújo; SANTOS, Renata. A. F. Arte afro-brasileira para quê. O Menelick 2º Ato, São Paulo, 1 mar. 2014.
  • CUBO PRETO. Site oficial da empresa. Disponível em: http://cubo-preto.blogspot.com/p/o-que-e-cubo-preto.html. Acesso em: 15 dez. 2018.
  • FELINTO, Renata. Afro Retratos. Blog da artista. Disponível em:  < https://afroretratos.wordpress.com/ >. Acesso em: 9 out. 2016.
  • FELINTO, Renata. White face, blonde hair. Videoperformance. São Paulo, 2012. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=r1WqvnAhE6Q >. Acesso em: 9 out. 2016.
  • ITAÚ CULTURAL. Renata Felinto – Diálogos ausentes. Depoimento da artista. Entrevista a Gabriel Carneiro. Produção de Camila Fink. São Paulo, 2016. Vídeo (10 min 45 seg). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=wUJtYSrpAV8 >. Acesso em: 9 out. 2016.
  • SANTOS, Renata Aparecida Felinto dos. Mulheres negras e a arte: poéticas da resistência. (No prelo).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • RENATA Felinto. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa637835/renata-felinto>. Acesso em: 24 de Out. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7