Artigo da seção pessoas Jean Louis Steuerman

Jean Louis Steuerman

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deJean Louis Steuerman: 16-03-1949 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Jean LouisCésar Steuerman (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1949). Pianista. Nascido em família de músicos, começa os estudos de piano aos quatro anos, com Lúcia Branco e, aos 12, é orientado por Arnaldo Estrella (1908-1980). Aos 14, estreia com a Orquestra Sinfônica Brasileira. É aluno de harmonia, composição e contraponto de Cláudio Santoro (1919-1989). Ganha o primeiro prêmio nos concursos Lorenzo Fernandez (1965) e Nacional de Piano (1966). Graças a uma bolsa de estudos, transfere-se para a Europa em 1967, ingressando no Conservatório de Nápoles, Itália, onde é pupilo de Vincenzo Vitale (1908-1984). A conquista do segundo lugar no Concurso Bach de Leipzig (na então Alemanha Oriental), em 1972, inicia sua carreira internacional de concertista e a longa associação com a obra do compositor alemão. Na década de 1970, transfere-se para Londres, onde estuda com Maria Curcio (1919-2009) e Balint Vaszony (1936-2003), e se apresenta com a Royal Philharmonic Orchestra, regida por Sir Yehudi Menuhin (1916-1999) e Vladirmir Ashkenazy (1937). Faz turnês pela Europa, América e Japão, e toca com orquestras como Gewandhaus de Leipzig [com Kurt Masur (1927-2015)], Orquestra de Câmara Inglesa, Orquestra da Cidade de Birmingham, Orquestra Hallé, Filarmônica de Londres, Orquestra de Câmara de Moscou e Tonhalle de Zurique, além das principais sinfônicas brasileiras, como Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Na música de câmara, tem parceiros como os violinistas russos Dmitry Sitkovetsky (1954) e Viktoria Mullova (1959), além da atriz Fernanda Montenegro (1929), com a qual apresenta Enoch Arden, melodrama para narrador e piano, de Richard Strauss (1864-4949). Em sua discografia destaca-se o prêmio francês Diapason d'Or pela gravação das Seis Partitas de Johann Sebastian Bach (1685-1750) para o selo Philips. Grava outros discos dedicados ao compositor, além de um álbum infantil com Arthur Moreira Lima (1940) – Caixinha de Música (1979), gravadora Continental –, obras para piano e orquestra de Felix Mendelssohn (1809-1847), sonatas de Aleksandr Scriabin (1872-1915), e autores do século XX como Arnold Schönberg (1874-1951), Leonard Bernstein (1918-1990), Girolamo Arrigo (1930) e Othmar Schoeck (1957). Em 2015, assume a direção da Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

Análise
O compositora quem Jean Louis Steuerman mais é mais associado é Johann Sebastian Bach. A crítica brasileira coloca-o ao lado de João Carlos Martins (1940), como um dos principais intérpretes de Bach no país. Steuerman afirma que toca Bach “de uma maneira romântica”, condenando as tentativas de resgatar a sonoridade da época do compositor: “É um paradoxo, porque sempre termina como um travesti da música autêntica, um som distorcido pela alta tecnologia. A interpretação não é uma restauração ou uma imitação, mas um gesto espontâneo, subjetivo”.

Ao analisar sua gravação das Variações Goldberg, de Bach, para o selo francês Actes Sud, Nicholas Anderson, da revista britânica BBC Music Magazine, afirma que “Steuerman tem um bom sucesso, embora sua performance choque meus ouvidos, com demasiada frequência, como carente de caracterização e um pouco sem humor”. Avaliando uma apresentação ao vivo da mesma obra na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, no ano 2000, um artigo do Jornal do Brasil ressalta que Steuerman não faz as repetições tradicionais das primeiras variações. Adota ornamentação discreta e “longe da articulação maníaca e da precisão mecânica do estilo de Glenn Gould”, o discurso é conduzido pelo “toque e o legato trabalhado em todas as suas possibilidades”, sem o uso de pedal.

Para o jornal The New York Times, em seu recital de estreia em Nova York, em 1985, o pianista “demonstrou uma técnica que funciona bem, mas só ocasionalmente com imaginação ou entusiasmo”.  O periódico destaca a interpretação de Steuerman dos movimentos rápidos de Partitas de Bach, da Toccata de Schumann, e da quinta sonata do compositor russo Aleksandr Scriabin. Em outro texto, alguns anos depois, o mesmo jornal elogia a destreza de Steuerman como solista em sua gravação da Sinfonia n. 2 The Age of Anxiety, do norte-americano Leonard Bernstein, acompanhado pela Filarmônica da Flórida sob a batuta de James Judd (1949), para o selo Naxos.

O pianista grava as Sonatas n. 3, 4 e 5 para piano solo de Scriabin para a Philips. Artigo da revista inglesa Gramophone sobre o disco julga a interpretação de Steuerman irregular: a sonata n. 3 é considerada “muito enfadonha”; a n. 4 melhor, mas “um pouco confusa”, e apenas na n. 5 o crítico James Methuen Campbell aprecia “mais profundidade e equilíbrio em sua leitura”, bem como “um sentido genuíno para os aspectos visionários da partitura”.

No repertório brasileiro, a Gramophone considera a gravação de Steuerman das Bachianas Brasileiras n. 4, de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), para a etiqueta escandinava Bis, “a melhor que temos à mão”, louvando ainda sua “grande habilidade” e “perspectiva neoclássica” nas Bachianas Brasileiras n. 3, em que é acompanhado pela Osesp, regida por Roberto Minczuk(1967).

Steuerman se faz presente em disco ou em obras para piano solo ou solo com orquestra, mas não em música de câmara. Avaliando uma apresentação em que o pianista toca obras de Schumann e Mendelssohn ao lado de Pablo de Leon (violino), Luiz Garcia (1971) na trompa e Antonio del Claro (violoncelo), João Marcos Coelho louva a integração entre Steuerman e os parceiros, louva sua habilidade, e recomenda que ele se dedique a gravar o repertório cameristico.

Notas

1 Termo usado nos séculos XVII e XVIII para uma única peça instrumenta ou variação, e por Kuhnau (1689) e compositores alemãs posteriores (incluindo Bach) como sinônimo de suite. In: Dicionário Grove de Música: edição concisa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. 
2 FILHO, Antonio Gonçalves. Começa a maratona de Bach com Steuerman ao piano. São Paulo: 1988. Folha de S.Paulo, São Paulo,  01 set. 1988. Ilustrada.
3 ANDERSON, Nicholas. Goldberg Variations, BWV 988. BBC Music Magazine, Londres, 20 jan. 2012.
4 MARQUES, Clóvis. A música falada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
5 CRUTCHFIELD, Will. Debuts in review; pianists, singers and string players heard. The New York Times, Nova York, 5 maio 1985. Music.
6 OESTREICH, James R. High Notes: a poignant disc form an orchestra missing in action. The New York Times, Nova York, 20 jul. 2003. Music.
7 CAMPBELL, James Methuen. Scrianbin piano works. Gramophone Magazine, Londres,1989.
8 RICKARDS, Guy. A filosofia bachiana encontra a invenção brasileira. Revista Concerto, São Paulo, mar. 2012.
9 COELHO, João Marcos. Rompendo a inércia dos repertórios sempre iguais. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 17 set. 2010. Caderno 2.

 

Outras informações de Jean Louis Steuerman:

  • Habilidades
    • Pianista

Fontes de pesquisa (11)

  • ANDERSON, Nicholas. Goldberg Variations, BWV 988. BBC Music Magazine, Londres, 20 jan. 2012.
  • CAMPBELL, James Methuen. Scrianbin piano works. Gramophone Magazine, Londres,1989. 
  • CRUTCHFIELD, Will. Debuts in review: pianists, singers and string players heard. The New York Times, Nova York, 5 maio 1985. Music.
  • DICIONARIO Grove de música: edição concisa. Tradução Eduardo Francisco Alves; edição Stanley Sadie. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.
  • FILHO, Antonio Gonçalves. Obra integral de Bach para piano de Martins terá lançamento mundial. São Paulo: 1989. Folha de S.Paulo, São Paulo, 13 ago. 1989. Ilustrada.
  • FILHO, Antonio Gonçalves. Começa a maratona de Bach com Steuerman ao piano. São Paulo: 1988. Folha de S.Paulo, São Paulo,  01 set. 1988. Ilustrada.
  • FRADKIN, Eduardo. Novos compassos no Teatro Municipal, Sala Cecília Meireles e Escola de Música da UFRJ. O Globo, Rio de Janeiro, 24 jul. 2015.
  • MARQUES, Clóvis. A música falada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
  • OESTREICH, James R. High notes: a poignant disc form an orchestra missing in action. The New York Times, Nova York, 20 jul. 2003. Music.
  • RICKARDS, Guy. A filosofia bachiana encontra a invenção brasileira. Revista Concerto, São Paulo, mar. 2012.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JEAN Louis Steuerman. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa636451/jean-louis-steuerman>. Acesso em: 16 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7