Artigo da seção pessoas Heitor Dhalia

Heitor Dhalia

Artigo da seção pessoas
Cinema  
Data de nascimento deHeitor Dhalia: 18-01-1970 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Heitor Dhalia (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1970). Cineasta. Passa a infância e a adolescência em Recife, onde cursa jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe). Aos 21 anos começa a trabalhar em uma agência de publicidade e, em 1993, muda-se para São Paulo, atuando como redator publicitário na agência DPZ. Estreia no cinema como assistente de direção de Um copo de cólera (1999), de Aluizio Abranches, e na realização do curta Conceição (1999), dirigido com Renato Ciasca. Depois de trabalhar como corroteirista de As três Marias (2002), de Aluízio Abranches, dirige Nina (2004), seu primeiro longa-metragem inspirado no romance Crime e Castigo (1867), do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Seu segundo longa é O Cheiro do Ralo (2006), baseado no romance homônimo do escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli. O Cheiro do Ralo é selecionado para o festival de Sundance e vence os prêmios de Melhor Filme na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e Melhor Filme Latino-americano no Festival do Rio. Realiza À Deriva (2008), selecionado para a seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes. Ambientado nos anos 1980, o roteiro, com colaboração da cineasta Vera Egito (1982), mulher de Dhalia, narra as férias de uma família na praia e a descoberta da sexualidade pela filha adolescente. Depois de dirigir 12 horas (2012) para um estúdio hollywoodiano, Dhalia realiza o longa Serra Pelada (2013), ambientado no maior garimpo a céu aberto do mundo, nos anos 1980. Com Vera Egito e outros cineastas, Dhalia é sócio da produtora paulistana Paranoïd.

Análise
Dhalia costuma trabalhar com produções de baixo orçamento, financiadas pelos produtores tornados sócios que abdicam dos honorários. Os primeiros filmes  fogem das temáticas sociais que marcam o cinema brasileiro do período e trazem dramas de personagens de classe média. Em Serra Pelada, apesar da miséria e das precárias condições de trabalho do garimpo, o drama continua mais humano do que social, como o sonho de enriquecer e a lealdade entre amigos.

No cinema de Dhalia destacam-se também a direção de arte, a precisão de enquadramentos, a referência a filmes e cineastas que Dhalia admira, e a ambição de atingir um público amplo. Depois do longa de estreia, que registrou 25 mil espectadores, Dhalia conquistou 173 mil com O Cheiro do Ralo, 94 mil com À Deriva e 405 mil com Serra Pelada. Parte da crítica elogia seus esforços para garantir a boa comunicação com o público e seu apuro estético1. Há que se destacar ainda o gosto pelas histórias bem contadas. Sobre O Cheiro do ralo, o crítico Luiz Carlos Merten diz que se trata de um filme “muito bem realizado e genialmente interpretado”, destacando a atuação de Selton Mello. Já o crítico Francis Vogner dos Reis vê nos planos de Dhalia um “estetismo” que serve para “esconder sua impostura”2, condenando-o pela falta de originalidade e de personalidade. Ainda que alguns considerem seu cinema “superficial” ou “fácil”, Heitor Dhalia conquista o público com suas histórias agradavelmente contadas.

Notas
1 Em sua dissertação de mestrado, Heloisa Pisani detalha a direção de arte dos principais filmes de Dhalia. PISANI, Heloisa. O cheiro do ralo: a poética de Lourenço Mutarelli e o processo de transposição para o cinema de Heitor Dhalia. Dissertação (Mestrado em Multimeios) – Instituto de Artes da  Unicamp, Campinas, 2012.
2 VOGNER DOS REIS, Francis. “Drama emoldurado”. Cinética, disponível em www.revistacinetica.com.br/aderiva.htm.

Outras informações de Heitor Dhalia:

  • Habilidades
    • cineasta

Obras de Heitor Dhalia: (1) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (10)

  • ARAUJO, Inácio. Ralo, não profundo. Canto do Inácio, 3 abr. 2007. Disponível em: < http://cantodoinacio.blogspot.com.br/2007/04/ralo-no-profundo-incio-araujo-s-existe.html >. Acesso em: 10 out. 2015.
  • DE OLIVEIRA, Rodrigo. O cheiro do ralo. Contracampo, n. 85. Disponível em: < www.contracampo.com.br/85/critocheirodoralo.htm >. Acesso em: 10 out. 2015.
  • DHALIA, Heitor. Bate-papo com convidados. UOL (chat com internautas sobre O cheiro do ralo), 24 out. 2006. Disponível em: < http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/cinema/heitor-dhalia-comenta-o-longa-o-cheiro-do-ralo-em-cartaz-na-30-mostra.jhtm >. Acesso em: 10 out. 2015.
  • MERTEN, Luiz Carlos. Baixo orçamento, mas altíssima criatividade. Crítica. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 23 mar. 2007.  p. 43
  • MERTEN, Luiz Carlos. Um bizarro personagem e seu mundo de obsessão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 23 mar. 2007. p. 43.
  • PISANI, Heloisa. O cheiro do ralo: a poética de Lourenço Mutarelli e o processo de transposição para o cinema de Heitor Dhalia. Dissertação (Mestrado em Multimeios) – Instituto de Artes da Unicamp, Campinas, 2012.
  • POTASCHEFF, Alexandre. O diretor e ex-publicitário falou sobre sua trajetória e seu recém-lançado filme À Deriva. Trip FM, São Paulo, 13 ago. 2009. Disponível em: < http://revistatrip.uol.com.br/trip-fm/heitor-dhalia.html >. Acesso em: 10 out. 2015.
  • SCAPA, Rafael. Heitor Dhalia. Curta-metragem. São Paulo, 12 jun. 2012. Disponível em: < http://oscurtosfilmes.blogspot.com.br/2012/06/heitor-dhalia.html >. Acesso em: 10 out. 2015.
  • VALENTE, Eduardo. Como era cheirosa a minha merda. Cinética. Disponível em: < http://www.revistacinetica.com.br/cheirodoralo.htm >. Acesso em: 10 out. 2015.
  • VOGNER DOS REIS, Francis. Drama emoldurado. Cinética, jul. 2009. Disponível em: < www.revistacinetica.com.br/aderiva.htm >. Acesso em: 10 out. 2015.

Como citar?

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  • HEITOR Dhalia. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa636271/heitor-dhalia>. Acesso em: 25 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7