Artigo da seção pessoas Arthur Napoleão

Arthur Napoleão

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deArthur Napoleão: 1843 | Data de morte 1925

Biografia

Arthur Napoleão dos Santos (Porto, Portugal, 1843 – Rio de Janeiro, Brasil, 1925). Pianista, professor, compositor, editor. Filho do professor de piano italiano Alexandre Napoleão, estuda música com o pai aos 4 anos e, aos 6, faz a primeira apresentação pública, em sua cidade natal. Aos 9 anos, toca em Londres e, aos 10, em Paris, onde é aluno do pianista austríaco Henri Herz (1803-1888). De volta à Inglaterra, toma aulas com o musicista britânico Chales Hallé (1819-1895). Participa de turnês europeias e conhece alguns dos principais compositores de seu tempo, como o italiano Gioachino Rossini (1792-1868), o alemão Giacomo Meyerbeer (1791-1864), o francês Hector Berlioz (1803-1869), o polonês Henryk Wieniawski (1835-1880) e o húngaro Franz Liszt (1811-1886), que visita em Weimar, Alemanha. Em 1857, vem pela primeira vez ao Brasil, país em que se radica definitivamente em 1866. Fixa residência no Rio de Janeiro, mas se apresenta de Norte a Sul do país – de Belém, Pará, ao Rio Grande, Rio Grande do Sul.

Em 1869, associa-se a Narciso José Pinto Braga e juntos inauguram a editora Narciso, Arthur Napoleão & Cia. Mais tarde, o maestro e compositor brasileiro Leopoldo Miguéz (1850-1902) junta-se à empresa, que desempenha importante papel na publicação e divulgação das obras de compositores brasileiros, como Henrique Oswald (1852-1931), Alberto Nepomuceno (1864-1920) e os próprios Napoleão e Miguéz. Também faz circular no Brasil a obra de autores europeus, como o francês Claude Debussy (1862-1918). Professor de piano de Chiquinha Gonzaga (1847-1935) e João Nunes (1877-1951), funda, com o violinista cubano José White (1836-1918), a Sociedade de Concertos Clássicos, atuando como promotor e incentivador de diversas séries de concertos.

Análise

Arthur Napoleão inicia sua trajetória como menino-prodígio. Em 1853, ao ver o artista de 10 anos apresentar-se em Paris, o compositor francês Hector Berlioz afirma que Napoleão é “gracioso e vivo como o Puck de Shakespeare, fazendo correr suas pequenas mãos sobre o teclado com uma velocidade incrível”1.

Logo consolida sua carreira internacional como pianista-compositor, nos moldes estabelecidos pelo húngaro Franz Liszt, o suíço Sigismond Thalberg (1812-1871) e o estadunidense Louis Moreau Gottschalk (1829-1869).

Para o crítico Alfredo Camarate (1840-1904), seu toque possui a doçura de Frédéric Chopin (1810-1849) e a bravura de Liszt. Em Storia della Musica nel Brasile, o musicólogo ítalo-brasileiro Vincenzo Cernicchiaro (1858-1928) chama-o de “ídolo do ambiente artístico carioca”2, exaltando-o como solista e camerista e louvando suas habilidades de leitura à primeira vista.

O estudioso Renato Almeida (1895-1981) descreve-o na velhice como presa “de um nervosismo estranho”, movendo-se constantemente ao tocar, “tirando de súbito o pé do pedal para amparar a cadeira que ameaçava desequilibrar-se”. Enfatiza, porém, suas qualidades: “uma técnica prodigiosa, uma bravura enérgica e uma vibração muito comunicativa”3.

Em 1867, Napoleão compõe a mágica (gênero operístico do século XIX) O Remorso Vivo, com libreto do dramaturgo e compositor português Furtado Coelho (1831-1900) e do teatrólogo brasileiro Joaquim Serra (1838-1888), encenada no Teatro Gymnásio, no Rio de Janeiro. Escreve, ainda, partituras orquestrais e os hinos do Acre e do Espírito Santo. Concentra-se, porém, na produção para piano, com destaque para os estudos da obra do pianista britânico Johann Baptist Cramer (1771-1858). Napoleão, entretanto, tem maior reconhecimento como pianista. O crítico português João de Freitas Branco (1922-1989), em sua história da música portuguesa, afirma que o mérito de Napoleão, como compositor, fica aquém da qualidade como intérprete.

Notas

1 Apud CAZARRÉ, Marcelo Macedo. Um virtuose do além-mar em terras de Santa Cruz: a obra pianística de Arthur Napoleão (1843-1925).  Tese (Doutorado em Música) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006. p. 35.

2 CERNICCHIARO, Vincenzo. Storia della musica nel Brasile. Milano: Frattelli Riccioni, 1926.

3 Apud CAZARRÉ, Marcelo Macedo. Um virtuose do além-mar em terras de Santa Cruz: a obra pianística de Arthur Napoleão (1843-1925). Porto Alegre: tese de doutorado em música, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2006. p. 24.

Outras informações de Arthur Napoleão:

  • Habilidades
    • Compositor
    • Pianista
    • professor
    • editor

Fontes de pesquisa (5)

  • BRANCO, João de Freitas. História da música portuguesa. 2. ed. Sintra: Publicações Europa-América, 1995.
  • CAZARRÉ, Marcelo Macedo. Um virtuose do além-mar em terras de Santa Cruz: a obra pianística de Arthur Napoleão (1843-1925).  Tese (Doutorado em Música) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.
  • CERNICCHIARO, Vincenzo. Storia della Musica nel Brasile. Milano: Frattelli Riccioni, 1926
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.
  • SADIE, Stanley (ed.). The New Grove Dictionary of Music and Musicians. London: Macmillan Publishers, 1995.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ARTHUR Napoleão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa633330/arthur-napoleao>. Acesso em: 24 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7