Artigo da seção pessoas Altemar Dutra

Altemar Dutra

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Música  
Data de nascimento deAltemar Dutra: 06-10-1940 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Aimorés) | Data de morte 09-11-1983 Local de morte: (Estados Unidos / Nova York / Nova York)

Biografia

Altemar Dutra de Oliveira (Aimorés MG 1940 - Nova York, Estados Unidos, 1983). Cantor. Muda-se ainda criança para Colatina, no Espírito Santo. Ganha um violão da mãe e na adolescência passa a dedicar-se ao estudo do instrumento e a cantar. Apresenta-se pela primeira vez em um programa de calouros da Rádio Difusora de Colatina, interpretando canções de Francisco Alves. Após ficar várias vezes em primeiro lugar no programa, muda-se, aos 17 anos, para o Rio de Janeiro com uma carta de apresentação do diretor da Rádio Difusora para o compositor Jair Amorim. Este o leva para ser crooner na boate Baccarat, onde se apresenta com Leny Andrade. Grava pela primeira vez, pelo selo Tiger, um compacto em 78 rpm com "Saudade que Vem", de Oldemar Magalhães e Célio Ferreira, e "Somente uma Vez", de Luís Mergulhão e Roberto Moreira.

Em 1963, é levado por Joãozinho, do Trio Irakitan, para a gravadora Odeon, pela qual lança seu primeiro LP, intitulado A Grande Revelação. Faz sucesso com "Creio em Ti", versão de Oswaldo Santiago, de "I Believe", de Drake, Stilman, Graham e Shirl; e "Tudo de Mim", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Esta dupla de compositores elabora as músicas de mais destaque na carreira de Altemar Dutra. No ano seguinte, grava com muito sucesso os boleros "Que Queres Tu de Mim", "Somos Iguais" e "Serenata da Chuva". Torna-se conhecido em todo o Brasil em 1965, após a gravação do LP Sentimental Demais, que atinge o primeiro lugar nas rádios com a canção homônima e O Trovador, ambas de Gouveia e Amorim. Destaca-se ainda a gravação de "Bom Dia Tristeza" (1965), única parceria de Adoniran Barbosa com Vinicius de Moraes. Em 1966, alcança grande vendagem com o LP Sinto que Te Amo, com destaque para a canção Brigas.

Grava no fim da década de 1960 o disco El Bolero se Canta Así, ao lado do chileno Lucho Gatica, grande nome do gênero. É lançado com grande destaque, em 1969, o álbum O Trovador das Américas, com versão das canções em espanhol, para atingir a comunidade latina dos Estados Unidos, onde passa a residir. Volta a se apresentar no Brasil em 1971, depois do sucesso de "Que Será?" e "Bloco da Solidão". Em 1973, sai da gravadora Odeon e passa para a RCA Victor. Nesse mesmo ano, regrava "Um Jeito Estúpido de Te Amar" (1971), de Isolda e Milton Carlos, grande sucesso na voz de Roberto Carlos. Seu último LP, Eu Nunca mais Vou Te Esquecer, de 1981, obtém grande sucesso com a música que dá título ao álbum, de autoria de Moacyr Franco. Altemar Dutra morre aos 43 anos, vítima de um acidente vascular cerebral em Nova York, após sentir-se mal em show realizado na boate La Tanquera. Mesmo após sua morte, seus discos continuam sendo lançados em coletâneas, alcançando sempre expressivas vendagens.

Análise

Altemar Dutra é um dos intérpretes mais conhecidos pelo grande público dos anos 1960 e 1970, atuando como representante da música romântica brasileira. É um cantor de vendagens expressivas, com várias canções nas paradas de sucesso e uma carreira consolidada no Brasil e no exterior, principalmente na comunidade latina dos Estados Unidos. Torna-se um dos mais populares cantores estrangeiros nesse país, atingindo vendagem de 500 mil cópias. Pouco estudado pela crítica musical, é um dos maiores intérpretes de boleros da música brasileira, ao lado de Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Lindomar Castilho e Waldick Soriano. A maior parte de seu repertório dedica-se ao gênero hispano-americano, presente com destaque no Brasil desde a década de 1940, principalmente com Augustin Lara. Esse grupo de cantores do qual Altemar Dutra faz parte segue a tendência de potencializar o sentimentalismo durante a interpretação das canções de tal forma que se associa a um tipo de música romântica bastante popular, chamado pejorativamente de "cafona", embrião do que mais tarde se cunharia como gênero brega.

Quanto à técnica de canto, Dutra é um típico tenor, com grande extensão vocal, voz cristalina, afinada e de notável alcance. Recebe influência direta de cantores da geração anterior, como Francisco Alves e Vicente Celestino. Torna-se conhecido através das rádios, ao produzir uma música que remete aos anos 1950. Sua notoriedade ocorre via rádio apesar de estar vivendo numa época em que a televisão se transforma no principal veículo de comunicação. Em carreira relativamente curta, de apenas 20 anos, sua produção é intensa, com mais de 30 LPs.

Grande parte de seus sucessos é de autoria de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, que compõem especialmente para seu estilo de canto, com canções de andamento moderado centrado em temáticas de amor, solidão e abandono típicos da chamada música "dor de cotovelo". Sempre com acompanhamento de orquestras, a presença de violinos contribui para uma interpretação dramática das canções. Dois discos representativos em que essa temática é explorada são "Sentimental Demais" (1965) e "O Romântico" (1970). O cantor também interpreta outros gêneros, como samba-canção, como "Serra da Boa Esperança" (LP Enamorado, 1974), de Lamartine Babo, que faz muito sucesso na voz de Francisco Alves em 1937; "Risque" (LP Amigos, 1976), de Ary Barroso; "Carinhoso" (1978), de Pixinguinha e João de Barro; e "As Rosas Não Falam" (1982), de Cartola. Grava versões de músicas de sucesso do momento, como a valsa "Bandolins" (1980), de Osvaldo Montenegro, e "Porto Solidão" (1980), de Jessé; além de versões em bolero para canções do repertório da bossa nova como "Eu Sei que Vou Te Amar" (1965) e "Copacabana" (1976).

Outras informações de Altemar Dutra:

  • Outros nomes
    • Altemar Dutra de Oliveira
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete

Fontes de pesquisa (4)

  • ALTEMAR DUTRA. In: Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: < http://www.dicionariompb.com.br/ altemar Dutra >. Acesso em 21 mar. 2012.
  • ARAUJO, Paulo César. Eu não sou cachorro não. Música popular cafona e a ditadura militar. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.
  • CABRERA, Antônio Carlos. Almanaque da música brega. São Paulo: Matrix Editora, 2007.
  • REVISTA USP. Dossiê música brasileira.  São Paulo: Edusp, n. 87, set.- out. - nov., 2010.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALTEMAR Dutra. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa618248/altemar-dutra>. Acesso em: 18 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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