Artigo da seção pessoas Luís Barbosa

Luís Barbosa

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLuís Barbosa: 07-07-1910 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Macaé) | Data de morte 08-10-1938 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Luís dos Santos Barbosa (Macaé RJ 1910 - Rio de Janeiro 1938). Cantor e compositor. Nascido em uma família de artistas, tem entre seus irmãos o compositor e pianista Paulo Barbosa, o ator e humorista Barbosa Júnior e o radialista Henrique Barbosa. A família Barbosa coloca-se assim ao lado de outras famílias musicais brasileiras atuantes no rádio no início do século XX, como Linda, Dircinha e Odete Baptista ou ainda Carmen, Aurora, Cecília e Oscar Miranda. Luís Barbosa Inicia sua carreira artística no Esplêndido Programa, de Valdo Abreu na Rádio Mayrink Veiga, em 1931. Filia-se ao samba "de breque", incorporando juntamente com seu irmão Barbosa Júnior um novo toque de humorismo ao estilo. É considerado também o introdutor do chapéu de palha como recurso percussivo no samba, utilizando em diversas gravações.

No ano de sua estréia como cantor de rádio grava também seus primeiros discos pela gravadora Odeon, sambas e marchas, entre eles Recordar É Viver. Em 1933 continua gravando pela Odeon e estréia na Victor, onde lança Na Estrada da Vida - o primeiro samba do compositor Wilson Batista - e alguns sambas de Mário Travassos de Araújo, que o acompanha ao piano. É o intérprete do primeiro jingle comercial do rádio no Brasil, criado por Nássara para a Padaria Bragança e cantada por ele com sotaque português. A convite do produtor Jardel Jércolis passa a se apresentar todas as noites no Teatro Carlos Gomes, fazendo parceria com a cantora paulistana e vedete do teatro de revista Déo Maia.

Grava em 1993 duas composições sincopadas de Noel Rosa, Contraste, em parceria de Almirante e Seja Breve, com João Petra de Barros. Em 1936 faz grande sucesso com a marcha de carnaval Ó! Ó! Não, de A. Almeida e A. Godinho, adaptação de um jingle comercial, aparecendo neste ano também no filme Alô, Alô, Carnaval!, produzido por Wallace Downey e Ademar Gonzaga. No ano seguinte grava ao lado de Carmen Miranda o samba No Tabuleiro da Baiana, um dos grandes sucessos de Ari Barroso. Leva uma vida boêmia e, vitimado pela tuberculose, morre jovem.

Análise

O cantor carioca Luís Barbosa torna-se uma referência no samba que é precursor do estilo sincopado, posteriormente chamado teleco-teco, com gravações feitas na década de 1930. Com uma refinada percepção rítmica, interpreta o samba com o acompanhamento batucado em seu chapéu de palha. Sobre essa base rítmica, Luís Barbosa pode sincopar suas melodias, realçando o momento rítmico em que a melodia está deslocada do acento principal do compasso. Esse estilo de samba tem ainda entre seus criadores os cantores/compositores Ciro de Souza, Wilson Batista, Geraldo Pereira e Roberto Martins entre outros, integrantes de uma geração do samba carioca, posterior àquela dos compositores do Estácio e de Vila Isabel.

Segundo depoimento do próprio Ciro de Souza: "O samba teleco-teco nasceu da imensa dificuldade que alguns compositores novos nessa época tinham em gravar, em colocar uma melodia. Naquele tempo os valores da MPB eram cantores. Havia muitos compositores. E eram tão bons que dificilmente um novo entrava na curriola das gravações. Quando um novo ia ter vez numa roda em que andavam Noel Rosa, Ary Barroso, Joubert de Carvalho, Custódio Mesquita, Mário Rossi entre outros do mesmo time?"1. A providência tomada pela geração de Ciro de Souza, é "inventar" algo que diferisse do estilo dos grandes sambistas da época. Como o próprio compositor explica, ele e sua geração desenvolveram um pouco mais as nuances rítmicas do samba, onde a relação entre os acentos da melodia e os do compasso criavam um "balanço" novo.

Mais do que um estilo de composição, o "teleco-teco" torna-se um estilo de interpretação. Nesse estilo passa a ser comum a performance em duo (como Joel e Gaúcho, Francisco Alves e Mário Reis, Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro), bem como o costume de que o cantor ou outro instrumentista criasse uma base rítmica com um instrumento "cotidiano", normalmente uma caixa de fósforos ou um chapéu de palha. Luís Barbosa, com sua criatividade musical e aptidão para o elemento cênico, torna-se "a voz" desse novo estilo que surge, sincopando as melodias criadas pelos compositores em performances de show-man com seu inconfundível chapéu de palha.

Além das apresentações no rádio, Luís Barbosa utiliza o acompanhamento rítmico de seu chapéu de palha em gravações como Caixa Econômica, de Nássara e Orestes Barbosa cantada em duo com Petra de Barros, em 1933, e Silêncio, de Vadico, e interpretado em duo com Lattari. Atua ainda como compositor, tendo registrado em 1933 a marcha de sua autoria Pega e os sambas Sou Jogador e O Que Eu Sinto Por Você; Não se Fala Mais Nisso é uma parceria com Jonjoca, registrada pelo duo Jonjoca e Castro Barbosa. Ainda em 1933, grava Contraste, em duo com Almirante, e Seja Breve, com João Petra de Barros, ambas as composições de Noel Rosa. Em 1935 grava a marcha Sou do Sindicato, em parceria com Luiz Grim, e, em 1936, as marchas Romeu e Julieta, com Manezinho Araújo e Quem Nunca Comeu Melado, com Jorge Murad.

Luís Barbosa faz parte de uma geração que atua com frequência no rádio e nos teatros de revista. Participa também do cinema, tornando-se conhecido do grande público. Sua gravação do primeiro jingle veiculado no Brasil, criado por Nássara, sela o acordo entre a recente indústria de comunicação de brasileira, a propaganda e a música popular, que se desenvolve a partir desse momento.

Nota

1 apud Campos et alii. Um Certo Geraldo Pereira. Rio de Janeiro, FUNARTE, 1983, pg. 140.

Outras informações de Luís Barbosa:

  • Outros nomes
    • Luís dos Santos Barbosa
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Compositor

Fontes de pesquisa (3)

  • ACERVO do Instituto Moreira Salles, disponível em <http://ims.uol.com.br/>
  • CAMPOS et alii. Um Certo Geraldo Pereira. Rio de Janeiro, FUNARTE, 1983.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUÍS Barbosa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa616338/luis-barbosa>. Acesso em: 13 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7