Artigo da seção pessoas Marcelo Tupinambá

Marcelo Tupinambá

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deMarcelo Tupinambá: 29-05-1889 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Tietê) | Data de morte 04-07-1953 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Fernando Álvares Lobo (Tietê, SP, 1889 - São Paulo, SP, 1953). Compositor, pianista e regente. É filho do maestro Eduardo Álvares Lobo e sobrinho do compositor Elias Lobo. Quando criança, aprende sozinho a tocar piano. Mais tarde, na cidade de São Paulo, estuda música e tem aulas de violino com o maestro italiano Savino de Benedictis. Em razão das atividades do pai, vive em várias cidades, como Itapetininga, São Paulo, e Pouso Alegre, Minas Gerais. Nesta cidade, conclui os estudos, toca piano e torna-se regente da banda local, excursionando pela região e também pelo interior de São Paulo. Fernando Lobo usa o pseudônimo Marcelo Tupinambá, por recomendação do diretor da Escola Politécnica de São Paulo, onde estuda de 1911 a 1916, para esconder sua condição de músico popular e de teatro de revista.

No período em que estuda engenharia atua como pianista em cinemas e cafés da cidade e compõe algumas canções. Várias delas são utilizadas na revista São Paulo do Futuro, escrita pelo libretista Danton Vampré, estreada em 1914. Duas canções da peça, Cavaleiros do Luar e o maxixe São Paulo Futuro, são gravadas por Bahiano em 1916. No ano seguinte, em parceria com o libretista Arlindo Leal, compõe Viola Cantadera e Maricota, Sai da Chuva, dois tanguinhos gravados pelo grupo O Passo no Choro, em 1919, e também destinados ao teatro de revista. Logo em seguida, sua composição O Matuto, gravada por Mário Pinheiro em 1918, é muito cantada no Carnaval.

Mesmo diante dos relativos sucessos, a instabilidade da vida profissional do músico ainda é regra. Por isso, Fernando Lobo muda-se em 1917 para Barretos, São Paulo, com o objetivo de trabalhar exclusivamente como engenheiro. Nessa cidade casa-se, no ano seguinte, com Irene Menezes e, em 1919, nasce sua filha Cecília Menezes Lobo. Permanece na cidade por seis anos exercendo a profissão. Mas, mesmo assim, incentivado pelo colega músico e editor João Campassi e pela esposa, compõe algumas canções. Nessa época é acometido por uma doença que lhe consome grande parte da visão. Impedido de ser engenheiro e precisando tratar-se, retorna a São Paulo, e retoma a vida artística como Marcelo Tupinambá.

A partir de meados da década de 1920 volta a compor, a escrever e a dirigir o teatro musicado, faz concertos e realiza excursões. Reconhecido pela crítica e pelo público nos anos 1930, continua a carreira artística e é convidado a ser diretor musical de algumas emissoras de rádio paulistanas. Paralelamente ao trabalho no rádio, nos anos 1940, torna-se fiscal do estado no conservatório musical de São Paulo. Escreve músicas eruditas como a suíte para cordas Estrela Velha, a partitura da ópera Abraão e os bailados Garoa, Butantã e Juca Mulato.

Comentário Crítico
Marcelo Tupinambá faz parte da geração de compositores que colabora destacadamente para a decantação de certos gêneros da música popular. No inicio do século XX, a vida cultural do Brasil passa por mudanças importantes, marcadas pelo crescimento e ebulição da vida urbana, e a cidade de São Paulo ecoa, à sua maneira, essas transformações. A singularidade da capital paulista se traduz no seu crescimento muito acelerado e nela convivem os elementos citadinos modernizadores, as tradições rurais e escravistas, com a forte presença de imigrantes, suas culturas, modo de vida e inúmeros sotaques. Nesse contexto as trocas culturais são as mais variadas. Os gêneros musicais e suas variações são apresentados em festas populares, salões, teatro de revista, cafés, indústria fonográfica e, na década de 1930, pelas emissoras de rádio. Tupinambá participa desse universo como protagonista, atuando principalmente no "abrasileiramento" e na definição de um gênero musical regional paulista.

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Outras informações de Marcelo Tupinambá:

  • Outros nomes
    • Fernando Álvares Lobo
  • Habilidades
    • Compositor
    • Pianista
    • Regente/maestro

Fontes de pesquisa (9)

  • NEPOMUCENO, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • Acervo Instituto Moreira Salles. http://ims.uol.com.br/ims/
  • ALMEIDA Benedito Pires de, Marcelo Tupinambá: obra musical de Fernando Lobo. SP, Ed. Anglotec, 1993.  
  • ANDRADE, Mário de, Marcelo Tupinambá, In Música doce música, 3ª ed., BH, Ed. Itatiaia, 2006
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antonio Marcondes. São Paulo: Art editora Ltda, 1977.
  • LEANDRO, Marcelo Tupinambá. A criação musical e o sentido da obra de Marcelo Tupynambá na música brasileira. 2005. Dissertação (Mestrado em Pós Graduação Em Música) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de S. Paulo.
  • MORAES, José Geraldo Vinci. Metrópole em sinfonia. História, cultura e música popular na São Paulo dos anos 30. São Paulo, Editora Estação Liberdade, 2000.
  • MUGNANI Jr., Ayrton, Enciclopédia das músicas sertanejas, SP, Letras e letras, 2001.
  • TINHORÃO, José Ramos, Os gêneros rurais urbanizados, In Pequena história da música popular, SP, Circulo do livro, s/d.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MARCELO Tupinambá. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa599773/marcelo-tupinamba>. Acesso em: 17 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7