Artigo da seção pessoas John Ulhoa

John Ulhoa

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deJohn Ulhoa: 11-02-1966 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Paracatu)

Biografia

João Daniel Ulhoa (Paracatu, MG, 1966). Multi-instrumentista, compositor, produtor musical. Nascido no interior de Minas Gerais, muda-se com a família para Belo Horizonte. Em 1982, ainda como João Daniel, integra o conjunto de rock Sexplícito. Após anos trilhando o circuito amador, a banda é selecionada para a coletânea Rock Forte (1987), de bandas de Belo Horizonte, pelo seleo Plug, onde interpreta as faixas Vaporzinho da Calçada (John Ulhoa e Rubinho Troll) e No Thanks (Rubinho Troll). O primeiro álbum, Combustível para fogo (1989), impulsiona John Ulhoa a receber o prêmio de "Melhor Guitarrista do Ano -1989", concedido pela revista Bizz. Em 1990, John e banda tentam a vida em São Paulo, onde gravam O disco dos mistérios ou 3 diabos e ½ ou Sexplícito visita o Sítio do Pica-Pau Amarelo ou Tributo a H. Romeu Pinto (1991). O início de 1991 marca o retorno do artista a Belo Horizonte e seu desligamento do Sexplícito.

Em 1992, John funda o conjunto o Pato Fu, com Fernanda Takai (voz) - a quem conhece na loja Guitar Shop de instrumentos musicais que mantinha com o irmão Zé Mauro e com quem se casa em 1995 -, Ricardo Koctus (baixo e voz), Lulu Camargo (acordeom e teclados) e Xande Tamietti (bateria e percussão). Além de principal compositor da banda, John Ulhoa toca guitarra, violão e teclados, participa dos vocais em algumas faixas e é o responsável pelos arranjos eletrônicos que marcam a sonoridade do grupo. São oito os discos autorais pelo Pato Fu: Rotomusic de liquidificapum (1993), Gol de quem? (1995), Tem mais acabou (1996), Televisão de cachorro (1998), Isopor (1999), Ruído rosa (2001), Toda cura para todo mal (2005) e Daqui para o futuro (2007). Três outros discos fazem parte da discografia da banda: MTV ao vivo Pato Fu - No Museu de Arte da Pampulha (2002); e Música de brinquedo (2010) e Música de brinquedo ao vivo (2011), que, mirando o público infantil, trazem releituras de sucessos de outros artistas em instrumentos musicais de brinquedo. Em uma carreira bem-sucedida que perdura até os dias de hoje, o Pato Fu estampa ainda cinco DVDs, entre registros ao vivo, clipes e making-ofs.

Na atuação de John Ulhoa como produtor, destacam-se a parceria com Arnaldo Baptista em Let it bed (2004), que assinala a volta do ex-mutante aos estúdios após 17 anos; a participação em dois projetos individuais de Fernanda Takai, os álbuns Onde brilhem os olhos seus (2007) e Luz negra (2009); e os trabalhos com a cantora mineira Érika Machado, com o grupo Sinamantes e com a banda de música eletrônica Digitaria.   

 

Comentário Crítico

Guitarrista de reconhecida excelência, além de multi-instrumentista e inquieto manipulador de bases eletrônicas (baterias eletrônicas, sequenciadores e sintetizadores programáveis), John Ulhoa é um dos músicos mais criativos do atual panorama do rock brasileiro. Ao invés de limitar seu processo de criação a fórmulas que veiculem uma linguagem padrão reconhecida por um determinado público médio, ele procura desbravar novos rumos dentro do emaranhado de gêneros que constitui a música pop. Tal postura pode ser observada em todas as etapas de uma carreira que inicia na banda alternativa Sexplícito, desponta no Pato Fu e abarca o trabalho de produção de outros artistas.

Observando-se algumas declarações de John à imprensa, pode-se depreender que as facetas alternativa e pop, presentes de forma mais ou menos equilibrada em suas músicas desde a formação do Pato Fu, costumam ser forjadas em etapas distintas de seu processo de composição. Na primeira etapa, a de criação estrutural do corpo da canção, John se ampara no formato voz e violão; é nesta hora que surgem as melodias inspiradas e os refrãos que costumam garantir a venda de discos e o trânsito radiofônico da banda. No estágio seguinte, o de formulação dos arranjos, John recorre a seu estúdio 128 Japs (corruptela de "128 japoneses", como chama seus programas e instrumentos virtuais de computadores); é quando, através do método de tentativa e erro, ele costuma experimentar sonoridades diferentes que, mais do que atribuir uma embalagem "moderninha" às composições, as complexificam, assegurando a tão propalada originalidade do Pato Fu inclusive em seus maiores sucessos - como Sobre o tempo, Depois, Perdendo dentes, Antes que seja tarde, Vida imbecil e Made in Japan, faixa onde John rende homenagem à tecnologia japonesa que lhe é tão proveitosa.      

Descendente direto do movimento tropicalista criado por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes, banda apontada como influencia direta do Pato Fu, John se notabiliza como poucos no atual cenário da música brasileira por juntar informações pertencentes a registros à primeira vista inconciliáveis para criar efeitos inesperados e, consequentemente, atingir resultados insólitos. Em Simplicidade, por exemplo, mais um sucesso com o Pato Fu, a mistura de toada caipira com música eletrônica resulta na curiosa voz robótica de sotaque capiau com que ele interpreta a canção.

Tal procedimento está intimamente ligado a outro que é uma das marcas do Pato Fu: a arquitetura, numa mesma faixa, numa fusão de ritmos, em que um tema sucede a outro compondo um mosaico sonoro que muitas vezes acaba por implodir o formato canção. Um exemplo paradigmático deste liquidificador de ideias colocado em movimento pelo artista é a música Rotomusic de liquidificapum. Esta faixa justapõe, em ritmo vertiginoso, vinhetas de tecno-pop eletrônico, rock, hardcore, funk e rap, combinando temas elaborados pela banda com citações - tais como do conjunto de rock americano Kiss e da música do desenho animado Os Flintstones - que aludem, jocosamente, ao enorme repertório do pop. Já na regravação de A volta do boêmio, samba-canção de Adelino Moreira eternizado na voz de Nelson Gonçalves, John enfileira batida de música eletrônica, música de realejo, sampler de um trecho da versão original, solos distorcidos de guitarra e o violão seresteiro caro ao gênero para fazer uma releitura carinhosa deste clássico do cancioneiro brasileiro.

Letrista mais prolífero do Pato Fu, John Ulhoa muda seu processo de composição a partir do momento em que sua mulher, Fernanda Takai, aos poucos assume a o posto de principal intérprete do conjunto, no palco e no segundo disco da banda, Gol de quem?. As letras inicialmente despojadas, de comicidade anárquica e onomatopaica, dão lugar, gradativamente, à preocupação com o encaixe entre o texto e a melodia e com a abordagem de questões subjetivas e sociais mais sérias, embora sem perder o senso de humor iconoclasta e um tanto improvável que caracteriza o Pato Fu.

Outras informações

  • Outros nomes
    • João Daniel Ulhoa
  • Relações

Fontes de pesquisa (13)

  • AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
  • JOHN ULHOA. In: Carta Maior/ Arte & Cultura. Disponível em: www.cartamaior.com.br/templates/materiaImprimir.cfm?materia_id=8033 2/2. Acesso em 14 Março 2013.
  • JOHN ULHOA. In: Pílula Pop: pilulapop.com.br. Disponível em: http://www.pilulapop.com.br/retro/ressonancia.php?id=55. Acesso em 10 junho 2013.
  • JOHN ULHOA. In: Superdownloads:superd.com.br. Disponível em: http://www.superdownloads.com.br/materias/entrevista-pato-fu-internet-aproximar-criatividade-ecletismo-nos-botoes-do-mouse.html. Acesso em 13 Março 2013.
  • PATO FU. In: Blog o Cuspe [reportagem de Tiago Santos Vieira]. Disponível em: http://blogocuspe.wordpress.com/2009/05/10/um-estranho-no-ninho-rotomusic-de-liquidificapum/. Acesso em 14 junho 2013.
  • PATO FU. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: http://www.dicionariompb.com.br/pato-fu/dados-artisticos. Acesso em 09 Março 2013.
  • PATO FU. In: Folha online/ilustrada online. Disponivel em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/critica/ult569u131.shtml. Crítica de Lígia Braslauskas. Acesso em 12 Março 2013.
  • PATO FU. In: Jornal do Brasil. Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2011/10/19/critica-pato-fu-musica-de-brinquedo-ao-vivo/. Crítica de Paulo Márcio Vaz. Acesso em 15 Março 2013.
  • PATO FU. In: Jovem Pan. São Paulo. Disponível em: http://jovempanfm.virgula.uol.com.br/musica/superstar/index.php?id=103&page=386. Acesso em 02 Abril 2013.
  • PATO FU. In: O Globo. Rio de Janeiro. Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/pato-fu-poe-passado-no-liquidificador-8552377. Matéria de Sílvio Essinger. Acesso em 01 Junho 2013.
  • PATO FU. In: Rolling Stone. Disponível em: http://rollingstone.com.br/edicao/46/dupla-personalidade-pato-fu. Acesso em 10 Março 2013.
  • PATO FU. In: Whiplash.net. Disponível em: http://whiplash.net/materias/biografias/038418-patofu.html. Acesso em 18 Abril 2013. Crítica de Alberto de Azevedo "Garfield" Neto.
  • SEXPLÍCITO. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em http://www.dicionariompb.com.br/sexo-explicito/dados-artisticos. Acesso em 08 Março 2013.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOHN Ulhoa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa573420/john-ulhoa>. Acesso em: 27 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7