Artigo da seção pessoas Américo Jacomino

Américo Jacomino

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deAmérico Jacomino: 12-01-1889 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 07-09-1928 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Américo Jacomino, "Canhoto" (São Paulo SP 1889 - idem 1928). Compositor e violonista. Filho dos imigrantes napolitanos Crescêncio Jacomino e Vicência Gargiula Jacomino, que chegam a São Paulo na década de 1880. A família reside na região central da cidade e é composta de cinco filhos, sendo os três mais velhos nascidos na Itália e apenas Américo e o caçula Alfredo, brasileiros. Américo aprende a ler e escrever com o pai e o irmão mais velho, Ernesto, com quem também aprende violão e bandolim, apesar da resistência paterna. Como é canhoto em uma família de destros, é obrigado a tocar o instrumento sem inverter as cordas do violão. Da mesma forma, domina o cavaquinho por volta dos 16 anos. Com isso, cria um estilo peculiar na maneira de tocar, ganhando o apelido que o consagra como artista: Canhoto.

Originário de família humilde de imigrantes é obrigado a trabalhar ainda jovem em pequenos ofícios, como pintor de paredes e jornaleiro. Simultaneamente começa a desenvolver a carreira de instrumentista, tocando em salas de espera de circos, cafés, bares e cinemas, como o Cinema Bresser (Rua Bresser, Brás), Brás-Bijou (Avenida Rangel Pestana) e Éden-Teatro (Rua Mauá). Atua ao lado de Roque Ricciardi (Paraguassu), Zezinho do Banjo (Zé Carioca) e no teatro de revista paulistano. Em 1913 faz várias gravações pela Odeon, registrando as próprias composições, como a valsa Belo Horizonte, a polca Pisando na Mala, o dobrado Campos Sales e a mazurca Devaneio.

Organiza vários grupos, entre eles o Regional do Canhoto, o Trio Viterbo-Abgail-Canhoto e mais tarde Os Turunas Paulistas, para gravar e fazer espetáculos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, desenvolve a  carreira de solista e chega a se apresentar no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em 1916, e no Teatro Municipal, em 1925. No fim da década de 1910 trava contato com o compositor e instrumentista paraguaio Agustin Barrios, de passagem por São Paulo.

Em uma de suas excursões por Itapetininga, São Paulo, se apresenta no Cinema São José, conhece a jovem Maria Vieira de Morais, com quem se casa em 1922 e tem dois filhos: Maria Aparecida e Luís Américo. Fixa-se na cidade de São Paulo e abre loja de instrumentos musicais denominada Casa Carlos Gomes e continua com seus concertos pelo interior do estado. Em 1925 regrava Acordes do Violão (1917), renomeada Abismo de Rosas, que se torna um clássico do repertório do violão. Dois anos depois, vence concurso para instrumentistas patrocinado pelo jornal carioca Correio da Manhã, tocando A Marcha Triunfal Brasileira e Abismo de Rosas, e é coroado Rei do Violão brasileiro. No mesmo ano, é nomeado lançador de impostos da prefeitura, mas permanece compondo e gravando.

Em 1928, ao participar de gravação no Rio de Janeiro, sente-se mal, retorna a São Paulo, seu estado de saúde se agrava e falece no dia 7 de setembro. Na comemoração dos 50 anos de sua morte, em 1978, a gravadora Continental lança o LP Homenagem a Américo Jacomino, com a participação de seu filho, Luís Américo, e vários amigos, como Paulinho Nogueira, Antonio Rago, Dilermando Reis, Sebastião Tapajós, Celso Machado e Nelson Anderáos.

 

Comentário Crítico

A carreira de Canhoto inicia-se em apresentações nos espetáculos de variedades que ocorrem nos cinemas, circos e principalmente nos teatros de revista. Em 1925 chega a compartilhar as primeiras experiências da radiofonia paulistana na Rádio Educadora, depois Rádio Gazeta. Por fim, participa do processo de ampliação e consolidação da indústria fonográfica.

continuar a leitura do texto Continuar a leitura do texto...

Outras informações de Américo Jacomino:

  • Outros nomes
    • Canhoto
  • Habilidades
    • Compositor
    • Violonista

Fontes de pesquisa (7)

  • ANTUNES, Gilson Uehara. Américo Jacomino "Canhoto" e o desenvolvimento da arte solística do violão em São Paulo. Dissertação de mestrado, Departamento de Música, ECA-USP. 2002. Disponível em: http://api.ning.com/files/PUtRyFXo6CHFXtscWcFii-I*tTx3VsHnv3gnkuHP9MyCE0mX*Afb29lL7yuao7coo5nTDnSzJTi6QpTsF0DNUF4*WOetBNqt/GilsonAntunesCanhoto.pdf
  • CASTAGNA, Paulo e ANTUNES, Gilson. O violão brasileiro já é uma arte. Petrópolis, RJ, Vozes, n.1, jan./fev.1994.
  • ESTEPHAN, Sérgio. "A obra violonística de Américo Jacomino, o Canhoto (1889 -1928), e os espetáculos de variedades na cidade de São Paulo". In: Projeto História, São Paulo, n.36, p. 233-252, jun. 2008.
  • ESTEPHAN, Sérgio. Viola, minha viola: A obra violonística de Américo Jacomino, o Canhoto (1889 -1928). Tese de Doutorado em História, PUC-SP. 2007. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp041074.pdf
  • MORAES, José Geraldo Vinci de. Metrópole em Sinfonia. História, cultura e música popular nos anos 30. São Paulo, Estação Liberdade, 2000.
  • SIMÕES, Ronoel. Abismo de rosas e grandes obras. São Paulo, Fermata do Brasil, s.d.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antonio Marcondes. São Paulo: Art editora Ltda, 1977.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • AMÉRICO Jacomino. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa571887/americo-jacomino>. Acesso em: 19 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7