Artigo da seção pessoas Joaquim Antonio Callado

Joaquim Antonio Callado

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deJoaquim Antonio Callado: 11-07-1848 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 20-03-1880 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Joaquim Antônio da Silva Callado Jr. (Rio de Janeiro RJ 1848 - idem 1880). Compositor e flautista. Desde muito cedo convive com a música, já que o pai é professor de música, pistonista e mestre de banda na Sociedade dos Artistas e na Sociedade Carnavalesca dos Zuavos. Além disso, a família frequenta os clubes e festejos carnavalescos de meados do século XIX. Mestiço e de família pobre, é educado em casa e tem as primeiras noções de música, piano e flauta com o pai.

Instrumentista promissor, em 1866 inicia aula de regência, harmonia e composição com o maestro Henrique Alves de Mesquita, que exerce forte influência em sua formação musical. No ano seguinte, casa-se com Feliciana Adelaide Callado, com quem tem três filhas e um filho. Com família para sustentar, inicia vida de músico profissional, tocando flauta em concertos - por exemplo, como segundo flautista no Teatro Ginásio Dramático diante da família imperial -, bandas e conjuntos, em salões privados e clubes populares. Nesse mesmo ano compõe a quadrilha Carnaval de 1867, que alcança relativo êxito. Em 1869, publica a polca Querida por Todos, dedicada à amiga Chiquinha Gonzaga, com quem frequenta rodas de música. As relações com a maestrina se mantêm, eles começam a tocar juntos e realizam diversas atividades profissionais.

Simultaneamente às atividades profissionais, Callado participa e organiza rodas informais de músicos nas quais se escuta e se toca todo tipo de música. Com base na vivência nesses círculos populares de música, organiza, em 1870, seu próprio conjunto, o Choro Carioca ou o Choro do Callado. Rapidamente ele se torna uma referência para a época e para a história do choro. Desse modo, aparece como um dos principais protagonistas na construção desse gênero popular e na forma de tocá-lo. Na década de 1870, torna-se músico reconhecido pela sociedade carioca, embora muitas vezes seja criticado como compositor. Isso ocorre, por exemplo, em 1873, com a composição Lundu Característico, que consegue relativo sucesso. Apesar disso, durante a década, sua carreira permanece em ascensão como compositor, quando edita as polcas Linguagens do Coração (1872), Ímã (1873) e Cruzes, Minha Prima (1875), entre tantas outras peças. Ao mesmo tempo torna-se célebre entre os músicos cariocas, que o consideram o grande flautista da cidade.

Todo esse prestígio se evidencia com sua nomeação, em 1871, para a cadeira de professor de flauta do Conservatório de Música do Rio de Janeiro e ao receber a condecoração de Comendador da Ordem da Rosa, em 1879. Contudo, sua carreira é bruscamente interrompida aos 31 anos, quando adoece (contrai meningite) e falece logo em seguida. Para homenageá-lo, Catulo da Paixão Cearense imediatamente compõe letra para a polca Flor Amorosa (1880), consagrando-a no cancioneiro nacional.

 

Comentário Crítico

A cidade do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX é a capital política, econômica e cultural do Brasil. Nesse período, a vida cultural na capital federal sofre mudanças importantes marcadas pelo crescimento e pela ebulição da vida urbana. Nela convergem e convivem os elementos citadinos modernizadores e as estruturas condicionadas por tradições rurais e escravistas. A cultura produzida nesse processo cria e sintetiza novas experiências, e nelas a música ocupa lugar destacado. Assim, os gêneros europeus, sobretudo as polcas, mas também quadrilhas, schottisches e valsas, convivem no dia a dia com os ritmos afro-americanos e algumas formas "abrasileiradas". As trocas culturais são as mais variadas. Os gêneros e suas múltiplas fusões ocorrem em festas públicas populares, salões, teatros de revista, cafés-concertos e cantantes e, já no início do século XX, na indústria fonográfica e no Carnaval.

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Outras informações de Joaquim Antonio Callado:

  • Outros nomes
    • Joaquim Antônio da Silva Callado Jr
  • Habilidades
    • Compositor
    • flautista

Fontes de pesquisa (9)

  • PINTO, Alexandre Gonçalves, O Choro - Reminiscências dos chorões antigos, RJ, 2ª Ed. Funarte, 1978
  • CAZES, Henrique. Choro: do quintal ao municipal. 3ª edição.São Paulo: Editora 34, 2005.
  • DINIZ, André. Joaquim Callado: O pai do choro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2008.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antonio Marcondes. São Paulo: Art editora Ltda, 1977.
  • LIRA, Marisa, A característica brasileira nas interpretações de Callado, In Revista brasileira de música, Vol. VII, RJ, 1940-41.
  • SIQUEIRA, Baptista, Três vultos históricos da música brasileira: Mesquita, Callado e Anacleto, RJ, MEC, 1972.
  • TINHORÃO, José Ramos, Os sons que vem da rua, SP, 2ed., Ed. 34, 2005]
  • TINHORÃO, José Ramos, Pequena história da música brasileira, SP, Circulo do Livro, s/d.
  • VASCONCELOS, Ary. Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque. Rio de Janeiro: Livraria Sant'Anna, 1977. 454 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOAQUIM Antonio Callado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa560988/joaquim-antonio-callado>. Acesso em: 16 de Fev. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7