Artigo da seção pessoas João da Baiana

João da Baiana

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deJoão da Baiana: 17-05-1887 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 12-01-1974 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

João Machado Guedes (Rio de Janeiro RJ 1887 - idem 1974). Compositor e pandeirista. Neto de ex-escravos, filho de Félix José Guedes e Perciliana Maria Constança, é o caçula de 11 irmãos. Seus avós mantêm tradicional quitanda de artigos afro-brasileiros e sua mãe, Tia Perciliana (ou Prisciliana), também quituteira, forma com Ciata e Amélia as conhecidas Tias Baianas que habitam os bairros cariocas da Cidade Nova e Saúde. Deriva desse fato seu apelido "João da Baiana".

A situação familiar e comunitária facilita a participação desde cedo nas rodas de candomblé, de samba e de outras tradições culturais afro-brasileiras. Nesses encontros aprende a tocar pandeiro − que se torna seu principal instrumento − e outros instrumentos de percussão. Inicia a vida de instrumentista nos blocos e ranchos carnavalescos, mas é com o grupo de jovens que frequentam a casa das Tias Baianas − como Pixinguinha e Donga − que começa a trajetória artística. Tem seu pandeiro (considerado um instrumento de marginal, na época) apreendido pela polícia, porém, o político Pinheiro Machado, seu admirador, faz uma dedicatória num de seus pandeiros e isso lhe dá salvo-conduto. Após trabalhar no circo e atuar como pandeirista em conjuntos, é convidado por Pixinguinha para compor o grupo Oito Batutas, em 1922, mas recusa a oferta com temor de perder o emprego fixo no cais do porto.

No fim da década de 1920, inicia carreira de percussionista em várias emissoras de rádio cariocas, tocando pandeiro e o prato-e-faca, típico do samba de roda do Recôncavo Baiano. Começa a vida de compositor nessa década, com Pelo Amor da Mulata, de 1923, gravada por Patrício Teixeira em 1930, que também lança Beijo de Moça e Casado na Orgia, em 1933, e Mulher Cruel, em 1924. Sua produção é bem limitada e as canções mais conhecidas são Cabide de Molambo, 1928, e Batuque na Cozinha, 1968. Nos anos 1930 faz parte dos conjuntos Guarda Velha e Diabos do Céu, e na década seguinte participa da gravação da coleção Native Brazilian Music, com o maestro Leopold Stokowski, organizada por Heitor Villa-Lobos. Na década de 1950, é convidado por Almirante a formar, com Pixinguinha e Donga, o conjunto Velha Guarda.

Ele é um dos primeiros a gravar os então chamados pontos de macumba à frente do grupo João da Baiana e Seu Terreiro. Paralelamente à vida artística, trabalha desde criança como aprendiz na Marinha e no Exército, e depois desenvolve carreira no cais do porto, onde se aposenta como fiscal. Casa-se e tem dois filhos, que falecem ainda na infância. Em 1972, esquecido pelo grande público, passa a viver na Casa do Artista, onde morre, dois anos depois.

 

Comentário crítico

João da Baiana é um dos protagonistas das inúmeras experiências culturais e musicais que ocorrem na cidade do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Marcadas pela convivência, tensões e diálogos entre as tradições rurais, a expansão das várias formas de entretenimento urbano e também pela emergente indústria fonográfica, elas dão origem aos diversos gêneros musicais urbanos em decantação. Em sua trajetória se projetam aspectos da cultura urbana informal das ruas: as práticas das festas populares profanas e religiosas; as tradições da cultura afro-brasileiras; e, finalmente, a indústria do entretenimento e a produção destinada ao sucesso. Nesse sentido, a rede de relações que sua mãe, a Tia Perciliana (ou Prisciliana), estabelece é determinante para essa formação. João da Baiana cresce em um ambiente musical repleto de referências culturais do século XIX e de origem rural, mas que já comporta os novos elementos do cenário urbano carioca. É principalmente na casa da Tia Ciata que ele convive com esses múltiplos aspectos das culturas afro-brasileiras rurais e urbanas.

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Outras informações de João da Baiana:

  • Outros nomes
    • João Machado Guedes
    • João da Bahiana
  • Habilidades
    • músico
    • compositor
    • Percussionista

Fontes de pesquisa (10)

  • História da Música Popular Brasileira. Donga e os Primitivos. São Paulo, Editora Abril, 1972.
  • MOURA, Roberto. Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Funarte, 1983.
  • Acervo Instituto Moreira Salles. http://ims.uol.com.br/ims/
  • ALBIN, Ricardo Cravo (Org.). As vozes desassombradas do Museu 1 - Pixinguinha - João da Baiana - Donga. Rio de Janeiro, MIS, 1970.
  • LACERDA, Luiz Carlos (Diretor). Conversa de Botequim com João da Baiana. Documentário. 10 min, 35 mm. Rio Janeiro, 1972.
  • MARCONDES, Marcos Antonio (org). Enciclopédia da música brasileira. Erudita, folclórica, popular. São Paulo, Art editora Ltda, 1977.
  • SANDRONI, Carlos. Feitiço decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917 - 1933). Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed./Ed.UFRJ, 2001.
  • TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo, Editora 34, 1998.
  • VASCONCELOS, Ary. Panorama da música popular brasileira. São Paulo, Livraria Martins Ed., volume 1, 1964.
  • VELLOSO, Mônica. "As tias baianas tomam conta do pedaço: espaço e identidade cultural no Rio de Janeiro". In: Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 3, No. 6, 1990, pp. 207-228.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOÃO da Baiana. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa558029/joao-da-baiana>. Acesso em: 14 de Ago. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7