Artigo da seção pessoas Henricão

Henricão

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deHenricão: 11-01-1908 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Itapira) | Data de morte 11-06-1984 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Henrique Felipe da Costa (Itapira, SP, 1908 - Rio de Janeiro, RJ, 1984). Cantor, compositor, jogador de futebol e ator. Sai ainda adolescente de sua cidade natal para ser goleiro, jogando no Velo Clube de Rio Claro e posteriormente no Floresta, em Amparo, até receber uma proposta para jogar no Corinthians, em São Paulo. Na capital, entra em contato com a turma do time de futebol de várzea, no bairro da Bela Vista, e participa da fundação do Cordão Carnavalesco Vai-Vai, compondo o primeiro samba com o qual o cordão desfila, em 1930. Após escrever vários sambas para cordões e blocos, recebe um convite de César Ladeira para se apresentar na rádio Record com uma jovem cantora, formando a dupla Henrique e Risoleta. Em 1937, participa com Flávio de Carvalho (1899-1973) do Clube dos Artistas Modernos (CAM) e forma dupla com Sarita, com quem grava dois maracatus: Noiô, Noiô, de Paulo e Sebastião Lopes, e Chora meu Goguê, de Benigno Gomes e Franz Ferrer, ambos no mesmo disco pela Odeon.

No ano seguinte, em viagem ao Rio de Janeiro, participa de um programa de rádio com Ataulfo Alves (1909-1969) que o apresenta à cantora Carmen Costa, formando a dupla mais famosa de sua carreira. Gravam dezenas de músicas, com destaque para Só Vendo que Beleza e Está Chegando a Hora, em parceria com Rubens Campos, ambas lançadas em disco em 1942, com acompanhamento da escola de samba Praça 11. Elas se tornam sucesso do Carnaval de 1943, fazendo com que a dupla receba convites para se apresentar em todo o país, em circos, parques de diversão e casas de espetáculo. Resistindo ao tempo, a primeira canção teve regravações de Elza Soares e Elis Regina, além do trio Moreno, Domenico e Kassin, em 2000, e Maria Bethânia e Omara Portuondo, em 2008. A segunda canção foi regravada por Jacob do Bandolim, Emilinha Borba e MC Sapão no disco O Bonde das Marchinhas (2006).

Em 1959, lança o 78 rpm Henricão e suas Pastoras, com dois sambas: Vai meu Amor, de Mário Augusto e Beduíno, e Resolve na Hora, parceria com Raul Marques, mas tem pouca repercussão. Depois disso, Henricão permanece 21 anos sem gravar como cantor, período em que se dedica a diversos ofícios, tais como ator, motorista particular e vendedor de automóveis, enfrentando dificuldades financeiras. Participa de mais de 20 filmes, desde seu primeiro papel no inacabado It's All True, de Orson Welles, a produções de Mazzaropi e pornochanchadas. Obtém destaque com a interpretação de um líder quilombola em uma versão para o cinema de Sinhá Moça, realizado pela Cia. Vera Cruz. Com o filme, ganha diversos prêmios como melhor ator.

Já em 1973, esquecido pelo grande público, grava o programa MPB Especial, de Fernando Faro, acompanhado do conjunto de choro Evandro e seu Regional. Em 1980, lança seu primeiro LP como cantor, a convite de Júlio Moreno, pela gravadora Eldorado. Com o título Recomeço, Henricão retoma sua parceria com Carmen Costa, regravando os maiores sucessos de sua carreira. Entre os anos de 1981 e 1982, é eleito rei momo da cidade de São Paulo, até falecer em 1984, aos 73 anos, vítima de um AVC. Como legado, deixa uma obra que se destaca pelos sambas, muitos deles acompanhados por regionais de choro e solos de flauta, como o samba sincopado.

 Comentário Crítico
A obra de Henricão se destaca essencialmente pelos sambas. Sua maioria, gravada durante as décadas de 1940 e 1950, conta com arranjos acompanhados por regionais de choro, solos de flauta, ritmos sincopados, letras que remetem a cenas do cotidiano e uma interpretação informal. Nesse contexto, seus sambas diferem do estilo carioca por sofrer influências do samba rural, típico do interior paulista, permeado de instrumentos graves - como o tambu, exemplificados em Saravá Umbanda (1980) - e de instrumentos de sopro, comuns no instrumental dos cordões paulistanos. O músico também flerta com a música regional, que traz arranjos de violas e sanfona, como nas toadas A Moreninha do Sertão (1936) e Peteca do Destino (1937); e na valsa Companheira do meu Penar (1937), em parceria com a cantora Sarita e com o sanfoneiro Antenógenes Silva, autor das músicas, duas delas em parceria com Ernani Campos.

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Outras informações de Henricão:

  • Outros nomes
    • Henrique Felipe da Costa
  • Habilidades
    • cantor/Intérprete
    • compositor
    • ator

Espetáculos (2)

Fontes de pesquisa (6)

  • BOTEZELLI PELÃO, J.C; PEREIRA, Arley. A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes. Vol. 6. São Paulo: Sesc, Serviço Social do Comércio, 2000.
  • Carmen Costa. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/carmencosta>. Acesso em 21 set. 2011.
  • Henricão. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/henricao>. Acesso em 21 set. 2011.
  • SIMSON, Olga Rodrigues Von. Carnaval em branco e negro: carnaval popular paulistano: 1914-1988. Campinas: Editora da Unicamp: São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.
  • SOARES, Reinaldo Silva. O cotidiano de uma escola de samba paulistana: o caso da Vai-Vai. Dissertação de mestrado. São Paulo: FFLCH/USP, 1999.
  • VIEGAS, João Carlos. Carmen Costa: uma cantora do rádio. Rio de Janeiro: Revan, 1991.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • HENRICÃO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa550227/henricao>. Acesso em: 21 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7