Artigo da seção pessoas Waly Salomão

Waly Salomão

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / literatura  
Data de nascimento deWaly Salomão: 03-09-1943 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Jequié) | Data de morte 05-05-2003 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

Alfa Alfavela Ville , 2004 , Waly Salomão | Luciano Figueiredo | Oscar Ramos
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Biografia

Waly Dias Salomão (Jequié, Bahia, 1943 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003). Poeta, produtor cultural, diretor artístico e letrista de música popular brasileira. Nascido no interior baiano, filho de um imigrante sírio e de uma sertaneja, Waly Salomão é um dos expoentes do tropicalismo, movimento cultural que reúne poetas como Torquato Neto (1944 - 1972), Duda Machado (1944) e músicos como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em 1972, publica seu livro de estreia, Me Segura qu'Eu Vou Dar um Troço, e participa da organização de Os Últimos Dias de Paupéria, que reúne poemas e artigos de Torquato Neto, falecido nesse ano, seu parceiro no movimento tropicalista, e com quem edita o número único da revista Navilouca. Considerada uma das principais revistas de vanguarda da década de 1970, Navilouca publica autores como Augusto de Campos (1931), Décio Pignatari (1927), além de colaborações do compositor Caetano Veloso e do artista plástico Hélio Oiticica (1937 - 1980). O trabalho de Salomão como poeta inclui parcerias com músicos como Jards Macalé, com quem cria a canção Vapor Barato, gravada por Gal Costa. Na área da política cultural, trabalha como assessor de Gilberto Gil, no período em que ele se mantém à frente do Ministério da Cultura.

Análise

Waly Salomão é representante do tropicalismo, movimento artístico criado no fim da década de 1960 que rompe as fronteiras entre o erudito e o popular, o moderno e o antigo, o nacional e o internacional, apontando o caráter sincrético e mestiço da cultura brasileira. O movimento incorpora influências do rock'and'roll, da contracultura e das vanguardas estéticas e tem repercussão no teatro de José Celso Martinez Corrêa (O Rei da Vela, encenado em 1967), no cinema de Glauber Rocha (Terra em Transe, exibido em 1967) e na música de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Na poesia, o seu principal representante é Waly Salomão, que concilia recursos da poesia concreta, como a criação de neologismos, trocadilhos e a visualidade da escrita com o humor, a irreverência, a coloquialidade e a temática urbana, elementos típicos da poesia marginal, à qual pertencem autores como Chacal (1951), Francisco Alvim (1938) e Ana Cristina Cesar (1952 - 1983)

O autor estreia em 1972 com Me Segura qu'Eu Vou Dar um Troço, que traz desenhos e textos em prosa, com projeto gráfico do artista plástico Hélio Oiticica. O livro, escrito na prisão (o autor é detido na época do regime militar), faz diversas referências ao ambiente prisional ("Desenho de um revólver na parede"), mas não é um diário de reclusão nem uma novela de caráter realista; trata-se de um longo poema em prosa que mescla realidade e imaginação, com um estilo retórico próximo à linguagem barroca, pelo uso da alegoria, da metáfora e da paródia do estilo profético, como nota o crítico Manuel da Costa Pinto.

Salomão pertence a uma geração que participa de fenômenos culturais como a contracultura, o movimento hippie, a revolução sexual, que deixam marcas em sua escrita, especialmente no livro Stultifera Navis, incluído em Gigolô de Bibelôs (1983), que traz poemas de forte oralidade e com ritmo bem marcado ("EMBRIAGUEZ / cesto de caju / claro de luna / olor de jasmim / teto de estrelas"), mesclados a outros que exploram a tipologia das letras e recursos de diagramação. Um poema de destaque nesse livro é A Medida do Homem, construído na forma de peça de teatro, com personagens como o Marujeiro da Lua, o Investigador Humanista e a Agente Loira Babalorixá de Umbanda, e as letras impressas em cor branca, sobre fundo negro. Em outros poemas, insere desenhos recortados de jornais e revistas, que funcionam como vinhetas, satirizando a linguagem dos anúncios publicitários. No fim do livro, Salomão inclui suas letras de música, talvez as criações mais conhecidas de sua obra, como a canção Vapor Barato ("Com minhas calças vermelhas / meu casaco de general / cheio de anéis / vou descendo / por todas as ruas / e vou tomar aquele velho navio").

Waly Salomão deixa obra numerosa, além de livros de poesia como Surrupiador de Souvenirs, Algaravias, Lábia, Tarifa de Embarque e da antologia O Mel do Melhor, publica uma biografia de Hélio Oiticica, Qual É o Parangolé, e um livro de obras visuais, Babilaques (2007), em que o poeta mescla poesia, fotografia e artes plásticas.

Outras informações de Waly Salomão:

  • Outros nomes
    • Waly Dias Salomão
    • Wally Salomão
  • Habilidades
    • Poeta
    • escritor
    • Compositor
    • Direito
    • Compositor

Obras de Waly Salomão: (2) obras disponíveis:

Exposições (8)

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (6)

  • PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006.
  • CAMPOS, Haroldo de. No embalo da música das esferas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 6 de mai. 2003. Ilustrada, p. E3.
  • MACHADO, Cassiano Elek. Poesia se despede do trovador Waly Salomão. Folha de S. Paulo, São Paulo, 6 de mai. 2003. Ilustrada, p. E3.
  • SALOMÃO, Waly. Gigolô de bibelôs. São Paulo: Brasiliense, 1983.
  • SALOMÃO, Waly. Me segura qu'eu vou dar um troço. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora / Edições Biblioteca Nacional, 2003.
  • SANCHES, Pedro Alexandre. Músico atuou nos bastidores. Folha de S. Paulo, São Paulo, 6 de mai. 2003. Ilustrada, p. E3.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • WALY Salomão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa55/waly-salomao>. Acesso em: 13 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7