Artigo da seção pessoas Nina Becker

Nina Becker

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deNina Becker: 21-07-1974 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Nina Becker Nunes (Rio de Janeiro RJ 1974). Cantora, compositora. Enteada do maestro Roberto Gnattali (1948), sobrinho de Radamés Gnattali (1906-1988), Nina Becker cresce num ambiente fortemente musical. Tem aulas de violão, piano e canto antes de optar pelo curso de design, que a leva a trabalhar como cenógrafa. Quando é chamada para integrar os vocais da ainda desconhecida banda Orquestra Imperial, em 2002, divide os palcos com o cargo de diretora de arte de uma produtora de cinema. Pouco depois, decide-se pela carreira de cantora, embora não abandone totalmente o ofício de designer, lançando-se como estilista.

Paralelamente ao trabalho com a Orquestra Imperial, inicia carreira solo em 2004, e faz seu primeiro show, ao lado de Gabriel Bubu (guitarra), Gustavo Benjão (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo), que formam a banda Do Amor. No ano seguinte, abre o Festival Humaitá pra Peixe, que reúne novos nomes da música brasileira. Participa de vários shows colaborativos, como os do projeto 3NaMassa, de Rica Amabis (do coletivo Instituto), Pupillo e Sucinto Silva (ambos da banda Nação Zumbi), e ainda elabora as trilhas dos desfiles de suas coleções, algumas gravadas por ela no formato single. Sua atuação lhe rende o Prêmio APCA de melhor cantora em 2009, um ano antes do aparecimento de seus primeiros discos, Azul e Vermelho, produzidos por Miranda. Lançados juntos, em 2010, também marcam sua estreia como compositora.

Com outras cantoras de sua geração, participa dos álbuns Literalmente Loucas (2011), com músicas de Marina Lima, e Mulheres de Péricles (2012), que recupera a obra do compositor Péricles Cavalcanti. Com o marido, Marcelo Callado, baixista da banda Do Amor, lança o disco Gambito Budapeste (2012), gravado na residência do casal.

Análise

Desenvolvendo sua carreira ao largo das grandes gravadoras, Nina Becker se encontra na intersecção de dois universos complementares e paralelos que se delineiam na música brasileira no início dos anos 2000. De um lado, faz parte da "moderna geração da MPB carioca", que, impulsionada por nomes como Kassin, Moreno Veloso, Domenico Lancellotti e Nelson Jacobina, tem renovado o cenário musical do Rio de Janeiro ao fundir a influência da tropicália, do samba e da bossa nova a elementos do rock e do pop. De outro, integra o time das "novas cantoras" brasileiras que dão a seu trabalho um cunho fortemente autoral, a exemplo de Tulipa Ruiz (1978), Iara Rennó (1977), Andreia Dias, Karina Buhr (1974), Mallu Magalhães, Tiê e Mariana Aydar. Trata-se de uma geração de intérpretes, letristas, instrumentistas, compositores e produtores que, sem formar um grupo articulado, têm atraído a atenção dos jovens para a música brasileira, sobretudo em função dos veículos que utilizam na divulgação de seu trabalho - redes sociais, discos caseiros, shows colaborativos e festivais regionais. Sem negar suas mais diversas influências, esses artistas mantêm uma forte integração com músicos de gerações anteriores - como Jorge Mautner (1941), Caetano Veloso (1942), Arnaldo Antunes (1960) e sambistas da velha-guarda - sem, contudo, reproduzir seu estilo, criando uma linha própria de trabalho.

Se na Orquestra Imperial Nina solta a voz num repertório festivo, acompanhada pelas fortes sonoridades da banda, na carreira solo ela revela um viés bem mais intimista. Com a voz suave e quase sem vibrato, muitas vezes comparada à de Nara Leão - a quem se assemelha também por cantar acompanhando-se ao violão -, ela interpreta em seus dois primeiros álbuns canções que tratam do cotidiano, do amor e de questões existenciais, escritas por ela e por compositores de sua geração. O tom vaporoso dos discos transparece na letra de Madrugada Branca, cujas sonoridades remetem a Marisa Monte: "O vapor da madrugada / O sono dos sons / Meu sonho dorme profundo / De dentro da verdade / Que eu nem mesmo via / Enquanto via o meu mundo". Em Ela Adora, o ambiente onírico do arranjo reforça o universo adolescente da letra, que trata - talvez em tom autobiográfico - dos anseios, indecisões e surpresas de uma garota diante da imprevisibilidade da vida: "Ela acorda / De manhã e vai cantar / Ela adora / Se perder e procurar". O amor também é tema constante nas composições de Nina, como no bolero pop Não Tema: "Não tema, não / Não vale a pena, não / Se você quiser eu fico aqui / nós dois juntinhos até dormir / pra quando você chorar / que nada".

Além do trabalho de divulgação dos compositores da nova geração, Nina Becker faz releituras de grandes sambistas, como Nelson Cavaquinho (1911-1986), de quem interpreta Minha Festa, em ritmo de rockabilly; Assis Valente (1911-1956), cujo baião Armei a Rede, parceria com Arsênio Otoni, ela grava no disco Gambito Budapeste; e Lamartine Babo, a quem dedica o show Oh, Nina!, em 2012.

Outras informações de Nina Becker:

  • Outros nomes
    • Nina Becker Nunes
  • Habilidades
    • musicista

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Fontes de pesquisa (4)

  • Fontes de consulta:
  • JUNIOR, Flávio e ORSOLINI, Marcio. Chega de saudade. In: Revista Bravo!, São Paulo: Abril, ed. 131, jul. 2008, p. 88-97.
  • BECKER, Nina. Entrevista a Emanuel Bonfim. Território Eldorado, 13 de outubro de 2010. Disponível em: <www.territorioeldorado.limao.com.br/musica/mus80246.shtm> Acesso em:15 maio 2013.
  • BECKER, Nina. Entrevista a Luis Nassif. Via Mundo. Disponível em:  <www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=NECsS4_yxUs#> Acesso em 15 maio 2013.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NINA Becker. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa531928/nina-becker>. Acesso em: 20 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7