Artigo da seção pessoas Tião Carreiro

Tião Carreiro

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deTião Carreiro: 13-12-1934 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Montes Claros) | Data de morte 15-10-1993 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

José Dias Nunes (Montes Claros MG 1934 - São Paulo SP 1993). Violeiro, cantor e compositor. Radicado ainda criança em Valparaíso e depois em Araçatuba, cidades do estado de São Paulo, trabalha na roça até os 16 anos, quando se divide entre a cantoria e outros ofícios, como o de garçom. Participa do programa Assim Canta o Sertão, da rádio transmissora de Valparaíso, onde conhece seu futuro parceiro, Valdomiro, com quem forma a dupla Zezinho e Lenço Verde, a primeira de muitas duplas que integra em sua carreira (Palmeirinha e Coqueirinho; Palmeirinha e Tietezinho; Zé Mineiro e Tietezinho).

Muda-se para a capital paulista a convite do músico Adauto Ezequiel, o Carreirinho. Em São Paulo, conhece o compositor Teddy Vieira, diretor de música sertaneja da gravadora Columbia, que lhe sugere o nome Tião Carreiro. Em 1956, lança o primeiro disco em parceria com Pardinho, um 78 rpm com a moda de viola Boiadeiro Punho de Aço (de Teddy Vieira e Pereira) e o cururu Cavaleiros de Bom Jesus (de Teddy Vieira e João Alves Mariano), pela gravadora Columbia. Estreia como compositor com a rancheira Maria Ciumenta, feita com Bolinha, mas com crédito apenas para o parceiro, gravada em 1957 pelos Irmãos Souza e Caçula. Em dupla com Carreirinho, grava Por Ti Padeço (1958) e Pagode (1959), este um de seus primeiros sucessos, e lança o LP Meu Carro É Minha Viola (1962), pela gravadora Chantecler, que apresenta os sucessos Adeus São Paulo (com Carreirinho), A Viola e o Violeiro (com Lourival dos Santos), Terra Roxa (de Teddy Vieira).

Em 1959, apresenta o pagode caipira, uma nova forma de tocar viola criada pela junção de ritmos sertanejos, como o samba rural e o coco nordestino. Pagode em Brasília (de Teddy Vieira e Lourival dos Santos), gravado em 1960 com Pardinho, é o primeiro registro em disco do novo estilo, que faz muito sucesso, tornando-se uma de suas marcas. Ainda com Pardinho, participa de filmes, como o longa-metragem Sertão em Festa, 1970, de Oswaldo de Oliveira, e lança gravações de sucesso como A Beleza do Ponteio (Capitão Furtado e Tião Carreiro), Rio de Lágrimas (Rio de Piracicaba - Tião Carreiro, Piraci e Lourival dos Santos), Nove e Nove (Tião Carreiro, Lourival dos Santos e Teddy Vieira), Rei do Pagode (Lourival dos Santos e Moacir dos Santos) e Rei do Gado (Teddy Vieira), esta gravada também com Carreirinho, em 1958.

Em 1978, Carreiro se junta a Paraíso (José Plínio Trasferetti), com quem lança quatro LPs, e com Praiano forma a última dupla, realizando apenas um álbum, O Fogo e a Brasa, pela Continental, em 1992. Sua discografia contempla dois trabalhos instrumentais: É Isto que o Povo Quer - Tião Carreiro em Solos de Viola Caipira (Alvorada/Chantecler/Continental, 1976) e Tião Carreiro em Solo de Viola Caipira (Continental, 1979). A música Rio de Lágrimas integra a trilha do filme Os 2 Filhos de Francisco, dirigido por Breno Silveira, em 2005.

 

Comentário Crítico

Tião Carreiro é autor de uma obra de referência na música caipira. Com sua voz grave, garante sucesso como intérprete das composições Golpe de Mestre, de Lourival dos Santos e Mairiporã; Rei do Gado, de Teddy Vieira. Como melodista, é parceiro de Lourival dos Santos nas músicas A Vaca Foi pro Brejo, A Viola e o Violeiro, Deusa Proibida, Viola Divina; de Dino Franco em Minha Vida, Minha Cruz, Morena do Sul de Minas, Noite de Angústia; de Moacir dos Santos em Tudo Certo, Porta Fechada; e de Teddy Vieira em Saudade do Nosso Amor. No entanto, boa parte de seu reconhecimento está depositada no pagode caipira, ritmo musical que cria em 1959 e dá nova dimensão à música rural.

Fã de Tonico e Tinoco e Torres e Florêncio, Carreiro é influenciado por diferentes estilos musicais, do samba rural às toadas e modas de viola. Essas referências estão presentes no novo ritmo que apresenta numa rádio paranaense em 1959, batizado pouco depois pelo compositor Teddy Vieira de pagode caipira. Uma fusão de coco nordestino com calango de roda, ritmos sertanejos presentes na região de origem de Carreiro. Em 1960, Tião Carreiro e Pardinho homenageiam a recém-inaugurada capital federal com Pagode em Brasília (de Teddy Vieira e Lourival dos Santos), que se torna o primeiro exemplar - e de muito sucesso - do estilo pagode. Com a emissão vocal potente, Carreiro inova ao cantar em dupla. Até então, a segunda voz, que é a mais grave, faz a base para que a primeira voz, mais aguda, se sobressaia. Já no início de sua carreira artística, Carreiro convence que é a segunda voz que deve conduzir a melodia.

Entre os estilos presentes em sua discografia estão moda de viola, cateretê, valsa, cururu, querumana, tango, samba rural, pagode de viola, guarânia, balanço, balada e rasqueado. Quanto aos grandes temas que aborda, seu repertório autoral espelha questões amorosas (Rio de Lágrimas/Rio de Piracicaba, com Piraci e Lourival dos Santos, em A Força do Perdão, 1970; Oi Paixão, com Zé Paulo, em Estrela de Ouro, 1980), situações cotidianas, desilusões sentimentais (Amargurado, com Dino Franco; Cabelo Loiro, com Zé Bonito), boemia e alcoolismo (Alma de Boêmio, com Benedito Seviero, gravada com Pardinho em 1960), e críticas sociais - possivelmente graças à influência da música de Teddy Vieira, de quem é o principal intérprete, como Rei do Gado, moda de viola de sucesso em dupla com Carreirinho, em 1958.

Nessa perspectiva, destacam-se músicas compostas com Lourival dos Santos como Mundo Velho (em Navalha na Carne, Tião Carreiro e Pardinho, 1982): "Mundo velho mudou tanto que já está entrando areia / Grande pisa nos pequenos coitadinhos desnorteia / Quem trabalha não tem nada enriquece quem tapeia / Pobre não ganha demanda rico não vai pra cadeia"; e A Viola e o Violeiro, gravada com Carreirinho em 1962: "Tem gente que não gosta da classe de violeiro / No braço desta viola defendo meus companheiros / Pra destruir nossa classe tem que matar primeiro / Mesmo assim depois de morto ainda eu atrapaio / Morre um homem, fica a fama e minha fama dá trabalho".

A obra de Tião Carreiro influencia tanto as gerações posteriores de violeiros, como Almir Sater, Miltinho Edilberto, Ivan Vilela, Roberto Correa, quanto artistas da música sertaneja pós-1980, como o cantor Daniel, que veem no músico mineiro a ponte de legitimação entre o tradicional e o moderno.

Outras informações de Tião Carreiro:

  • Outros nomes
    • José Dias Nunes
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Instrumentista
    • Compositor

Fontes de pesquisa (8)

  • MEMÓRIA Musical. Site do Instituto Memória Musical Brasileira. Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: < http://www.memoriamusical.com.br > Acesso em: 24.fev.2010
  • MOSAICOS - A Arte de Tião Carreiro, edição sobre o artista produzido pela série televisiva Mosaicos. São Paulo: TV Cultura, 2007.
  • ALVES FILHO, Manuel. Viola de Tião Carreiro Proseia com a Academia. Jornal da Unicamp, Campinas, 31.mar.2008 a 6.abr.2008.
  • DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2002. Disponível em: [http://www.dicionariompb.com.br/]. Acesso em: 10 dez. 2009.
  • NEPOMUCENO, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.
  • GAVIN, Charles (org.), SOUZA, Tárik de; CALADO, Carlos; DAPIEVE, Arthur. 300 Discos Importantes da Música Brasileira, 1ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo II: 85 anos de músicas brasileiras (1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. v. 2. (Ouvido Musical)

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • TIÃO Carreiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa531172/tiao-carreiro>. Acesso em: 15 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7