Artigo da seção pessoas Pedro Paulo de Melo Saraiva

Pedro Paulo de Melo Saraiva

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento dePedro Paulo de Melo Saraiva: 1933 Local de nascimento: (Brasil / Santa Catarina / Florianópolis) | Data de morte 16-08-2016 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Pedro Paulo de Melo Saraiva (Florianópolis, Santa Catarina, 1933 - São Paulo, São Paulo, 2016). Arquiteto, urbanista e professor. Ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (Faum) em 1951, formando-se em 1955. No ano seguinte, funda seu escritório, trabalhando em parceria com diversos arquitetos e em sociedade com Sergio Ficher e Henrique Cambiaghi Filho de 1973 a 1990.

Em 1996, cria nova sociedade com os arquitetos Pedro de Melo Saraiva, seu filho e Fernando de Magalhães Mendonça, ainda hoje existente. Em seus 54 anos de atividade, destaca-se pela grande quantidade de concursos públicos e privados vencidos, a longevidade, qualidade e importância de sua obra, sendo agraciado com o Colar de Ouro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) de 2003. Paralelamente à atividade liberal, atua como diretor do Centro de Planejamento da Universidade de Brasília (Ceplan-UnB) (1968-1969), coordenador do Escritório Catarinense de Planejamento Integrado (Esplan-SC) (1969-1973), diretor da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) de São Paulo (1971-1973) e coordenador regional dos Programas de Desenvolvimento Urbano do Banco Nacional de Habitação (BNH) em São Paulo e Mato Grosso (1974-1982).

Dedica-se também à docência, sendo professor de projeto das faculdades de arquitetura e urbanismo das universidades de São Paulo (1962-1975), de Brasília (1968-1969), de Santos (1990-1993), da Presbiteriana Mackenzie desde 1992 e da Anhembi Morumbi desde 1999.

Análise

Pedro Paulo de Melo Saraiva é dono de uma obra vasta e diversificada que engloba edifícios residenciais, comerciais, de serviços, administrativos, escolares, esportivos e de lazer em São Paulo, Santa Catarina e Brasília, cuja espacialidade e expressão plástica são definidas pela estrutura. Essa definição é feita à maneira dos arquitetos identificados com a chamada Escola Paulista, e que tem como sua principal referência, o arquiteto Vilanova Artigas (1915-1985). A principal característica da produção dos arquitetos designados sob esse termo é deixar à mostra o material empregado (o concreto armado) de modo a revelar didaticamente as soluções encontradas para sua sustentação e construção, privilegiando a fluidez e a integração dos espaços.

Na Assembléia Legislativa de Santa Catarina (1957), realizada com Paulo Mendes da Rocha (1928) e Alfredo Paesani (1931-2010), o programa se desenvolve sob a laje nervurada de concreto armado da cobertura e a partir de uma esplanada elevada do solo que separa a circulação do público daquela destinada aos deputados, servidores e profissionais da imprensa. A horizontalidade e fluidez dessa esplanada é interrompida pelo volume opaco do auditório, um tronco de cone também em concreto armado. Se nesse edifício a estrutura ainda se define pelo sistema de pilares e vigas, na Escola de Administração Fazendária (1974), em Brasília, a plasticidade do concreto armado é explorada de maneira mais radical com a fusão da cobertura, estrutura e vedação num desenho mais sinuoso, ainda que marcado pela horizontalidade e pelo peso da matéria.

No Paço Municipal de Florianópolis (1977, não construído), concebido com Sergio Ficher e Henrique Cambiaghi Filho, o arquiteto também adota uma grande cobertura em concreto armado com iluminação zenital, sob a qual desenvolve o programa em vários níveis, articulados por rampas e um vazio central. Nesse edifício, contudo, o arquiteto inova, ao tratar de modo diferenciado a linha de pilares externos, atrelando-os a elementos horizontais que protegem as fachadas de vidro da incidência solar. Além da função estrutural e de conforto térmico, esses elementos desenham as fachadas do paço tal como ocorre com o Palácio da Justiça do Estado de Santa Catarina (1968), realizado com Francisco Petracco e Sami Bussab, e os edifícios Capitânia (1973) e Acal, concebidos com Ficher e Cambiaghi. Nesse último, a fusão entre técnica e estética proposta pelo arquiteto, alcança seu ponto mais alto. Os esforços da estrutura são absorvidos por tirantes e treliças em forma de cruz, que assumem também a função de brises-soleils [quebrassóis] e garantem uma expressão a um só tempo didática e poética. Esse efeito é depois recuperado com sucesso na Sede da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), 1975, em Taboão da Serra, São Paulo, com a colaboração do arquiteto Sestuo Kamada.

Outras informações de Pedro Paulo de Melo Saraiva:

  • Habilidades
    • professor universitário
    • Arquiteto
    • Urbanista

Fontes de pesquisa (14)

  • KAMITA, João Masao. Vilanova Artigas. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 127 p., il. color., p&b. (Espaços da Arte Brasileira).
  • LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. Arquitetura brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1979. 158 p., il p&b. color. 
  • Morre arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva aos 83 anos. Folha de S. Paulo, 16 ago. 2016. Ilustrada. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/08/1803495-morre-arquiteto-pedro-paulo-de-melo-saraiva-aos-83-anos.shtml >. Acesso em: 16 ago. 2016.
  • PPMS Arquitetos Associados. Disponível em: <http://www.ppms.com.br/ppms.swf>. Acesso em: Set.2010.
  • SABBAG, Haifa Yazigi. A estrutura como expressão da arquitetura. Projeto Design, São Paulo, n. 278, abr. 2003. p. 24-27
  • SARAIVA, Pedro Paulo de Melo. Currículo do sistema currículo Lattes. [Brasília], set. 2010. Disponível em: < http://lattes.cnpq.br/2294568088676735 >. Acesso em: set. 2010.
  • SARAIVA, Pedro Paulo de Melo. Plataforma de aço flutua dentro de edifício revitalizado. Projeto Design, São Paulo, n. 297, nov. 2004. p. 46-57
  • SARAIVA, Pedro Paulo de Melo; MENDONÇA, Fernando de Magalhães; SARAIVA, Pedro de Melo; LIMA, Luciano Braga de, colab; BERLFEIN, Fernanda, colab; HAWTHORNE, Vivian, colab; FARIA, Luiz Gustavo. Auditório dialoga com projeto da década de 1960. Projeto Design. São Paulo, n. 333, nov. 2007. p. 56-65
  • SAYEGH, Simone. Pedro Paulo de Melo Saraiva fala sobre a arquitetura brasileira. In: Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, ago. 2009. Seção Entrevista. Disponível em: <http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/185/imprime149625.asp> Acesso em: Set. 2010.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SERAPIÃO, Fernando. Pedra Grande, um marco oculto na cidade. Projeto Design, São Paulo, n. 303, maio, 2005. p. 94-97
  • SERAPIÃO, Fernando. Pedro Paulo de Melo Saraiva. Projeto Design, São Paulo, n. 295, set. 2004. p. 4-6
  • WISNIK, Guilherme. Modernidade congênita. In: FORTY, Adiran; ANDREOLI, Elisabetta (Orgs.). Arquitetura Moderna Brasileira. Londres: Phaidon, 2004. 240p., il p&b.
  • XAVIER, Alberto; LEMOS, Carlos; CORONA, Eduardo. Arquitetura moderna paulistana. São Paulo: Pini, 1983. 251p., il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PEDRO Paulo de Melo Saraiva. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa531029/pedro-paulo-de-melo-saraiva>. Acesso em: 20 de Out. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7