Artigo da seção pessoas Carlinhos Brown

Carlinhos Brown

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deCarlinhos Brown: 23-11-1962 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Salvador)

Biografia

Antonio Carlos Santos de Freitas, Carlinhos Brown (Salvador, Bahia, 1962). Compositor, cantor, instrumentista e produtor cultural. Criado em Candeal Pequeno, na periferia de Salvador, aproxima-se da percussão por intermédio do motorista aposentado Osvaldo Alves da Silva, o mestre Pintado do Bongô, que o ensina a tocar instrumentos de percussão, como pandeiro, tamborim e reco-reco, e de quem se torna discípulo.

Seu nome artístico é inspirado no cantor norte-americano James Brown, expoente da soul music norte-americana. No início, integra a banda de rock Mar Revolto. Depois, acompanha Luiz Caldas, Djavan e João Bosco em turnês. Em 1984, Luiz Caldas grava a primeira música de Brown (em parceria com Jefferson Robinson e o próprio Caldas) a fazer sucesso nas rádios, Visão de Ciclope. Ainda nos anos 1980, Brown participa da banda de Caetano Veloso, que grava sua composição Meia Lua Inteira no LP Estrangeiro. Posteriormente, a música faz parte da trilha sonora da novela Tieta, da Rede Globo, tornando-se sucesso em todo o Brasil. Nos anos 1990, Brown projeta-se internacionalmente à frente do grupo Timbalada, que reúne cerca de cem jovens percussionistas, tocadores de timbau (tambor de origem africana), do Bairro de Candeal Pequeno, e passa a ser figura constante em shows e turnês pela Europa. A estreia como vocalista acontece no disco Brasileiro, de 1992, de Sergio Mendes, no qual assina cinco músicas, e ganha o Prêmio Grammy, em 1995. Também em 1992, participa da coletânea Bahia Black - Ritual Beating System, com o produtor Bill Laswell, ao lado do Olodum. A carreira solo começa em 1996, com o lançamento do álbum Alfagamabetizado, que traz a música A Namorada, que o projeta como cantor. Em 2002, forma o trabalho coletivo Tribalistas, ao lado de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.

Sua trajetória tem a marca do engajamento em questões sociais, o que lhe rende diversos prêmios internacionais. Cria projetos e grupos musicais, como Timbalada, que revela importantes nomes da cena baiana, como Alexandre Guedes, Denny, Xexéu, Patrícia e Ninha; Lactomia, de crianças carentes que produzem seus próprios instrumentos de material reciclado; Bolacha Maria, formado apenas por mulheres percussionistas; a escola Pracatum, projeto social que oferece cursos profissionalizantes de música gratuitos a jovens entre 14 e 18 anos; o espaço cultural Museu do Ritmo e a casa de shows Candyall Guetho Square, que ajudam pessoas de camadas sociais menos privilegiadas em Salvador. O príncipe Felipe, da Espanha, após visitar o Candeal, passa a apoiar seus projetos. A relação com a Espanha inspira Brown a gravar, em espanhol, o CD Carlito Marrón, em 2005. Participa da primeira edição do Rock in Rio Madri, em 2008. No ano seguinte, depois de 20 anos de axé, reedita a banda de rock Mar Revolto e lança CD.

Análise

Após um começo voltado ao rock, integrando a banda Mar Revolto, o trabalho artístico solo de Carlinhos Brown passa a ser diretamente ligado ao movimento musical afro-baiano que surge nas periferias da cidade de Salvador no início dos anos 1980 e desemboca no estilo samba-reggae. Das aulas com mestre Pintado do Bongô, aprende a tocar samba, pagode e também ritmos latinos, como rumba, salsa e bolero e herda o aprendizado oral, corporal e improvisado de tocar percussão. Brown faz som de tudo que habita seu cotidiano, da colher na panela à pá no asfalto. O ritmo se revela também no trabalho sonoro com as palavras, como em Crendic, do álbum Bahia do Mundo: Mito e Verdade, 2001: "No zap pele / No zap filme / Tudo tem uma lógica".

Brown promove o resgate da cultura africana em suas letras, com muitas referências a orixás e ritos religiosos do candomblé, e usa a música para se aproximar de questões sociais. Cria um estilo de se vestir que lhe rende convites para participar de desfiles de moda e assinar uma coleção de joias. Sua estética visual inclui referências indígenas, africanas e urbanas. O jornalista Nelson Motta o define como um talento ao mesmo tempo regional e internacional, tradicional e inovador, clássico e popular, e aponta o grupo Tribalistas, que Brown divide com Arnaldo Antunes e Marisa Monte, como um dos herdeiros da tropicália, o movimento musical e estético criado na década de 1960 por Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé, entre outros artistas, cujo legado de comportamento e atitude influencia gerações.

Performático, traz das experiências em turnês e gravações a tranquilidade de se apresentar como instrumentista à frente do palco, função muitas vezes deixada em segundo plano, dificilmente tendo papel de protagonista. Requisitado para os estúdios, Brown aproveita as oportunidades para mostrar suas composições. Embora tenha diversos discos solo gravados, ainda é mais conhecido como compositor. Bastante ligado à cultura do Carnaval da Bahia, é o grande fornecedor de músicas para os intérpretes dos trios elétricos. Suas composições são sucesso no Carnaval de Salvador na voz de Margareth Menezes (Dandalunda, 2003), Daniela Mercury (Rapunzel, 2006) ou Ivete Sangalo (Cadê Dalila, 2009), e também ganham registro na interpretação dos mais diversos artistas, como Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Marisa Monte, Nando Reis, Cássia Eller e Herbert Vianna. Suas parcerias musicais vão do jazzista Herbie Hancock ao grupo de heavy metal Sepultura.

Outras informações de Carlinhos Brown:

  • Outros nomes
    • Antônio Carlos Santos de Freitas
  • Habilidades
    • cantor/Intérprete
    • percussionista
    • compositor

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (6)

  • Entrevista concedida pelo cantor e compositor ao jornalista Leandro Souto Maior. Rio de Janeiro, 30 set. 2009.
  • FABIO, Licia. Carlinhos Brown. Revista Lícia, ano 1, nº 1 (out. 2009).
  • GUERREIRO, Goli. A trama dos tambores: a música afro-pop de Salvador. São Paulo: Editora 34, 2000.
  • LIMA, Ari. A estética da pobreza: música, política e estilo. Dissertação de mestrado em Comunicação e Cultura, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1997.
  • MERCANTE, Regina. Carlinhos Brown: musicalidade na veia. In: Revista Possível, ano 1 (2004).  
  • VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras,1997.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLINHOS Brown. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa530878/carlinhos-brown>. Acesso em: 14 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7