Artigo da seção pessoas Carlinhos Brown

Carlinhos Brown

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deCarlinhos Brown: 23-11-1964 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Salvador)

Biografia
Antonio Carlos Santos de Freitas, Carlinhos Brown (Salvador BA 1962). Compositor, cantor, instrumentista e produtor cultural. Criado em Candeal Pequeno, na periferia de Salvador, aproxima-se da percussão por intermédio do motorista aposentado Osvaldo Alves da Silva, o mestre Pintado do Bongô, que o ensina a tocar instrumentos de percussão, como pandeiro, tamborim e reco-reco, e de quem se torna discípulo.

Seu nome artístico é inspirado no cantor norte-americano James Brown, expoente da soul music norte-americana. No início, integra a banda de rock Mar Revolto. Depois, acompanha Luiz Caldas, Djavan e João Bosco em turnês. Em 1984, Luiz Caldas grava a primeira música de Brown (em parceria com Jefferson Robinson e o próprio Caldas) a fazer sucesso nas rádios, Visão de Ciclope. Ainda nos anos 1980, Brown participa da banda de Caetano Veloso, que grava sua composição Meia Lua Inteira no LP Estrangeiro. Posteriormente, a música faz parte da trilha sonora da novela Tieta, da Rede Globo, tornando-se sucesso em todo o Brasil. Nos anos 1990, Brown projeta-se internacionalmente à frente do grupo Timbalada, que reúne cerca de cem jovens percussionistas, tocadores de timbau (tambor de origem africana), do Bairro de Candeal Pequeno, e passa a ser figura constante em shows e turnês pela Europa. A estreia como vocalista acontece no disco Brasileiro, de 1992, de Sergio Mendes, no qual assina cinco músicas, e ganha o Prêmio Grammy, em 1995. Também em 1992, participa da coletânea Bahia Black - Ritual Beating System, com o produtor Bill Laswell, ao lado do Olodum. A carreira solo começa em 1996, com o lançamento do álbum Alfagamabetizado, que traz a música A Namorada, que o projeta como cantor. Em 2002, forma o trabalho coletivo Tribalistas, ao lado de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.

Sua trajetória tem a marca do engajamento em questões sociais, o que lhe rende diversos prêmios internacionais. Cria projetos e grupos musicais, como Timbalada, que revela importantes nomes da cena baiana, como Alexandre Guedes, Denny, Xexéu, Patrícia e Ninha; Lactomia, de crianças carentes que produzem seus próprios instrumentos de material reciclado; Bolacha Maria, formado apenas por mulheres percussionistas; a escola Pracatum, projeto social que oferece cursos profissionalizantes de música gratuitos a jovens entre 14 e 18 anos; o espaço cultural Museu do Ritmo e a casa de shows Candyall Guetho Square, que ajudam pessoas de camadas sociais menos privilegiadas em Salvador. O príncipe Felipe, da Espanha, após visitar o Candeal, passa a apoiar seus projetos. A relação com a Espanha inspira Brown a gravar, em espanhol, o CD Carlito Marrón, em 2005. Participa da primeira edição do Rock in Rio Madri, em 2008. No ano seguinte, depois de 20 anos de axé, reedita a banda de rock Mar Revolto e lança CD.

Comentário Crítico
Após um começo voltado ao rock, integrando a banda Mar Revolto, o trabalho artístico solo de Carlinhos Brown passa a ser diretamente ligado ao movimento musical afro-baiano que surge nas periferias da cidade de Salvador no início dos anos 1980 e desemboca no estilo samba-reggae. Das aulas com mestre Pintado do Bongô, aprende a tocar samba, pagode e também ritmos latinos, como rumba, salsa e bolero e herda o aprendizado oral, corporal e improvisado de tocar percussão. Brown faz som de tudo que habita seu cotidiano, da colher na panela à pá no asfalto. O ritmo se revela também no trabalho sonoro com as palavras, como em Crendic, do álbum Bahia do Mundo: Mito e Verdade, 2001: "No zap pele / No zap filme / Tudo tem uma lógica".

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Outras informações de Carlinhos Brown:

  • Outros nomes
    • Antônio Carlos Santos de Freitas
  • Habilidades
    • cantor/Intérprete
    • Percussionista
    • compositor

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (6)

  • Entrevista concedida pelo cantor e compositor ao jornalista Leandro Souto Maior. Rio de Janeiro, 30 set. 2009.
  • FABIO, Licia. Carlinhos Brown. Revista Lícia, ano 1, nº 1 (out. 2009).
  • GUERREIRO, Goli. A trama dos tambores: a música afro-pop de Salvador. São Paulo: Editora 34, 2000.
  • LIMA, Ari. A estética da pobreza: música, política e estilo. Dissertação de mestrado em Comunicação e Cultura, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1997.
  • MERCANTE, Regina. Carlinhos Brown: musicalidade na veia. In: Revista Possível, ano 1 (2004).  
  • VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras,1997.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLINHOS Brown. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa530878/carlinhos-brown>. Acesso em: 21 de Jun. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7