Artigo da seção pessoas Henrique Oscar

Henrique Oscar

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deHenrique Oscar: 17-03-1925 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 29-03-2003 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Henrique Oscar da Silva Araújo (Rio de Janeiro RJ 1925 - Rio de Janeiro RJ 2003). Crítico e professor. Assina a coluna de teatro no jornal carioca Diário de Notícias, entre as décadas de 1950 e 1970. Participa ativamente do movimento de renovação da crítica teatral carioca, impulsionado pela criação, em 1958, do Círculo Independente de Críticos Teatrais, que contribui de forma efetiva na consolidação do processo de legitimação do teatro brasileiro moderno.  

Bacharel em Direito pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ainda estudante universitário freqüenta um grupo amador de teatro dirigido por Adacto Filho e, em 1945, colabora com artigos de crítica teatral para a revista universitária A Época. Depois de ter escrito algumas peças, levadas ao ar na Rádio Mayrink Veiga, faz uma autocrítica e renuncia à carreira de autor teatral, mas publica, em 1945,  uma peça ainda, Encontro com a Vida, fantasia dramática em um ato. Em fins dos anos 1940, integra profissionalmente o elenco do espetáculo Elizabeth da Inglaterra, de Andre Josset, dirigido por Henriette Morineau, com temporada no Teatro Municipal, de Niterói.

Em julho de 1947, Henrique Oscar passa a escrever artigos dominicais sobre vários  assuntos ligados à literatura e às artes para o Suplemento Literário do Diário de Notícias, coordenado pelo crítico Raul Lima. Em sua primeira crítica, feita em fevereiro de 1948, fala sobre Hamlet, de William Shakespeare, dirigida por Hoffmann Harnisch e encenada pelo Teatro do Estudante do Brasil - TEB, companhia fundada por Paschoal Carlos Magno.

Entre 1950 e 1951, viaja para a Europa. Na França, frequenta a Escola Superior de Jornalismo de Paris, que lhe outorga um certificado de estudos jornalísticos, faz o Curso de Civilização francesa e obtém um certificado de língua francesa. Visita a Itália, a Suíça, a Bélgica e a Grã-Bretanha, procura assistir ao máximo de espetáculos de teatro, dança, música e ópera, e também visitar museus e locais de interesse cultural. Publica críticas de teatro na revista Painel Brasileiro. Assume em definitivo a coluna de crítica teatral do Diário de Notícias, em 15 de julho de 1955, substituindo o crítico literário Raul Lima, que a assinava em caráter provisório.

Henrique Oscar guia-se pelo trabalho do crítico de teatro paulista Décio de Almeida Prado, do jornal O Estado de S.Paulo, e se diz influenciado por Claude Vincent, do jornal carioca Tribuna da Imprensa, com quem costuma tomar chá e conversar, sobre as peças em cartaz, na confeitaria A Brasileira, na Cinelândia, Rio de Janeiro.

Antes de trabalhar como crítico do Diário de Notícias, Henrique Oscar dá suas primeiras aulas, de história e literatura dramática, no Conservatório de Copacabana, que tem entre seus professores Guilherme Figueiredo, Maria Clara Machado, João Bethencourt, Luís de Lima e Martim Gonçalves. Em 1955, é convidado a lecionar história do teatro e literatura dramática na Academia de Teatro da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), criada pela atriz Dulcina de Moraes, mas por causa de algumas discordâncias nos métodos de ensino, desiste de continuar. Ensina crítica e história do teatro no Centro de Estudos da Associação Social Arquidiocesana (ASA), onde condensa os cursos de teatro, de 1958 a 1960. Alguns desses cursos conferem diplomas de extensão universitária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Henrique Oscar, que desempenha um papel de destaque durante a articulação e no surgimento do Círculo Independente de Críticos Teatrais (CICT), em 1958, dez anos depois, torna-se o primeiro presidente eleito, e posteriormente ocupa os cargos de secretário e tesoureiro da instituição. Organiza, para o CICT, cursos que tiveram significativa repercussão, entre os quais se destacam: O Teatro Através do Espetáculo; O Teatro Através do Cinema; A Evolução do Teatro Brasileiro; Fundamentos Medievais do Teatro Popular e Aspectos do Espetáculo. 

A criação do CICT resulta de uma polêmica entre a nova e a antiga geração de críticos de teatro carioca, em fins de 1950. A controvérsia atinge o seu ápice em 1958 na campanha para a reeleição do "eterno" candidato, o crítico da Tribuna do Povo Augusto Lopes Gonçalves, à presidência da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), fundada em 1937. A situação torna inevitável a criação do CICT, que não pretendia suplantar a ABCT, porém contestava a adoção de alguns de seus critérios e normas.

Integrado pela chamada "nova crítica", na sua maioria dissidentes da ABCT, o CICT compromete-se com a "modernização do teatro brasileiro e o exercício de uma crítica especializada" divergindo da "atitude indulgente dos decanos da crítica com relação à decadência do teatro de revista e a vigência de antigas práticas teatrais."  Um dos pontos de discórdia é "a função do crítico-divulgador ou publicista, pago por companhias profissionais para divulgar notas elogiosas em sua coluna".

Participa da comissão de seleção do 1º Festival de Teatro Amador da Guanabara, realizado em 1961. É convidado por Barbara Heliodora a completar o quadro de professores do Conservatório Nacional de Teatro, atual Escola de Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), em 1963. Nomeado oficialmente em 1964, permanece na instituição até a sua aposentadoria em 1982. É responsável pelo ensino das disciplinas de história do teatro, história do teatro brasileiro e literatura dramática, e assume cargos de professor titular e chefe de departamento.

A convite dos governos da França e da Grã-Bretanha, em 1968, estagia nas principais escolas dramáticas dos dois países e frequenta seus teatros. Interessa-se particularmente pelo teatro popular financiado pelo poder público - os Teatros Nacionais e os das Casas de Cultura na França, os Repertory Theatres, a Royal Shakespeare Company e o National Theatre (então Old Vic) na Grã-Bretanha. Vai a Berlim Oriental e assiste a espetáculos do Berliner Ensemble e, na volta, via Nova York, frequenta a off-Broadway e a off-off-Broadway. Visita instituições como o Lincoln Center for the Performing Arts e a American National Theatre and Academy (Anta).

Exerce a função de crítico do Diário de Notícias até março de 1973, pouco antes do encerramento das atividades do jornal, que deixa de circular em 1974. Em dezembro de 1985, publica O Teatro e a Semana de Arte Moderna de São Paulo, palestra realizada por ocasião do 60º Aniversário da Semana de Arte Moderna de 1922, em comemoração promovida pela Escola de Música do Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 22 de setembro de 1982.

Ministra cursos, faz palestras e conferências em universidades e escolas do Rio de Janeiro e Niterói, no Rio de Janeiro; Juiz de Fora, Minas Gerais; e outras cidades do Brasil. Escreve ensaios na revista Dionysos, Cadernos de Teatro e Revista da Sbat.

Notas

1. JUNQUEIRA, Christine. CICT versus ABCT: as polêmicas da crítica teatral carioca do final da década de 1950. O Percevejo, Rio de Janeiro, Ano 12, nº 13, 2004. pp. 189-204.
 

Outras informações de Henrique Oscar:

  • Habilidades
    • crítico de teatro
    • professor

Fontes de pesquisa (2)

  • JUNQUEIRA, Christine. CICT versus ABCT: as polêmicas da crítica teatral carioca do final da década de 1950. O Percevejo, Rio de Janeiro, Ano 12, nº 13, 2004.
  • MICHALSKI, Yan. Henrique Oscar. In: ______. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto pra o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

    OSCAR, Henrique. Dossiê personalidades artes cênicas. Rio de Janeiro: Cedoc/Funarte.

    ______. O teatro e a semana e arte moderna de São Paulo. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1985.

    ______. Depoimento. In: DEPOIMENTOS II. Rio de Janeiro: MEC: Funarte: SNT, 1977.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • HENRIQUE Oscar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa518338/henrique-oscar>. Acesso em: 21 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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