Artigo da seção pessoas Elvira Vigna

Elvira Vigna

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deElvira Vigna: 29-09-1947 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 10-07-2017 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Elvira Vigna (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1947 - São Paulo, São Paulo, 2017). Romancista, tradutora, ensaísta, jornalista, ilustradora, artista plástica e crítica de arte. Em 1975, forma-se em literatura pela Universidade de Nancy (França), e, em 1979, obtém o título de mestrado em teoria da significação, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Como jornalista, inicia a carreira fazendo releases, com trabalhos para a revista Fair Play e traduções para o consulado do Marrocos, no Rio de Janeiro. Na década de 1960, edita a revista A Pomba, com Eduardo Prado. Trabalha para os jornais O Globo e Folha de S.Paulo, como correspondente de informática, em Nova York; O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, para os quais escreve críticas de arte até 2006. Destaca-se como autora de livros infantojuvenis, a partir dos anos 1970, com a publicação de uma série de histórias sobre Asdrúbal, o Terrível. Recebe o Prêmio Jabuti na categoria infantojuvenil, com Lã de Umbigo (1979).

Desde 1981, com o livro de Eliane Ganem, O Coração de Corali (1981), faz ilustrações de livros da mesma modalidade; entre esses títulos, sobressaem os de Roseana Murray (1950). Como romancista, publica Sete Anos e Um Dia (1988) e outras sete obras. Também recebe o Prêmio Machado de Assis de ficção da Academia Brasileira de Letras (ABL) com Nada a Dizer (2010). Publica com regularidade artigos sobre arte e literatura no site Études Lusophones da Sorbonne IV. Recebe o Prêmio Oceanos 2015, com o romance Por Escrito (2014).

Análise

Elvira Vigna procura, em seus romances, refletir sobre temas atuais, relacionados a questões éticas e identitárias e ligadas a gênero. Isso ocorre, por exemplo, em Nada a Dizer, livro no qual uma mulher, ao descobrir-se traída pelo marido, sai em busca da própria identidade. Conforme a crítica Edma Cristina de Góis, “ao tratar das instabilidades identitárias, a autora termina por apresentar também um panorama dos relacionamentos na contemporaneidade, mostrando que não há qualidades fixas nos sujeitos”1.

Outros questionamentos ocupam suas narrativas, como a relação entre representação e realidade e as dificuldades de o narrador abarcar o mundo em que vive. A importância que confere a aspectos estruturais e de influência clássica, como a unidade da narrativa e o decoro – tanto interno, na relação entre o caráter dos personagens e suas ações, como externo, em que tais ações ganham importância nos debates éticos da atualidade –, também caracteriza sua crítica. Além de identificar tais elementos, percebe neles uma gama de sentidos sociais subjacentes.

Como ilustradora, tanto em livros seus como de outros autores, Elvira utiliza uma dimensão metafórica da ilustração em relação ao texto que lhe serve de base. Assim, não faz representação literal de enredo e personagens. Isso seria, segundo depoimento próprio, nefasto para o público infantil, que teria na ilustração um substituto imediato para o texto.

Nota

1 GÓIS, Edma Cristina de. O que ainda poderia ser dito. In: Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, UnB. Disponível em: < http://gelbcunb.blogspot.com.br/2010/05/o-que-ainda-poderia-ser-dito.html >. Acesso em: 3 nov. 2013.

Outras informações de Elvira Vigna:

  • Outros nomes
    • Elvira Vigna Lehman
    • Elvira Vigna Lehmann
  • Habilidades
    • romancista
    • contista
    • jornalista cultural
    • ensaísta
    • ilustradora

Obras de Elvira Vigna: (11) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (8)

  • CÂNDIDO, Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Um Escritor na Biblioteca: Elvira Vigna. In: Cândido, jornal da biblioteca pública do Paraná, Paraná. Disponível em: < http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=282 >. Acesso em: 3 nov. 2013.
  • ELVIRA VIGNA. Site da autora. Disponível em: < http://vigna.com.br/ >. Acesso em: 3 nov. 2013.
  • ESTUDOS Lusófonos. Um dedo de prosa com Elvira Vigna. In: Estudos Lusófonos, 14 nov. 2011. Disponível em: < http://etudeslusophonesparis4.blogspot.fr/2011/11/um-dedo-de-prosa-com-elvira-vigna.html >. Acesso em: 3 nov. 2013.
  • GÓIS, Edma Cristina de. O que ainda poderia ser dito. Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, UnB. Disponível em: < http://gelbcunb.blogspot.com.br/2010/05/o-que-ainda-poderia-ser-dito.html >. Acesso em: 3 nov. 2013.
  • GÓIS, Edma Cristina de. Papéis criados, papéis forjados no romance Nada a Dizer de Elvira Vigna. Diacrítica vol.27 no.3 Braga  2013.
  • LEAL, Virgínia Maria Vasconcelos. O gênero em construção nos romances de cinco escritoras brasileiras contemporâneas. Disponível em: < http://www.gelbc.com.br/pdf_jornada/virginia_leal.pdf >. Acesso em: 3 nov. 2013.
  • MIRANDA, Adelaide Calhman de. Gêneros indefinidos e corpos inadequados  revelam ideal feminino inatingível, em Deixei ele lá e vim, de Elvira Vigna. In: Estudos de literatura brasileira contemporânea, Universidade de Brasília, Brasília, 1999. Disponível em: < http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/view/1997/1576 >. Acesso em: 3 nov. 2013.
  • VIGNA, ELVIRA. Site oficial da escritora. Disponível em: <http://vigna.com.br/>. Acesso em 10 jul. 2017.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ELVIRA Vigna. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5161/elvira-vigna>. Acesso em: 22 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7