Artigo da seção pessoas Roberto Tibau

Roberto Tibau

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deRoberto Tibau: 1924 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 2003 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Roberto José Goulart Tibau (Rio de Janeiro RJ 1924 - São Paulo SP 2003). Arquiteto e professor. Ingressa na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, em 1945, na transição para a Faculdade Nacional de Arquitetura - FNA da Universidade do Brasil, e se forma em 1949. Inicia sua atividade profissional no Rio de Janeiro nos escritórios de Vital Brazil, Francisco Bolonha e Oscar Niemeyer, transferindo-se ainda recém-formado para São Paulo. Nessa cidade, conhece Hélio Duarte, coordenador da equipe de arquitetos do Convênio Escolar da Prefeitura de São Paulo, e é rapidamente incorporado ao grupo. Tibau realiza diversos edifícios para o convênio, entre os quais a Escola de Aplicação ao Ar Livre, em 1951, no bairro da Lapa, o Núcleo Educacional para Crianças Surdas; e, em parceria com Antonio Carlos Pitombo e José Augusto Arruda, o Conjunto Educacional D. Pedro I, em 1955, no bairro de São Miguel Paulista. Além de escolas, projeta o Planetário, 1952, com Eduardo Corona e Pitombo - recebe o 1º prêmio no 19º Salão Paulista de Belas Artes de São Paulo -, e a Escola de Astrofísica, 1957, ambos no parque do Ibirapuera. Tibau cria o projeto-tipo do Teatro Popular, 1952, em São Paulo, agraciado com o 1º Prêmio Governo do Estado no 2º Salão Paulista de Arte Moderna, em 1953. Pelo conjunto dos trabalhos realizados no convênio recebe, em 1959, a Taça Eficiência, outorgada pela presidência da Comissão de Construções Escolares. Dedica-se também à atividade docente, sendo convidado, em 1952, para dar aulas no Instituto de Arte Contemporânea - IAC do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, e, em 1957, para assumir a cadeira de plástica da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP. Em 1976, participa da reestruturação curricular da FAU/USP e, a partir de 1978, integra a comissão de pós-graduação dessa instituição.

Comentário Crítico
Roberto Tibau contribui para a divulgação e afirmação da arquitetura moderna em São Paulo, ao desenvolver edifícios vinculados ao programa educacional, que ainda hoje são uma referência. No Rio de Janeiro, durante a graduação e nos primeiros anos de formado, trabalha para Vital Brazil, Francisco Bolonha e Oscar Niemeyer, participando do ambiente arquitetônico carioca dos anos 1940. Recém-formado, muda-se para São Paulo, de posse dessa experiência. Por isso quando se integra à equipe do Convênio Escolar da Prefeitura de São Paulo,1 coordenada por um conterrâneo, o arquiteto Hélio Duarte, desenvolve projetos que seguem as linhas gerais do que se torna conhecido como escola carioca. A qualidade e o interesse de sua produção, entretanto, assim como de todas as obras do convênio, residem não nessa filiação mais direta, mas no vínculo com as premissas do educador baiano Anísio Teixeira, que orientam o sistema "escola-parque, escola-classe" criado por Duarte e caracterizado pela valorização da integração com a natureza, dos espaços amplos e generosos e pela intenção de erguer edifícios que se tornassem uma referência na paisagem no bairro. Seguindo essa orientação, Tibau prevê em seus projetos salas de aula com um espaço para as atividades curriculares e um pátio coberto para as atividades artísticas. Dos edifícios escolares desenvolvidos pelo arquiteto no convênio destacam-se a Escola de Aplicação ao Ar Livre, 1951, no bairro da Lapa, cujo extenso programa inclui hortas, viveiros, laboratório de fisiologia, assistência social, gabinetes médico e dentário, sala de dança e de educação física, e o Conjunto Educacional D. Pedro I, 1955, no bairro de São Miguel Paulista, em parceria com Antonio Carlos Pitombo e José Augusto Arruda, constituído de ginásio, grupo escolar e pré-primário. Nesse conjunto, propõe a integração dos ambientes construídos e das áreas verdes com amplos panos de vidros com quebra-sóis e áreas de pilotis.

Ainda pelo convênio, são desenvolvidos um projeto-tipo de Teatro Popular, 1952, que dá origem aos teatros Paulo Eiró, João Caetano, Artur de Azevedo, Cacilda Becker e outros construídos pelos bairros da capital; o Planetário, 1952, em parceria com Eduardo Corona e Pitombo, e a Escola de Astrofísica, 1957, ambos construídos no parque do Ibirapuera. Para o arquiteto Ricardo Carranza, essa escola chama a atenção porque "a proporção estabelecida pelo desenho dos elementos provoca uma sensação de força e equilíbrio, massa e vazio, que recortam a paisagem, contrabalançadas pela horizontalidade das linhas do projeto".

A experiência no convênio escolar habilita-o a projetar o Colégio Santa Cruz, 1955, trabalho que acompanha por quatro décadas por causa das constantes readequações e ampliações do programa, a normatizar e racionalizar os projetos educacionais via materiais pré-fabricados, utilizados nos projetos de escolas de 1º e 2º graus e também nas escolas técnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai.

Em 50 anos de atividade, Tibau também projeta residências, igrejas, hospitais, hotéis e clubes que merecem destaque, como o Hospital Psiquiátrico e Sanatório Ismael, 1967, em Amparo, São Paulo, realizado em parceria com Helio Duarte e Lucio Grinover. Recuperando as premissas que orientam os projetos das escolas do convênio, os três setores que compõem o hospital - socioterapia, terapia ocupacional e o residencial - formam blocos em forma de cruz que se repetem e são implantados de forma simétrica sobre um extenso jardim. Separando as alas feminina e masculina, um lago que se compõe com a paisagem evita os dispositivos repressores como as grades e os muros. A mesma preocupação de integrar o edifício à paisagem e de estabelecer uma ligação mais fluida entre espaços internos e externos define o projeto de Habitação Social para o Concurso Público Brasilit, 1979, que rende a Tibau uma menção honrosa. Nele, o arquiteto define a cidade com base nas áreas ajardinadas integradas ao passeio público, desenvolvendo, graças aos painéis e elementos de caixilharia, uma arquitetura flexível que supera a monotonia das fachadas padronizadas e se mistura aos jardins circundantes.

Nota

1 Programa ligado à Prefeitura do Município de São Paulo, criado em 1949 para reorganizar o sistema escolar da cidade, com planejamento e construção de uma rede de escolas e equipamentos conexos. O convênio é extinto em 1956.

Outras informações de Roberto Tibau:

  • Outros nomes
    • Roberto José Goulart Tibau
  • Habilidades
    • Arquiteto
    • professor universitário

Fontes de pesquisa (3)

  • CARRANZA, Edite e CARRANZA, Ricardo. Roberto José Goulart Tibau - documento. Arquitetura e urbanismo, São Paulo, n. 103, ago./set. 2002, p. 89-95.
  • CARRANZA, Ricardo. Roberto José Goulart Tibau. G&C Arquitetônica. Seção Trajetórias. Disponível em: [http://www.arquitetonica.com/trajet%F3rias%20-%20arquiteto%20roberto%20jos%E9%20goulart%20tibau.htm]. Acesso 29 de outubro de 2007.
  • FERREIRA Avany de Francisco; MELLO, e Mirela Geiger (org.). Arquitetura escolar paulista: anos 1950 e 1960. São Paulo: FDE, 2006. 372p. il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ROBERTO Tibau. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa506215/roberto-tibau>. Acesso em: 09 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7