Artigo da seção pessoas Rita Clemente

Rita Clemente

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deRita Clemente: 1966 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Araxá)

Rita de Cássia Clemente (Araxá, Minas Gerais, 1966). Atriz, diretora e professora. Uma das figuras centrais do teatro mineiro nos anos 2000, Rita Clemente pesquisa as possibilidades de diálogo entre o teatro e a música e aposta em associações e fusões de linguagens.

Formada no curso profissionalizante de teatro da Fundação Clóvis Salgado, Palácio das Artes, Rita Clemente estreia como atriz em Flor da Obsessão, de Nelson Rodrigues em 1989, com direção de Eid Ribeiro, enquanto concilia a atividade artística com a função de agente cultural do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Nova Lima, Minas Gerais.

Em 1990, ingressa na Cia. Sonho & Drama (Zap 18), para atuar no espetáculo para o público infantil Vida de Cachorro, dirigido por Carlos Rocha. No mesmo período, logo após sua formatura como atriz, inicia a carreira de docente na Fundação Clóvis Salgado.

Na Cia. Sonho & Drama, atua em A Casa do Girassol Vermelho, em 1990, baseada em três contos do escritor mineiro Murilo Rubião (A Boa, Bárbara e Os Três Nomes de Godofredo); e em Caminho da Roça, em 1992, ambas com direção de Cida Falabella. Com Caminho da Roça, se apresenta no Festival Internacional de Teatro - Palco e Rua de BH (FIT-BH), antes de deixar a companhia para seguir carreira solo.

Mantém a parceria com Cida Falabella fazendo a preparação corporal do elenco de Bodas de Sangue, de Federico García Lorca, em 1995, montado com formandos da Fundação Clóvis Salgado. No mesmo ano, realiza sua primeira direção teatral, com o espetáculo para o público infantil Luas e Luas, e recebe o Prêmio Amparc na categoria melhor direção de peça para crianças.

No espetáculo de formatura do curso profissionalizante de teatro da Fundação Clóvis Salgado, As Troianas, dirigido por Raul Belém em 1996, faz novamente a preparação corporal. Nesse ano, produz, dirige, escreve e atua na peça Tempestade e Ímpeto, que parte do romantismo alemão de Goethe para falar, por meio de pequenas histórias, da própria vida.  

Paralelamente ao trabalho de atriz, Rita Clemente integra o corpo docente do curso profissionalizante de teatro da Fundação Clóvis Salgado até 1999, destacando-se pela pesquisa pedagógica nas áreas de preparação corporal e improvisação, e leciona durante quatro anos no curso de artes cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Em 1997, assina a direção da montagem da comédia grega Lisístrata, de Aristófanes, com formandos da Fundação Clóvis Salgado, e em 1999, dirige Os Três Nomes de Godofredo, com alunos da Ufop.

Em 1998, deixa os cursos regulares de formação de ator e passa a integrar o quadro de professores do curso livre de teatro do Galpão Cine Horto, que traz uma proposta pedagógica voltada para a experiência prática e a liberdade de criação.

Rita Clemente começa a experimentar a conexão entre teatro e música em 2001, com a direção de O Inominável, em que também atua, trabalho realizado em parceria com o violoncelista José Antônio Zille. A fusão entre as duas linguagens é explorada novamente na cena Enquanto Espera, em 2003, uma das vencedoras do 4º Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. Em tom tragicômico, a cena traz uma personagem que trava duelo musical com cinco instrumentistas enquanto estuda os meios possíveis para executar a própria morte. Além de atuar, Rita assina a concepção e a direção da cena, que após o festival ganha formato pocket com 25 minutos de duração.

Ainda em 2003, Rita se associa à Cia. Luna Lunera e dirige Nesta Data Querida, espetáculo produzido no projeto Cena 3x4 do Galpão Cine Horto, que propõe pesquisar a metodologia do processo colaborativo de criação.  No mesmo ano, funda O Clube, grupo de pesquisa sobre o trabalho do ator, formado por ex-alunos do curso livre de teatro do Galpão Cine Horto, com o qual monta Clássicos em Pílulas. A peça apresenta cinco textos clássicos encenados, cada um, em cerca de 20 minutos: Os Males do Tabaco, de Anton Tchekhov; A Mais Forte, de August Strindberg; Amor por Anexins, de Artur Azevedo; O Bote de Rapé, de Machado de Assis; e João e Maria, dos Irmãos Grimm.

O Clube monta, em 2004, Dias de Verão, com dramaturgia coletiva, argumento e direção de Rita. Segundo a jornalista Soraya Belusi, Dias de Verão "surpreendia pelo jogo com os elementos primordiais da linguagem teatral, o tempo e o espaço, e pela possibilidade de criar histórias apenas com um giz e uma lona preta no chão".1 Com essa montagem, Rita Clemente ganha os prêmios Usiminas/Sinparc e Sesc/Sated na categoria melhor direção de espetáculo adulto.

No ano seguinte, Rita Clemente dá continuidade aos estudos interdisciplinares entre música e teatro com a cena curta Madame Butterfly, montada para o 6º Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. Com direção e atuação de Rita, a cena conta com a participação ao vivo de uma dupla de instrumentistas que acentua, com intervenções sonoras, as nuances da interpretação e do texto.

A pesquisa sobre as possibilidades de diálogo entre o teatro e a música é aprofundada na montagem de Dias Felizes: Suíte..., em 2006, adaptação de Rita para o texto do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. Nessa produção, a atriz e diretora se apropria do ambiente musical inerente ao texto criando uma atmosfera de concerto que divide os dois atos do texto em nove movimentos cênico-musicais. Propondo uma leitura rítmica e melódica da condição de Winnie, uma jovem senhora que, enterrada no chão, resiste e se esforça por um cotidiano feliz, o espetáculo prioriza o aspecto humano da obra de Beckett, substituindo o conceito de incomunicabilidade pelo desejo de comunicação. Na montagem, a personagem Willie, normalmente visto como secundário, é representado pelos músicos, que assumem três diferentes versões do antagonista, elucidadas pela fusão de timbres eletrônicos e acústicos que dialogam com o texto. O espetáculo estreia com destaque no Festival Internacional Temporales Teatrales de Puerto Montt no Chile. Com Dias Felizes: Suíte... Rita Clemente ganha o Prêmio Usiminas/Sinparc na categoria melhor figurino.

Também em 2006, estreita a parceria iniciada alguns anos antes com o Grupo Espanca!, destaque da nova geração do teatro mineiro. Após realizar a assessoria de pesquisa na montagem de Por Elise, Rita é convidada a dirigir a segunda peça do repertório da companhia, Amores Surdos, que estreia no Festival de Teatro de Curitiba. O texto de Grace Passô fala sobre a incomunicabilidade nas relações por meio da história aparentemente banal de uma família. Sobre o espetáculo, a crítica Antônia Pereira Bezerra escreve: "Amores Surdos pode ser lido como uma balada absurda regida sob a batuta de um realismo-naturalismo limítrofe".2

Rita segue explorando o Teatro do Absurdo na direção de O Rinoceronte, de Eugène Ionesco, montado, em 2007, pelos alunos formandos do curso profissionalizante de teatro da Fundação Clóvis Salgado. Nesse espetáculo, a encenadora propõe uma abordagem contemporânea que constrói novos contextos, influenciados pela cultura pop.

No mesmo ano,ela assina a direção de Rubros: Vestido, Bandeira e Batom, de Adélia Nicolete, montada pela Cia. Bárbara. Destaque na Mostra Paralela do Festival de Teatro de Curitiba (Fringe) de 2008, aborda o universo feminino de forma comovente, que escapa à comédia de gênero e traz à tona reflexões e conflitos de toda uma geração de mulheres.

Com o ator Paulo Azevedo, ex-integrante do Grupo Espanca!, Rita contracena em Histórias de Chocar, inspirado no romance homônimo do filósofo suíço Alain de Botton. A peça retrata a relação entre Irene e Júlio, homem que almeja aprisionar a mulher em seu sonho na esperança de viver um romance perfeito. Com roteiro de Adélia Nicolete, o espetáculo tem concepção geral da dupla de atores e direção de Rita Clemente.

Notas

1. BELUSI, Soraya. Escolhida para o palco. O Tempo, Belo Horizonte, 29 dez. 2005. Magazine.

2. BEZERRA, Antônia Pereira. A inclemência do indizível. Painel Crítico do Festival de Teatro de São José do Rio Preto., 14 jul. 2007.

Outras informações de Rita Clemente:

  • Outros nomes
    • Rita de Cássia Clemente
  • Habilidades
    • Atriz
    • diretora de teatro
    • professora

Espetáculos (6)

Fontes de pesquisa (5)

  • CLEMENTE, Rita. Arquivo pessoal da artista.
  • CLEMENTE, Rita. Blog da artista.
  • GRUPO Epanca! Site do grupo. Disponível em: [http://www.espanca!.com.br]. Acesso em: 25 ago. 2009.
  • HISTÓRIAS de Chocar. Blog da produção do espetáculo.
  • Programa do Espetáculo - Amores Surdos - 2008 Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • RITA Clemente. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa503664/rita-clemente>. Acesso em: 21 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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