Artigo da seção pessoas Herbert Duschenes

Herbert Duschenes

Artigo da seção pessoas
Dança / artes visuais  
Data de nascimento deHerbert Duschenes: 13-12-1914 Local de nascimento: (Alemanha / Hamburgo / Hamburgo) | Data de morte 16-01-2003 Local de morte: (Brasil / Paraná / Curitiba)

Biografia
Herbert Duschenes (Hamburgo, Alemanha, 1914 - Curitiba, Paraná, 2003). Professor de história da arte, arquiteto e cineasta. Na segunda metade da década de 1930, cursa história da arte na Universidade de Hamburgo, Alemanha, e arquitetura no Instituto Politécnico de Praga, Tchecoslováquia. Frequenta ainda cursos de especialização em filosofia, sociologia da arte e estética. Devido à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e às perseguições nazistas, é obrigado a deixar a Alemanha em 1939. Viaja para o Brasil, onde chega em 13 de junho de 1940. Instala-se em São Paulo e torna-se sócio da empresa Augusto Cincinato de Almeida e Lima Engenharia e Construções (Acal), na qual permanece até a década de 1970. Em 1940, colabora em um escritório de projetos, em sociedade com o arquiteto francês Jacques Pilon (1905-1962), o alemão Franz Heep (1902-1978), o italiano Gian Carlo Gasperini (1926) e o brasileiro Jerônimo Bonilha Esteves (1933). O escritório realiza projetos importantes de edifícios, principalmente no centro da cidade. entre eles, destacam-se o Edifício Edlu (1944), o Edíficio Jaraguá, antiga sede do jornal O Estado de S. Paulo (1953/1976), e os Edifícios Paulicéia e São Carlos do Pinhal (1956).

Em 1942, casa-se com a professora de dança, Maria Ranschburg (1922-2014), que adota o nome de Maria Duschenes. Em razão da doença (poliomielite) da esposa, o casal viaja, em 1958,  para os Estados Unidos e outros países, o que lhe permite produzir diversos filmes sobre os lugares visitados. Registra, portanto, exposições de arte e a arquitetura local. Em 1967, ingressa como docente no Departamento de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Leciona por cerca de 30 anos nas áreas de história e cultura nos cursos de arquitetura e belas artes. 

Ao longo da vida, realiza inúmeras viagens pelo mundo e produz mais de 100 filmes coloridos, em Super 8, sobre as paisagens, a arquitetura e a arte destes locais. Os filmes são concebidos como material didático em cursos livres ministrados em São Paulo e Rio de Janeiro.

A partir da década de 1960, integra um grupo de intelectuais, artistas e dançarinos que frequenta as aulas de sua esposa na residência projetada por ele no bairro do Sumaré, em São Paulo. Registra em vídeos as atividades do grupo de dança, inspirado no método de Rudolf Laban (1879-1958) e também espetáculos de dança com coreografias de Maria Duschenes. Em alguns espetáculos colabora na direção e produção dos cenários. 

Como docente, dá palestras sobre arte e participa de projetos educacionais em instituições públicas e particulares. Em 2000, participa do programa “Do Zero ao Infinito”, série Arte e Matemática, produzida pela Fundação Padre Anchieta. O programa destaca Herbert Duschenes pela utilização de filmes em Super 8 como anotações visuais de suas viagens. Em 2002, presta depoimentos sobre arte e dança que integram documentários recentes como “Mar e Moto”, vídeo documentário produzido por Maria Mommensohn e Sergio Roizenblit (1962).

Análise da trajetória
O encontro entre Herbert e Maria Duschenes ocorre no Brasil, para onde se dirigem, no início da década de 1940, devido à Segunda Guerra Mundial. Possuem também um amigo em comum: Rudolf Laban, amigo e frequentador da casa dos pais de Herbert, na Alemanha, e ex-professor de Maria, em Londres. Posteriormente, o casal reúne em sua residência no bairro do Sumaré, em São Paulo, um grupo de intelectuais, dançarinos e artistas plásticos atuantes na época.

Em 1940 torna-se sócio da empresa Acal, em São Paulo, na qual permanece até a década de 1970. Entre 1940 e 1962, torna-se sócio e colaborador do escritório de projetos do arquiteto Jaques Pilon. A autoria dos projetos do escritório é dificultada pela falta de créditos à equipe, como se constata nos trabalhos conservados no acervo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e no Arquivo Geral da Prefeitura de São Paulo, que não trazem suas assinaturas. Segundo o arquiteto Tiago Franco, os desenhos do escritório de Jacques Pilon, possuem  uma tendência racionalista, devido a influência de arquitetos estrangeiros, como Herbert Duschenes, a partir da década de 1940.

Como nota a arquiteta  Renata Davi Balthazar, Duschenes colabora, em 1944, com o projeto do edificio Edlu, na Rua Dom José de Barros, em São Paulo, que se destaca pelo uso intenso de vidros. Participa do projeto do edifício Jaraguá, na fase de acabamento, juntamente com Gian Carlo Gasperini, concebido como sede do jornal O Estado de S. Paulo. Na opinião da arquiteta e urbanista Patrícia Nahas, o imóvel se destaca pelo caráter moderno, com elementos decorativos (brises-soleil) que conferem dinamismo à fachada.

Ao longo de sua atividade docente, viaja por vários locais da Europa, Ásia, Oriente, África e América e registra em mais de 100 filmes a arte e cultura destes locais. Realiza documentários sobre o patrimônio artístico e cultural da Índia, Birmânia, Tailândia, do Nepal, Japão, Havaí, entre outros. Estes filmes são utilizados em diversos cursos ministrados em São Paulo e Rio de Janeiro, em um momento em que poucos tinham a oportunidade de viajar por países tão diversos, particularmente os da Ásia.

Na área de educação destaca-se pela abordagem interdisciplinar, moderna para a época. Incentiva os alunos a estudarem fotografia, música, religião, filosofia, dança e cinema. É pioneiro, também, ao propor a análise das imagens presentes em seus filmes, contextualizando os diversos períodos históricos e artísticos. Os filmes possuem caráter documental e apresentam as paisagens, a arquitetura, a população e os costumes dos locais visitados. Em registros de qualidade técnica e cuidado estético, Herbert documenta as festividades religiosas e os espetáculos de dança. Na década de 1980, época da abertura da China ao Ocidente registra, por exemplo, com olhar quase antropológico, imagens de exercícios de tai chi chuan, de atividades em uma escola de educação infantil e cerimônias do budismo. Em outro filme da década de 1980, apresenta paisagens de Bali, o litoral, um mercado, uma cerimônia de cremação e as atividades dos pescadores. Grava, também, filmes específicos sobre exposições de arte, como as 35ª e 36ª edições das Bienais de Veneza (1970 e 1972); as 10ª, 11ª e 12ª Bienais de São Paulo (1969, 1971 e 1973) e a pré-Bienal de São Paulo (1972). Documenta ainda coleções de Museus como: Museum of Modern Art, Whitney Museum e Guggenheim Museum, Nova York, entre outros.

Duschenes destaca-se por seu legado na área de história da arte, da cultura e da dança. Em documentários e filmes realizados sobre o casal, vários artistas e intelectuais ressaltam sua importância na produção artística e cultural  de São Paulo. Na década de 1960, dirige e participa da produção de espetáculos de dança com coreografia de Maria Duschenes, como Paixão e Ressureição de Cristo (1960) e O Sacro e o Profano: Muitas São as Faces do Homem (1965), uma co-direção com Margarida Krepel. Sua contribuição na produção e no registro dos espetáculos de Maria Duschenes continuam pela década seguinte. Assim como no campo da educação intesdisciplinar, Herbert Duschenes transita por diferentes meios, desde a arquitetura, até a dança e produção de filmes a partir de suas viagens.

Suas aulas e conferências são comentadas por vários artistas plásticos, sendo ele responsável pela formação do olhar estético de toda uma geração. Entre seus alunos estão a artista multimídia Jac Leirner (1961), os artistas plásticos Leda Catunda (1961) e Sérgio Romagnolo (1957)

Ao documentar aulas de Maria Duschenes e alguns espetáculos, contribui com a a história da dança em São Paulo, em um período em que os estudiosos dispõem de poucos registros de espetáculos. Colabora, ainda, para a divulgação do sistema de Análise do Movimento de Rudolf Laban. Os registros em filmes de aulas e apresentações de dança de sua esposa são, posteriormente, utilizados em filmes como: Maria Duschenes, O Espaço do Movimento (2006), dirigido por Inês Bógea (1965) e Sérgio Roizenblit e Mar e Moto (2002), vídeo documentário produzido por Maria Mommensohn e Sergio Roizenblit .

Outras informações de Herbert Duschenes:

  • Habilidades
    • arquiteto
    • cineasta
    • professor de história da arte
  • Relações de Herbert Duschenes com outros artigos da enciclopédia:

Midias (4)

Acervo Família Duschenes Fotografia Autoria Desconhecida

Itaú Cultural

Itaú Cultural

Itaú Cultural

Fontes de pesquisa (11)

  • MAR E MOTO. Videopesquisa: Maria Mommensohn e Sergio Rosenblit. Pesquisa: Maria Mommensohn. Colaboração: Cleide Martins. Imagens de arquivo: Herbert Duschenes. Recuperação de sons originais: Augusto Rocha. Trabalho realizado com apoio da Bolsa Vitae de Dança - 2001. São Paulo: Recplay, Videcom, TV Cultura, 2002. 1 DVD (1h35m), son., color.
  • NAHAS, Patrícia Viceconti. Estudo de caso: Holiday Inn Select Jaraguá(*), antigo Hotel Jaraguá. In: Anais do 7o Seminário Docomomo Brasil. Porto Alegre, 2007. Disponível em:
    < http://www.docomomo.org.br/seminario%207%20pdfs/043.pdf >. Acesso em: 15 jan. 2016.

  • BOGÉA, Inês e ROIZENBLIT, Sérgio. Maria Duschenes – O Espaço Do Movimento, com trilha sonora original de André Mehmari (17 min. prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança, patrocínio Petrobrás). São Paulo,  2006. 
  • CANAS, Adriano Tomitão. MASP – museu laboratório: museu e cidade em Pietro Maria Bardi. In: 9º Seminário Docomomo Brasil: interdisciplinaridade e experiências em documentação e preservação do patrimônio recente. Brasília, 2011. Disponível < http://www.docomomo.org.br/seminario%209%20pdfs/130_M24_OR-MASPMuseuLaboratorio-ART_adriano_canas.pdf >. Acesso em: 16 jan. 2016.
  • COSTA, Candida Maria Monteiro Rodrigues. Em busca de Luiz Sérgio Person: um cineasta na contramão 1960 – 1976. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Rio de Janeiro, 2006.
  • Curriculum vitae do artista – Arquivo Herbert Duschenes. Centro Cultural São Paulo, São Paulo,  1993.
  • DAVI, Renata. Jacques Pilon, arquiteto empreendedor. Revista Arquitetura e Urbanismo, n. 176,  nov. 2008. Disponível em: < http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/176/artigo116503-2.aspx >. Acesso em: 15 jan. 2016.
  • FRANCO, Tiago Seneme. A Trajetória de Jacques Pilon no Centro de São Paulo: análise das obras de 1940 a 1947. Dissertação ( Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2009.
  • NORONHA, Marcio Pizarro; RIBEIRO, Luciana Gomes. Da documentação como fonte de estudo histórico-cultural à criação audiovisual no campo da dança: do filme documental à videodança na política cultural para a  dança no Brasil. In: Anais XII Encontro Regional de História da Anpuh. Rio de Janeiro: Anpuh, 2006. Disponível em :< http://www.rj.anpuh.org/resources/rj/Anais/2006/conferencias/Marcio%20Pizarro%20Noronha%20e%20Luciana%20Gomes%20Ribeiro.pdf >. Acesso em: 15 jan. 2016.
  • SILVA, Joana Mello de Carvalho e. O Arquiteto e a Produção da Cidade: a experiência de Jacques Pilon em Perspectiva (1930-1960). Tese (Doutorado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. 
  • WARCHAVCHIK, PILON, RINO LEVI: TRÊS MOMENTOS DA ARQUITETURA PAULISTA. Textos Carlos A. C. Lemos, Luiz Carlos Daher, Maria Cecília Naclério Homem, Ilda Helena Diniz Castello Branco. São Paulo: FUNARTE: O Museu, 1983. 78p, il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • HERBERT Duschenes. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa481923/herbert-duschenes>. Acesso em: 28 de Jun. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7