Artigo da seção pessoas Luis Fernando Verissimo

Luis Fernando Verissimo

Artigo da seção pessoas
Literatura / artes visuais / teatro  
Data de nascimento deLuis Fernando Verissimo: 26-09-1936 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Biografia
Luis Fernando Verissimo (Porto Alegre RS 1936). Cronista, contista, romancista, cartunista, jornalista, poeta. Filho do escritor Erico Verissimo (1905 - 1975), vive dos 7 aos 9 anos, entre 1943 e 1945, nos Estados Unidos, em função do trabalho do pai, frequentando escolas em São Francisco e Los Angeles. Pelo mesmo motivo, a família retorna ao país norte-americano em 1953, desta vez a Washington, onde Luis Fernando completa os estudos na Roosevelt High School e estuda música. De volta a Porto Alegre, em 1956, começa a trabalhar na Editora Globo. Entra para o Zero Hora em 1967, jornal em que tem sua primeira coluna diária desde 1969 - interrompida apenas entre 1970 e 1975, quando transfere a colaboração para a Folha da Manhã. A primeira reunião desses textos, O Popular, é publicada em 1973, pela editora José Olympio. A partir de 1975, colabora também para o Jornal do Brasil. Em 1977, é editado o volume As Cobras e Outros Bichos, primeira reunião em livro de As Cobras, tiras que produz por 20 anos. Um de seus mais famosos personagens, o detetive Ed Mort, surge em Ed Mort e Outras Histórias, de 1979. Já a Velhinha de Taubaté e o Analista de Bagé aparecem na década seguinte, em livro lançados respectivamente em 1981 e 1983 - ambos com sucesso imediato de público. Mantém uma página de humor na revista Veja, de 1982 a 1989, ano em que passa a assinar coluna dominical no jornal O Estado de S. Paulo. Seu segundo romance, Borges e os Orangotangos Eternos, sai em 2000, e seus primeiros poemas, Poesia numa Hora Dessas?, em 2002. Desde 2003, quando opta por reduzir sua colaboração para a imprensa, mantém colunas semanais em O Globo e O Estado de S. Paulo.

Comentário Crítico
Um dos mais populares autores brasileiros, Luis Fernando Verissimo define o escritor como um "gigolô das palavras": deve utilizá-las como lhe convém, sem se importar com os rigores das normas. "Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical de suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel [...]. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção", escreve em uma de suas crônicas.

Esse breve trecho pode ser tomado como uma espécie de programa de seu projeto literário. Mais imediatamente, pela defesa da informalidade na escrita, já que esta obra se fundamenta na linguagem simples e direta, sempre em busca do despojamento. E, ainda, pelo tratamento dado à dimensão metalinguística, pelo efeito humorístico alcançado a partir da comparação e pelo poder de síntese oferecido pela figura do gigolô.

Para Maria da Gloria Bordini, os textos de Verissimo provocam a reflexão e o riso a partir de um efeito de "vertigem": trata-se recorrentemente de um movimento que prepara as expectativas do leitor simplesmente para traí-las. A subversão dos clichês seria, nesse sentido, procedimento exemplar, como no caso da crônica Vivendo e..., em que o narrador conclui: "Na verdade, deve-se revisar aquela frase. É vivendo e desaprendendo".

O mesmo efeito pode ser alcançado pela mescla de tons ou gêneros. Em Ri, Gervásio, por exemplo, a situação é inicialmente cômica: um produtor não consegue dirigir uma claque de humor por sentir a falta de Gervásio, funcionário que havia pedido demissão e cuja risada tornava o conjunto mais contagiante. A razão para que ele tenha deixado o trabalho é inicialmente trágica. O personagem, representante daquela "gente aposentada atrás de um dinheiro extra", está com problemas familiares.

A situação seria apenas típica se não houvesse a amplificação radical do retrato da tragédia. "Gervásio não estava com problemas em casa porque não tinha mais casa. Fora destruída num incêndio, junto com todos os seus bens, inclusive a mãe de 80 anos [...]." Os apelos do produtor para que o protagonista volte ao trabalho tornam-se progressivamente mais desesperados à medida que se somam os traços da desgraça: a morte do genro, cuja família inicia um processo contra a filha de Gervásio; a partida da mulher, com o que sobra de seus pertences; o envolvimento do filho com as drogas. Sendo obrigado a rir, o integrante da claque tem motivos apenas para chorar.

Subversão é o que ocorre também quando o autor atribui tratamento cômico a assuntos geralmente abordados com mais rigor - como a política e a economia. Aos olhos do cronista, por exemplo, um fictício combate entre países da América espanhola jamais seria levado adiante. Isso porque, como se retrata em Guerra, os exércitos entenderiam o aviso de mobilização como ordem para depor o governo local vigente, automaticamente se dirigindo ao palácio para derrubar o presidente. Em uma paródia das ditaduras militares estabelecidas no continente durante o século XX, um coronel diz a seu superior: "Brigar com gente de fora... Não sei. Acho até meio falta de ética, general".

A crítica aos economistas surge de maneira despretensiosa, aliada à reflexão metalinguística. É o que ocorre em O Jargão, crônica que também ilustra uma das obsessões do autor, o falseamento do significado das palavras. Após imaginar-se em seu veleiro, dando ordens para a tripulação recolher a "traquineta [...] Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua", conclui: "Quem garantiria que o meu enfoque diferente [...] não era uma novidade que mereceria estudo, já que ninguém parece mesmo saber o que é o certo?".

Esse deslocamento dos vocábulos - atitude de quem, como um gigolô, os emprega como deseja, atribuindo-lhes novos significados - tem paralelo no modo como Verissimo se apropria da tradição literária. Em uma paródia do bíblico Cântico dos Cânticos, os atributos típicos da amada são substituídos por lugares-comuns da vida moderna. É o que ocorre, por exemplo, à arquetípica doce respiração da mulher: "O teu hálito é como o monóxido de carbono que sobe das ruas, e eis que desfaleço".

Desse efeito vertiginoso, iniciado na leveza e encerrado com o contraponto entre o efeito risível e o sentimento de melancolia, Luis Fernando Verissimo extrai a crítica ao cinismo e à hipocrisia da classe média, ao autoritarismo, à injustiça social e à corrupção da política brasileira.

Outras informações de Luis Fernando Verissimo:

  • Outros nomes
    • Luis Fernando Verissimo
    • Verissimo
    • Luis Fernando Veríssimo
    • Luís Fernando Veríssimo
    • Luiz Fernando Verissimo
    • Luiz Fernando Veríssimo
  • Habilidades
    • Contista
    • Romancista
    • escritor
    • Cartunista
    • Autor
    • jornalista
    • Cronista

Obras de Luis Fernando Verissimo: (2) obras disponíveis:

Espetáculos (22)

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Exposições (2)

Fontes de pesquisa (3)

  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • O Analista de Bagé, o Musical, Tchê! Em Seu Segundo Ano de Sucesso. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • Planilha enviada pelo pesquisador Igor Almeida. Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUIS Fernando Verissimo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa4762/luis-fernando-verissimo>. Acesso em: 25 de Mar. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7