Artigo da seção pessoas Bertha Rosanova

Bertha Rosanova

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento deBertha Rosanova: 31-08-1930 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Santos) | Data de morte 13-10-2008 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Bertha Rozenblat (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro1, 1930 - idem, 2008). Bailarina, professora e ensaiadora. Filha única de Eugenia e Jacob Rozenblat, imigrantes judeus da Polônia que imigram para o Brasil. Fixam residência no Rio de Janeiro e mudam-se para Santos, em São Paulo, logo após o nascimento de Bertha. Em 1938, aos 8 anos de idade, entra para a Escola de Bailados do Theatro Municipal, hoje chamada de Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (EEDMO). Tem aulas com a espanhola Luiza Carbonell (1900-1985) e a russa Maria Olenewa (1896-1965).

Aos 9 anos, estreia na ópera Maria Tudor, do compositor Carlos Gomes (1836-1896), dançando com Américo Pereira (1911-1989). Em 1943, é contratada como bailarina profissional do Corpo de Baile, e Olenewa, então diretora, atribui-lhe o nome artístico Bertha Rosanova. Em 1945, torna-se primeira bailarina do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atual Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (B.T.M.), sendo o bailarino russo Igor Schwezoff (1904-1982) o responsável pelo grupo.

De 1947 a 1949, integra o elenco do Ballet da Juventude, criado por Schwezoff. Retorna ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob direção da franco-russa Tatiana Leskova (1922). Com essa companhia, viaja para Montevidéu em 19532. Trabalha na EEDMO de 1958 a 1986, como professora convidada de técnica clássica. Em 1959, recebe o título de primeira bailarina do Corpo de Baile, por sua interpretação do papel de Odette-Odile em O Lago dos Cisnes (1958). Recebe o prêmio de melhor bailarina, pela Associação dos Críticos Teatrais, em 1948, 1951 e 1959.

Durante os anos 1950, dança em teatro de revista com o colega David Dupré (1928-1973). Viaja com ele à Europa, em 1957, para dançar com a companhia de José Torres e Mariane Ivanova. Em Paris, apresentam Dom Quixote, usando os pseudônimos Ofélia e Ivan. Nesse mesmo ano, Bertha funda a sua própria escola, o Stúdio de Ballet Bertha Rosanova, onde leciona por mais de 40 anos. Atua como professora convidada de técnica clássica na EEDMO, de 1958 a 1986, e, a partir da década de 1960, assume a função de ensaiadora das solistas do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1970, ano em que o Theatro Municipal fecha para reforma, apresenta-se com o CBTMRJ no Chile (Santiago) e na Argentina (Buenos Aires e Córdoba). Em 1981, recebe homenagem do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, promovida por Dalal Achar, diretora da companhia. Em 1983, é agraciada com o Prêmio Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. O Ballet Helfany Peçanha e Jânia Batista homenageiam-na na reabertura do Theatro Municipal de Niterói, em 1985. Em 1993, é nomeada chefe do setor de dança da Secretaria Municipal de Cultura de Teresópolis. Em 2000, recebe novamente o Prêmio Pedro Ernesto da Prefeitura do Rio de Janeiro. Falece em 13 de outubro de 2008.

Análise

D. Bertha, como é conhecida no meio, faz parte do conjunto de artistas responsáveis pelo ensino da dança clássica no Brasil, que não segue apenas os modelos estrangeiros. Faz parte da linhagem do balé acadêmico e vive os primórdios da dança brasileira oficial, promovida na EEDMO e no Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro em meados do século XX. Nessa época, o conceito da(o) bailarina(o) como trabalhadora(o)  reconhecida(o) no país vincula-se apenas ao artista estrangeiro. No Brasil, somente em 1978 essa função é regulamentada, por meio da Lei nº 6.533/78, ou seja, 42 anos após a criação do primeiro corpo de baile público. O vocabulário da dança brasileira, nesse período, é internacional. Desembarcam em território brasileiro dançarinos russos, húngaros, poloneses, tchecos, espanhois e franceses em busca de oportunidades artísticas ligadas ao poder público. Coloniza-se um jeito de dançar, prática assimilada desde a chegada da corte portuguesa em 1808. Bertha, bem como seus colegas, é herdeira desse pensamento. Trata-se da construção, no Brasil, de um modo de operar em dança vinculado à mescla de nacionalidades.

Em 1958, Bertha Rosanova dança, com Aldo Lotufo (1925-2014), o segundo ato de O Lago dos Cisnes, uma remontagem de Eugenia Feodorova (1923-2007), então diretora do CBTMRJ. Pela execução, é empossada como primeira bailarina do Corpo de Baile carioca, em 1959. Com isso, abre as portas aos artistas nacionais, rompendo a lógica do estrangeirismo. Sobre a dança em O Lago dos Cisnes, o crítico carioca Mário Nunes (1886-1968) declara no Jornal do Brasil: “Bertha Rosanova, bailarina perfeita, intemerata diante das maiores dificuldades, maestria nos adágios, a perigosa dança lenta, absoluto domínio muscular e feitio poético transcendente, encontrou em Aldo Lotufo parceiro condigno, brilho e segurança exemplar e, por sua vez, natural elegância3”.

As habilidades técnicas e o profissionalismo de Bertha estão presentes na bailarina, professora e ensaiadora, e seu legado incentiva uma geração de bailarinos. O trabalho desenvolvido por Rosanova tem continuidade por meio de sua filha, Ava Rozenblat (1965), que até hoje revigora o pensamento de Bertha sobre a formação e a arte da dança.

Notas

1 Existem informações conflitantes em relação ao local de nascimento da artista. No site do Studio de Ballet Bertha Rosanova consta como local de nascimento a cidade do Rio de Janeiro e no livro Bertha Rosanova: nossa primeira Odette-Odile de Maribel Portinari, publicado em 2002,  diz que  ela nasceu em Santos, São Paulo.

2 SUCENA (1989, p. 298) diz que o ano da turnê é 1953; já PORTINARI (2002, p. 31), 1954. Optou-se aqui pela informação de Sucena.

3 SUCENA, Eduardo. A dança teatral no Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura: Fundação Nacional de Artes Cênicas, 1989. p. 305.

Outras informações de Bertha Rosanova:

  • Outros nomes
    • Bertha Rozenblat
    • Bertha Rozanova
    • Berta Rosanova
    • Bertha Rosenblat
  • Habilidades
    • ensaiador de dança
    • professora de dança
    • bailarina
  • Relações de Bertha Rosanova com outros artigos da enciclopédia:

Espetáculos (12)

Fontes de pesquisa (7)

  • SUCENA, Eduardo. A Dança Teatral no Brasil. Rio de Janeiro: Fundacen, 1988.
  • FARO, Antonio José; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de balé e dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. p.335 R792.8 F237d
  • Morre bailarina Bertha Rosanova. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2010 Não catalogada
  • PEREIRA, R. A formação do balé brasileiro. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.
  • PORTINARI, Maribel. Bertha Rosanova: nossa primeira Odette-Odile. Rio de Janeiro: Faperj, 2002.
  • ROSAY, M. O Lago dos Cisnes. No Mundo do Ballet. Disponível em: <http://www.studiobertharosanova.com.br/critica.html>. Acesso em: 21 out. 2013.
  • SILVA JUNIOR, P. M. Os grand-jetés que constroem uma história. In: FREITAS, A. L. R. Um sonho feito de cores – Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. Rio de Janeiro: Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, 2008.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • BERTHA Rosanova. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa455550/bertha-rosanova>. Acesso em: 23 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7