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Ricardo Azevedo

Outros Nomes: Ricardo José Duff Azevedo
  • Análise
  • Biografia
    Ricardo José Duff Azevedo (São Paulo SP 1949). Escritor de literatura infantojuvenil, ilustrador, pesquisador e publicitário. Filho de Aroldo de Azevedo - professor da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de livros didáticos. Estuda no colégio alemão Visconde de Porto Seguro, então localizado na Praça Roosevelt, local que se transforma no cenário de alguns de seus livros. Ingressa, em 1970, na Faculdade de Comunicação e Marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), mas no ano seguinte opta pelo curso de comunicação visual da Faculdade de Artes Plásticas. Faz estágio em uma agência de propaganda nos departamentos de redação e de criação. Forma-se em 1974 e passa a trabalhar como redator. Paralelamente trabalha também com ilustrações, direção de arte e projetos visuais. Começa a redigir ainda muito jovem, em 1967, aos 17 anos, escreve Um Autor de Contos para Crianças, publicado em 1982 com o título Um Homem no Sótão. Estreia como autor e ilustrador em 1980, com O Peixe que Podia Cantar. A partir de 1983, dedica-se mais à literatura e à ilustração do que aos trabalhos de publicidade. Desenvolve então pesquisas sobre folclore e contos populares, e retoma os estudos acadêmicos. Ingressa no curso de mestrado no Programa de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que conclui em 1998, com a dissertação Como o Ar Não Tem Cor, se o Céu É Azul? - Vestígios dos Contos Populares na Literatura Infantil. Em 2004, apresenta o trabalho Abençoado e Danado do Samba: Um Estudo sobre as Formas Literárias Populares - O Discurso da Pessoa, das Hierarquias, do Contexto, do Senso Comum e da Folia, recebendo o título de doutor na mesma instituição. Como professor convidado em cursos de especialização em arte-educação e literatura, ministra palestras e escreve artigos abordando questões referentes à formação de leitores e ao uso da literatura de ficção na escola. Autor, na maioria das vezes, dos desenhos de seus próprios livros, Azevedo ilustra também textos de outros autores. Compõe ainda letras de músicas, algumas publicadas em Feito Bala Perdida, juntamente com outros poemas.

    Comentário crítico
    A obra de Ricardo Azevedo é não apenas extensa, mas também muito diversificada. Uma centena de livros destinada principalmente ao público infantojuvenil, em prosa ou em verso, com temas que dizem respeito tanto a questões do mundo que cerca o leitor quanto a sua subjetividade. Sua obra inclui ainda a recriação de narrativas de tradição popular e brincadeiras com palavras.

    O autor trabalha com diferentes estratégias narrativas que se alternam ou se conjugam com elementos do real e do maravilhoso. Os protagonistas são ora animais ou objetos humanizados, ora personagens tradicionais de contos de fadas, ou simplesmente personagens que representam crianças e adultos. Algumas vezes, diferentes textos retomam os mesmos personagens, ampliando ou reduzindo o nível de aprofundamento no tema, como ocorre em Araújo Ama Ofélia e Chega de Saudade, ou em Marinheiro Rasgado, O Rei das Pulgas e Coração Maltrapilho.

    A linguagem que utiliza é direta e concisa, e o vocabulário, coloquial, mas a leitura de seus textos pode ser feita em diversos níveis, encerrando, na maioria das vezes, mais de um significado. A cumplicidade com o leitor se dá tanto pela linguagem como por seu universo cultural, e destina-se a leitores com diferentes graus de fluência de leitura. Pode-se dizer que sua obra literária rompe com o didatismo e a exemplaridade, e evidencia a preocupação, declarada inclusive em entrevistas e artigos do autor, em abordar "assuntos que não são passíveis de lições, mas sim de especulações; assuntos diante dos quais adultos e crianças só podem se sentar e compartilhar impressões".

    De modo geral, as narrativas apresentam uma estrutura linear, mas nem todas são construídas de forma convencional. Em algumas são intercalados artigos de jornal, cartas, anúncios publicitários ou partituras musicais, em outras são introduzidos episódios aparentemente autônomos, sem a mediação do narrador, e em outras ainda varia o foco narrativo, provocando um efeito de estranhamento no leitor. Algumas vezes, o autor insere outras histórias na narrativa, como em Lúcio Vira Bicho, em que contos de encantamento permeiam a narrativa central; ou fragmenta a narrativa através de avanços e recuos temporais, como em Corintiano Careca. Já em Um Homem no Sótão, em que o autor apresenta uma experiência de criação literária e suas dificuldades, a história termina com as primeiras frases do livro que o narrador vai escrever, e que coincidem com as primeiras páginas do livro que se acaba de ler. A inversão da numeração das páginas, decrescente, evidencia que o fim do processo de organização da obra marca o início da sua escritura.

    Os espaços representados nas obras de Azevedo são tanto a casa, a rua ou a escola como as áreas indeterminadas que adquirem uma configuração simbólica. O espaço urbano, embora tenha como referência a cidade de São Paulo, parece ter mais a função de ilustrar um espaço verossímil que traduza os dados culturais dos leitores do que a de representar uma referência geográfica em si.

    Um aspecto que caracteriza grande parte de sua produção é a relativização de diferentes pontos de vista, através da pluralidade de vozes e perspectivas dos personagens, que o autor denomina "dupla existência da verdade". Em Minha Rua Tem um Problema ou nos livros que compõem a Coleção Pontos de Vista, evidencia-se essa estratégia, uma vez que uma mesma situação é narrada por diferentes personagens. Assim, da mesma forma que estimula o leitor a perceber que o olhar varia de acordo com o lugar que cada um ocupa, sugere que a significação de determinado personagem ou situação se dá de forma subjetiva.

    O resgate de narrativas originárias da tradição popular se traduz numa das vertentes de sua obra e revela o rigor da pesquisa a que se dedica desde a década de 1980. Azevedo não apenas reproduz, mas também faz uma releitura de narrativas populares, lendas folclóricas, adivinhas, frases feitas, quadras, receitas culinárias e outras formas de expressão oral que, como ele mesmo declara, devem ser preservadas não só como memória cultural, mas pelo acúmulo de conhecimento que encerram. No Meio da Noite Escura Tem um Pé de Maravilha!, Contos de Enganar a Morte, Meu Livro de Folclore e Armazém do Folclore são alguns exemplos das influências da cultura popular em sua obra.

    Da mesma forma que os textos, as imagens que os acompanham também se apresentam de forma diversa, em função da variedade da produção ficcional de Azevedo. Autor das ilustrações da maioria de seus livros, procura a complementariedade das linguagens visual e verbal, de modo que a ilustração não se limite ao texto, mas amplie seu universo de significação. Essa preocupação é relativizada, naturalmente, de acordo com a faixa etária a que se destina o livro; e mesmo naqueles destinados a crianças recém-alfabetizadas, que precisam de ilustrações que as ajudem a compreender o texto, observa-se a presença de elementos não referidos na narrativa que estimulam a imaginação do leitor. Os traços são próximos do desenho infantil, com imagens geralmente coloridas em tons fortes. Em alguns livros em que faz a releitura de textos de tradição popular, cria desenhos a nanquim que se aproximam das xilogravuras populares e remetem à ilustração da literatura de cordel.

Primeiras edições


Obras publicadas - primeiras edições

Infantil e juvenil
O Peixe que Sabia Cantar - 1980
Araújo Ama Ophélia - 1981
Um Homem no Sótão - 1982
Meu Nome É Joca - 1985
A Tartaruga Carlotinha - 1985
O Gato Andrade - 1985
O Sapo sem Nome - 1985
Chega de Saudade - 1985
Estão Batendo na Porta - 1986
De como Enganei o Sol - 1986
Gaspar, Eu Caio! - 1986
O Macaco e a Velha - 1986
Monstrengos de Nossa Terra - 1986
Alguma Coisa - 1988
Marinheiro Rasgado - 1988
A Viagem Assombrosa de João de Calais - 1988
A Vida e a Outra Vida de Roberto do Diabo - 1988
A Moça de Bambuluá - 1989
Maria Gomes - 1990
Zé Rubão - 1990
O Rei das Pulgas - 1990
Lições de Casa - 1992
Se Eu Fosse um Tomate - 1992
Do Outro Lado da Parede - 1992
Coração Maltrapilho - 1992
Nossa Rua Tem um Problema - 1993
O Moço, o Gigante e a Moça - 1994
Menino de Olho Vivo - 1994
Menino de Nariz Esperto - 1994
Menino de Orelha em Pé - 1994
Aviãozinho de Papel - 1994
Menino de Língua de Fora - 1995
Menino Meio Arrepiado - 1995
Menino Sentindo Mil Coisas - 1995
A História de João Forçudo - 1995
Pedro, João e José - 1995
O Leão da Noite Estrelada - 1995
Três Lados da Mesma Moeda - 1996
A Outra Enciclopédia Canina - 1997
A Linha do Horizonte - 1997
Uma Velhinha de Óculos, Chinelos e Vestido Azul de Bolinhas Brancas - 1998
O Leão Adamastor - 1998
Pobre Corinthiano Careca - 1998
Lúcio Vira Bicho - 1998
Meu Nome É Cachorro - 1999
Meu Nome É Gato - 1999
Meu Nome É Tartaruga - 1999
Meu Nome É Sapo - 1999
Meu Nome É Teca - 1999
Meu Nome É Akira - 1999
Você Diz que Sabe Muito, Borboleta Sabe Mais! - 1999
Você Me Chamou de Feio, Sou Feio mas Sou Dengoso! - 1999
Entrei num Raio de Sol, Saí num Raio de Lua! - 1999
Não Tenho Medo de Homem, nem do Ronco que Ele Tem! - 1999
O Livro dos Sentidos - 2000
Zé Pedro Comeu Pimenta, Pensando que Não Ardia! - 2000
Joguei um Lenço Pra Cima, Caiu na Ponta da Lua! - 2000
Papagaio Come Milho, Periquito Leva a Fama! - 2000
Vou-Me Embora desta Terra, É Mentira Eu Não Vou Não! - 2000
O Sábio ao Contrário - 2001
Trezentos Parafusos a Menos - 2002
Se Eu Fosse Aquilo - 2002
O Peixe que Podia Cantar - 2006
A Hora do Cachorro Louco - 2006
Chega de Saudade - 2006
Araújo & Ophélia  - 2006
O Livro dos Pontos de Vista - 2006
O Livro das Palavras - 2007 - ilustrado por Mariana Massarani
Você Diz que Sabe Muito, Borboleta Sabe Mais! - 2007 - ilustrado por Mariana Massarani Você me Chamou de Feio, Sou Feio Mas Sou Dengoso! - 2007 - ilustrado por Eva Furnari
Papagaio Come Milho, Periquito Leva a Fama! - 2008 - Iustrado por Alcy Linares
Vou-me Embora Dessa Terra, É Mentira Eu Não Vou Não! - 2008


Poesia
Águas Perigosas - 1985
Aquilo - 1985
Viagem Estrelada - 1985
A Casa do Meu Avô - 1986
Ricardo José Duff Azevedo Disparate - 1987
Fui pro Mar Colher Laranja - 1986
Moça Formosa, Pai Carrancudo - 1986
Amar enquanto Há Mar - 1990
Às Vezes Me Sinto sem Cinto - 1990
Parte sempre a Mesma Parte - 1990
Poema Avulso - 1990
Viagem de Vidro - 1991
Ela Nada no Nada, Eu Invento no Vento - 1993
Brincando de Adivinhar - 1996
19 Poemas Desengonçados - 1998
Meu Material Escolar - 2000
Poemas com Sol e Som - 2000
O Livro de Papel - 2001
Como Tudo Começou - 2001
Um Poema Puxa o Outro (com José Paulo Paes, Marcelo R. L. Oliveira e Ricardo da Cunha Lima) - 2002
Não Existe Dor Gostosa - 2003
Abre a Boca e Fecha os Olhos - 2005
Ninguém Sabe o que É um Poema - 2005
Aula de Carnaval e Outros Poemas - 2006
Feito Bala Perdida e Outros Poemas - 2008

Cultura Popular
Brincando de Adivinhar - 1996
Histórias Folclóricas de Medo e de Quebranto - 1996
Meu Livro de Folclore - 1997
Armazém do Folclore - 2000
Histórias de Bobos, Bocós, Burraldos e Paspalhões - 2001
Bazar do Folclore - 2001
No Meio da Noite Escura Tem um Pé de Maravilha - 2002
Histórias que o Povo Conta - 2002
Contos de Enganar a Morte - 2003
Cultura da Terra - 2004
Contos de Bichos do Mato - 2005
Contos de Espanto e Alumbramento - 2005
Contos de Adivinhação - 2008
Cultura da Terra - 2008

Traduções e edições estrangeiras

Traduções e edições estrangeiras

Alemão
Pedro Träumt Vom Grossen Spiel [Pobre Corinthiano Careca]. Tradução Nicolai von Schweder Scheiner. Berlim: Elefanten Press-, 1997.

Espanhol
Nuestra Calle Tiene un Problema [Nossa Rua Tem um Problema]. Tradução Angeles Guevara. México: Livros de Rincón, 1992.

Holandês
Maffe Kleine Voetbalgek [Pobre Corinthiano Careca]. Tradução Lurdes Meyer. Amsterdam/Novib's-Gravenhage: Koninklijk Instituut voor Tropen, 2000.

Portugal
Araújo Ama Ophélia. Adaptação Antonio Avelar de Pinho. Lisboa: Melhoramentos Portugal, 1991.
A Casa do Meu Avô. Adaptação de Isabel Lamas. Lisboa: Melhoramentos Portugal, 1991.

Espetáculo