Artigo da seção pessoas Anselmo Duarte

Anselmo Duarte

Artigo da seção pessoas
Cinema  
Data de nascimento deAnselmo Duarte: 21-04-1920 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Salto) | Data de morte 07-11-2009 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Anselmo Duarte Bento (Salto, São Paulo, 1920 - São Paulo, São Paulo, 2009). Diretor de cinema, ator e roteirista. Vive em sua cidade natal até os 14 anos, quando muda-se para São Paulo e passa a trabalhar como datilógrafo em um escritório de contabilidade. No início da década de 1940, após se formar em Economia, vai para o Rio de Janeiro, onde participa como figurante em It's all true, do cineasta Orson Welles (1915-1985) e Inconfidência Mineira, de Carmem Santos (1904-1952), pela Brasil Vita Filmes. Em seguida, faz algumas participações em radionovelas e trabalha como redator e repórter, na revista Observatório Econômico e Financeiro, órgão semioficial do governo Getúlio Vargas, dirigida por Valetim Fernandes Bouças (1861-1964).

Em 1947, estreia como ator principal no filme Querida Suzana, dirigido pelo italiano Alberto Pieralisi (1911-2001). No mesmo ano, participa de Pinguinho de Gente, de Gilda Abreu (1904-1979) e, na Argentina, de No me Digas Adiós, do argentino Moglia Barth (1903-1984). De volta ao Brasil, em 1948, é contratado pela Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil, atuando em Terra Violenta, do americano Edmond Bernoudy (1901-1978); Caçula do Barulho, do italiano Ricardo Freda (1909-1999); A Sombra da Outra, Carnaval no Fogo e Aviso aos Navegantes, três filmes de Watson Macedo (1918-1981); e Maior que o ódio, de José Carlos Burle (1907-1983). Em São Paulo, pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, protagoniza Tico-tico no fubá, do italiano Adolfo Celi (1922-1986); Sinhá Moça, do argentino Tom Payne (1914-1996); Apassionata, do português Fernando de Barros (1915-2002); e Veneno, do italiano Gianni Pons (1909-1975).

Após a falência da Vera Cruz, em 1954, retorna ao Rio de Janeiro e associa-se a Watson Macedo para produzir filmes populares, nos estúdios da Brasil Vita Filmes. A convite de Tom Payne, em 1957, volta a São Paulo para protagonizar Arara Vermelha, e em seguida inicia sua carreira como diretor, com a realização do documentário de curta-metragem Fazendo Cinema e do longa-metragem Absolutamente Certo. Parte para a Europa, onde participa de algumas produções em Portugal, França e Espanha.

De volta ao Brasil, em 1961, decide comprar os direitos da peça O Pagador de Promessas,do dramaturgo Dias Gomes (1922-1999), para adaptá-la ao cinema, com a co-produção de Osvaldo Massaini. Em 1962, o filme é selecionado para representar o Brasil no XV Festival Internacional do Filme, em Cannes, onde ganha a Palma de Ouro. No mesmo ano, é premiado em mais de dez festivais no Brasil e no exterior, e motiva intensos debates no meio cinematográfico.

Em 1965, realiza o longa-metragem Vereda da Salvação, uma adaptação da peça de Jorge Andrade (1922-1984). Dois anos depois, atua em O Caso dos Irmãos Naves, de Luiz Sérgio Person (1936-1976). A volta como diretor se dá com Quelé do Pajeú (1969), que seria filmado por Lima Barreto (1906-1982), mas este adoece no início das filmagens. Na década de 1970 dirige Um Certo Capitão Rodrigo, adaptação do romance homônimo de Érico Veríssimo (1905-1975) e do melodrama policial O Descarte. De 1973 a 1975, investe em comédias eróticas do gênero conhecido como pornochanchada, com a realização do episódio Oh! Dúvida cruel, do filme Já não se faz amor como antigamente e de Marido que volta deve avisar, episódio de Ninguém segura essas Mulheres.

Em 1977, dirige O Crime do Zé Bigorna, baseado em um Caso Especial, programa televisivo, escrito por Lauro Cézar Muniz (1938). Realiza seu último trabalho de direção em 1979, com Os trombadinhas, estrelado por Pelé (1940). Como ator, participa de Tensão no Rio (1984), de Gustavo Dahl (1938-2011) e Brasa adormecida (1986), de Djalma Limongi Batista (1950).

Comentário Crítico
Anselmo Duarte, tanto por sua carreira de diretor, quanto de ator, ocupa um importante lugar na história do cinema brasileiro. Sua trajetória profissional envolve algumas polêmicas, sobretudo após a conquista da Palma de Ouro, quando ocorre uma intensa discussão sobre o significado da conquista do prêmio para os rumos do cinema brasileiro e para a sua própria carreira, muito marcada pelo estereótipo de galã.

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Outras informações de Anselmo Duarte:

  • Outros nomes
    • Anselmo Duarte Bento
  • Habilidades
    • ator
    • diretor de cinema

Obras de Anselmo Duarte: (2) obras disponíveis:

Fontes de pesquisa (18)

  • MERTEN, Luiz Carlos. Anselmo Duarte: o homem da palma de ouro. São Paulo: Imprensa Oficial, 2004. (Coleção Aplauso)
  • XAVIER, Ismail. Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome. São Paulo: Editora Brasiliense. 1983.
  • BERNARDET, Jean Claude. Trajetória Crítica. São Paulo: Polis, 1978. pp. 59 a 63.
  • CINEMATECA BRASILEIRA. Arquivo pessoal de Anselmo Duarte.
  • DUARTE, B.J. Revista Anhembi, n° 140, 1962. In: Estudos de Cinema, Editora Annablume, 1998.
  • FONSECA, Carlos. " As Raízes do Êxito". Rio de Janeiro: Revista Filme & Cultura, nº 13 - 23, 2010. p. 8-9.
  • GOMES, Dias. O pagador de promessas. 46 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.
  • GOMES, Paulo Emílio Salles. Crítica no Suplemento Literário do Estado de S. Paulo. Volumes I e II. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
  • GOMES, Paulo Emílio Salles. Do circo de Salto a Cannes. In: Visão, 13 abr. 1962, p. 56-57.
  • GOMES, Paulo Emílio Salles. Uma glória que obriga a pensar. In: Visão, 22 jun. 1962, p. 20-23.
  • LUZ, Celina. "As Veredas da Promissão". Rio de Janeiro: Revista Filme & Cultura, nº 13 - 23, 2010. p.10-19.
  • NOVAES, Cláudio. Cinema sertanejo: o sertão no olho do dragão. Feira de Santana, 2007.
  • RAMOS, Fernão (org).  História do cinema brasileiro.  São Paulo: Art Editora, 1987.
  • RAMOS, Fernão e MIRANDA, Luiz Felipe (orgs.)Enciclopédia do Cinema Brasileiro. São Paulo: Editora Senac, 2000. p.201 R791.430981 E56 ex.2
  • RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luis Felipe. Enciclopédia de cinema brasileiro. São Paulo: Editora SENAC, 2ª Edição, 2004.
  • ROCHA, Glauber. Glauber Rocha: Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. p. 165.
  • SADOUL, Georges.  História do cinema mundial. Tradução de Sônia Salles Gomes. Volume 2.  São Paulo: Martins, 1963.
  • SINGH JR., Oséas. Adeus Cinema: Vida e Obra de Anselmo Duarte. São Paulo: Masao Ohno Editor, 1993.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANSELMO Duarte. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa451695/anselmo-duarte>. Acesso em: 28 de Jun. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7