Artigo da seção pessoas Icaro de Castro Mello

Icaro de Castro Mello

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deIcaro de Castro Mello: 22-10-1913 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Vicente) | Data de morte 08-10-1986 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Icaro de Castro Mello (São Vicente SP 1913 - São Paulo SP 1986). Arquiteto e urbanista. Ingressa na Faculdade de Engenharia do Instituto Mackenzie, São Paulo, em 1931. Dois anos depois se transfere para a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli/USP, e forma-se em 1935. Entre 1930 e 1945 divide-se entre a carreira de engenheiro-arquiteto e a de atleta. Recordista sul-americano de salto em altura e salto com vara, participa da equipe brasileira de atletismo nas Olimpíadas de Berlim, em 1936. Nesse ano abre seu escritório de arquitetura e uma pequena construtora, que viabiliza seus primeiros projetos e obras. Concomitantemente às atividades do escritório, entre 1946 e 1955 e 1964 e 1966 trabalha como arquiteto do Departamento de Educação Física e Esportes - D.E.F.E. - do governo de São Paulo, e elabora as normas técnico-construtivas e de dimensionamento para as instalações esportivas do Estado. O vínculo entre arquitetura e esporte se mantém no trabalho de seu escritório, cuja produção se volta para edifícios e conjuntos esportivos, dos quais se destacam o Ginásio de Sorocaba, 1950, menção especial na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, 1951, o Ginásio do Ibirapuera, 1952/1957, a Piscina da Água Branca, 1948, e o Sesc Itaquera, 1984/1992. É professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, entre 1950 e 1956. Participa ativamente dos órgãos de classe e da regulamentação do exercício profissional da categoria, da fundação do Departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB/SP, da presidência do departamento, entre 1956 e 1961, e do instituto, 1960 a 1966, da criação da Associação Profissional dos Arquitetos - APA, da direção da Federação Panamericana de Associações de Arquitetos, 1975/1978,  e da União Internacional dos Arquitetos - UIA, 1970. Em 1958 recebe o título de membro do Instituto Americano de Arquitetos - AIA, e, em 1986, o Prêmio Vilanova Artigas.

Comentário Crítico
Icaro de Castro Mello ocupa uma posição singular na história da arquitetura moderna brasileira por ser um dos raros exemplos de arquitetos que se concentram numa temática específica. Autor de uma centena de edifícios esportivos no Brasil e na América Latina, Castro Mello desenvolve, como atleta, uma sensibilidade aguda para reconhecer os problemas levantados para a arquitetura pela prática esportiva, e como profissional formado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Poli/USP, um raciocínio construtivo que define a estrutura como a forma plástica de suas obras.

Isolados ou integrados a conjuntos desportivos e de lazer, os ginásios, estádios e piscinas são o seu principal campo de experimentação. O mais famoso projeto do arquiteto é sem dúvida o da Piscina Coberta da Água Branca, 1948, em São Paulo, segundo o historiador Yves Bruand "uma obra-prima de funcionalidade". Composta de arcos de concreto pré-moldados parabólicos que dão forma a uma abóboda contínua de seção variável, a estrutura define o edifício e resolve o seu programa, criando espaços internos ricos e um volume externo plasticamente expressivo.

Menção especial na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, 1951, o Ginásio de Sorocaba, de 1950, faz parte de uma série de ginásios de médio porte, construídos em outras cidades do Estado de São Paulo, como Santos, em 1948 e Campinas, em 1954, e também Porto Alegre, em 1954, no qual se percebe ainda a influência da "escola carioca". A volumetria movimentada por arcos, prismas e pilares é também resultado de um sistema estrutural engenhoso que associa arcos de madeira contraplacada, pilares e pórticos de concreto para atender perfeitamente às necessidades do programa. Esse sistema estrutural é retomado com variações no ginásio do Jockey Clube de Uberaba, 1953, cuja proposta é anterior ao celebrado Ginásio de Roma, 1960, de Pier Luigi Nervi (1891 - 1979) e Annibale Vitellozzi (1906 -19--), engenheiros arquitetos com quem Castro Mello sem dúvida dialoga.

Outro projeto bastante conhecido é o do Ginásio do Ibirapuera, de 1952/1957, construído por ocasião das comemorações do IV Centenário da Fundação de São Paulo, em 1954. Mais uma vez o projeto é definido pela estrutura, por pórticos de concreto que configuram as arquibancadas, circulação e dependências de apoio. Essa mesma solução estrutural é adotada nos ginásios de Fortaleza, 1964/1971, Recife, 1969/1970, e Brasília, 1970/1973, com a diferença de que, nesses projetos, os pórticos de concreto, as arquibancadas e as circulações de concreto aparente assumem externamente uma expressividade marcante, que no caso do Ibirapuera é resolvida com o cruzamento entre as peças verticais dos pórticos com os brise-soleils horizontais que circundam e dão unidade ao edifício.

Nos projetos para estádios de futebol é igualmente notável a diversidade de soluções arquitetônicas desenvolvidas por Castro Mello. De modo geral, entretanto, como nos projetos dos ginásios, ele retira das questões técnicas e funcionais sua inspiração estético-formal. No Estádio Olímpico da Universidade de São  Paulo - USP, 1961/1976, o arquiteto retoma a solução em anfiteatro, já testada no estádio da Estrada de Ferro Noroeste Paulista, de 1952, adotando na estrutura principal pilares de concreto de seção variável. O projeto do Estádio de Rio Claro, 1967 (não construído), merece destaque pela solução das arquibancadas em blocos independentes que visa à construção do edifício em etapas - partido que é retomado no Estádio de Brasília, 1972. No Estádio do Corinthians, 1980 (não construído), a solução anelar já testada no Estádio do Guarani, 1948, desenvolvido com Oswaldo Corrêa Gonçalves (1917 - 2005), e no Clube Atlético Mineiro, 1949, é retomada em escala monumental. Nesses projetos, como nos anteriores, é perceptível a preocupação em vencer grandes vãos, o amplo emprego do concreto, a valorização do perfil das estruturas e a relação entre forma arquitetônica e esforços estruturais, características que o aproximam da "escola paulista".

Castro Mello se dedica também a projetos residenciais, comerciais, industriais, educacionais e institucionais, e merecem destaque a Usina Hidroelétrica de Salto Grande, 1957, o Escritório da Indústria Química Alba S.A., 1958 em Cubatão, o Fórum de Leme, 1959, e o Grupo Escolar de São Bernardo do Campo, 1961, todos localizados no Estado de São Paulo. A diversidade e o porte das obras desenvolvidas por Castro Mello entre 1950 e 1980 revelam a pujança econômica do Brasil e o investimento do Estado nos setores de transporte, energia, indústria e equipamentos sociais de grande porte, para os quais os arquitetos modernos colaboram de maneira decisiva.

Outras informações de Icaro de Castro Mello:

  • Habilidades
    • Arquiteto
    • Arquiteto-urbanista

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (6)

  • BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. Tradução Ana M. Goldberger. São Paulo: Perspectiva, 1981.
  • INSTITUTO de Arquitetos do Brasil - Departamento de São Paulo. Disponível em: [http://www.iabsp.org.br/diretorias_anteriores.asp?classifica=0]. Acesso em:  6 out. 2006.
  • INSTITUTO de Arquitetos do Brasil. Disponível em: [http://www.iab.org.br/presidentes.asp]. Acesso em: 6 out. 2006.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SILVA, Joana Mello de Carvalho e (Org.). Icaro de Castro Mello: principais projetos. São Paulo: J. J. Carol Editora, 2005. 78 p., il p&b.
  • XAVIER, Alberto. Icaro de Castro Mello: nas arenas da profissão. São Paulo. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, v. 16, n. 98, pp. 89-97, out./ nov. 2001.

Como citar?

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  • ICARO de Castro Mello. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa445855/icaro-de-castro-mello>. Acesso em: 18 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7