Artigo da seção pessoas Carlos Fayet

Carlos Fayet

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deCarlos Fayet: 06-06-1930 Local de nascimento: (Brasil / Espírito Santo / Domingos Martins) | Data de morte 19-03-2007 Local de morte: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Biografia
Carlos Maximiliano Fayet (Paraju ES 1930 - Porto Alegre RS 2007). Arquiteto, urbanista, professor. Conclui, em 1948, o curso de pintura na Escola de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, onde também faz os cursos de arquitetura, em 1953, e urbanismo, em 1955. Retorna à instituição em 1954 como assistente da cadeira de urbanismo e torna-se titular da cadeira grandes composições do curso de arquitetura, catedrático da cadeira de teoria e prática dos planos de cidades do curso de urbanismo; e responsável pelas cadeiras de arquitetura analítica, geometria descritiva e perspectiva e sombras na Escola de Artes. E atua intensamente no Seminário de Reforma de Ensino da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, em 1967.

No escritório, alterna projetos individuais e em parcerias, como o que desenvolve com o arquiteto Luiz Fernando Corona e vence o concurso público nacional de anteprojetos para o Palácio de Justiça de Porto Alegre, em 1953; e com Cláudio Luís Araújo, Moacyr Moojen Marques e Miguel Alves Pereira, com quem desenvolve o projeto da Refinaria Alberto Pasqualini, 1961, em Canoas, primeira instalação dessa natureza e desse porte da Petrobras no Rio Grande do Sul. Ao lado de Araújo, Carlos Eduardo Dias Comas e José Américo Gaudenzi, projeta a Central de Abastecimento - Ceasa de Porto Alegre, 1970/1974, cuja estrutura é calculada pelo engenheiro uruguaio Eladio Dieste. Essa obra sela a colaboração entre Fayet, Dieste e Araújo, com quem funda, em 1978, o escritório Equipe de Arquitetos, uma associação flexível que mantém a independência dos arquitetos que desenvolvem projetos em dupla ou individuais. O escritório atua basicamente no Rio Grande do Sul, com incursões em Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo, onde realiza o projeto Parque Ecológico da Guarapiranga, 1991, primeiro colocado no concurso público organizado pela Fundação Florestal e Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB.

Paralelamente às atividades docentes e do escritório, Fayet contribui intensamente para o desenvolvimento da profissão, participa do 1º Inquérito Nacional de Arquitetura, realizado pelo Jornal do Brasil, em 1962, além de congressos, seminários e instituições de classe. É diretor do Departamento de Urbanismo de Porto Alegre entre 1958 e 1959, chefe do Departamento de Planejamento de Porto Alegre de 1959 a 1963, vice-presidente do Departamento Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil - DN/IAB, 1966-1967, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Crea/RS no biênio 1976-1977, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Confea, entre 1981 e 1985; presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento, entre 1980 e 1982, e da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura - Asbea, de 1984 a 1989.

Comentário crítico
Representante da terceira geração de arquitetos modernos no Brasil, Carlos Fayet radica-se em Porto Alegre, onde estabelece intercâmbios com países vizinhos do Cone Sul, como o Uruguai, que asseguram uma linguagem própria à sua obra construída.

No ano em que se forma em arquitetura, em 1953, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, ganha o concurso público nacional para o Palácio de Justiça de Porto Alegre. Realizado em parceria com Luiz Fernando Corona, o projeto, marcado pelo uso de pilotis e panos corridos de vidro, introduz em Porto Alegre a linguagem da chamada "escola carioca", revelando que sua arquitetura é inicialmente devedora dessa produção. Em 1961, no entanto, quando realiza com os escritórios liderados por Cláudio Luís Araújo, Moacyr Moojen Marques e Miguel Alves Pereira o plano diretor das áreas administrativas e os projetos dos edifícios da Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, Rio Grande do Sul, a proposta já traz as características que marcam a arquitetura moderna gaúcha, tais como a inédita preocupação paisagística, que os leva a preservar os bosques e a antiga sede da fazenda original e a prever o plantio de novas árvores no entorno da refinaria bem como o emprego pioneiro de pré-moldados nos galpões de manutenção.

Nos anos do regime militar, Fayet participa de inúmeros projetos de grande porte em todo o Brasil, entre os quais se destacam o Terminal Rodoaquaviário, 1978, realizado em Vitória em parceria com o arquiteto uruguaio Nelson Inda, e a Central de Abastecimento - Ceasa, 1970/1974, em Porto Alegre, considerado pelo historiador da arquitetura Hugo Segawa1  o melhor do gênero em todo o país. De fato, a solução desenvolvida por Fayet em parceria com os arquitetos Araújo, Carlos Eduardo Dias Comas e José Américo Gaudenzi é adotada pelo Ministério da Agricultura na Ceasa de Maceió e do Rio de Janeiro. Situado no entroncamento entre as principais rodovias de Porto Alegre, o projeto se destaca pelo sistema de cobertura, formado por abóbadas de tijolo armado de dupla curvatura, que vencem o vão livre de 25,4 metros do Pavilhão dos Produtores e abóbadas autoportantes, que vencem os 20 metros de vão livre do Pavilhão dos Comerciantes. O sistema é elaborado com a participação decisiva do engenheiro uruguaio Eladio Dieste, com quem Fayet e Araújo iniciam uma profícua colaboração. Dessa colaboração também fazem parte as Indústrias Menphis, 1976, construídas em Porto Alegre, com o emprego de concreto armado e lajes de tijolo armado que configuram uma cobertura em forma de tronco de pirâmide. O módulo de 10 x 10 metros adotado para a estrutura permite variações de altura e expansão horizontal, garantindo o isolamento térmico e a iluminação natural adequados. Ao lado de Araújo, projeta ainda vários edifícios residenciais e públicos, de escritórios e indústrias, como a Tramontina Forjasul, 1986/1993, em que o conforto ambiental das duas unidades industriais é garantido por um sistema de aberturas laterais e pátios internos ajardinados, que fornecem ventilação e iluminação natural.

Fayet atua na área de planejamento urbano em cidades gaúchas como Taquara, 1970, Caxias do Sul, 1970, Esteio, 1971, São Gabriel, 1972 e a catarinense Criciúma, 1972, e é autor do plano diretor do Delta do Jacuí, 1958, no Rio Grande do Sul. Além disso, dá consultorias para o planejamento de Florianópolis, 1976-1977, e desenvolve o plano regulador de uso do solo do litoral do Rio Grande do Sul, em 1982. O principal projeto do arquiteto nos anos 1990 é a reciclagem da área da gaúcha Estação Ferroviária de Carlos Barbosa, 1991/1994, desenvolvido em parceria com o arquiteto Sérgio Marques. A extensa área do entorno da desativada estação ferroviária é pensada como local para promoção de grandes eventos do município, bem como espaço de uso cotidiano e de lazer para a população. Para tanto propõe a implantação de novos equipamentos de natureza cultural, esportiva e social, construídos ao longo do tempo, de acordo com os recursos disponíveis.

 

Nota
1
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil (1900-1990). São Paulo: Edusp, 1998, 224p., il.p&b., p. 173.

Outras informações de Carlos Fayet:

  • Outros nomes
    • Carlos Maximiliano Fayet
  • Habilidades
    • Arquiteto
    • Urbanista
    • professor universitário

Fontes de pesquisa (3)

  • Grandes Escritórios - Fayet & Araújo. Projeto, São Paulo, n. 171, pp. I-1-I-8, jan./fev. 1994.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • V.V.A.A., Arquitetura Brasileira Após Brasília/ Depoimentos - Carlos M. Fayet, F. Assis Reis, Marcello Fragelli, Ruy Othake (V.III), Instituto de Arquitetos do Brasil, Depto. do Rio de Janeiro, Comissão de Estudos de Arquitetura. Edição do IAB RJ, 1978, 316p. il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS Fayet. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa443489/carlos-fayet>. Acesso em: 11 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7