Artigo da seção pessoas Araripe Júnior

Araripe Júnior

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deAraripe Júnior: 1848 | Data de morte 1911

Biografia

Tristão de Alencar Araripe Júnior ( Fortaleza, Ceará, 1848 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1911). Crítico literário, contista e romancista. Integrante de uma tradicional família cearense, durante a infância viaja pelo Brasil, residindo em estados como Pará e Espírito Santo, acompanhando seu pai, que exerce o cargo de chefe de polícia. O cerne de sua formação intelectual se dá em Recife, onde estuda Direito. Formado em 1869, muda-se para Santa Catarina, exercendo o cargo de secretário do governo. Em 1871 retorna ao Ceará, onde atua como juiz até 1875. Em 1880 muda-se para o Rio de Janeiro, onde exerce diversos cargos públicos até o fim da vida. Inicialmente dedica-se à ficção, publicando seu primeiro livro, Contos Brasileiros, em 1868, com o pseudônimo de Oscar Jagoanhara. Embora publique diversas obras ficcionais durante a vida, como Jacina (1875) e Miss Kate (1909), as contribuições mais significativas de Araripe Jr. para a literatura se dão no exercício da crítica, na qual se lança em 1869 com Cartas sobre a Literatura brasileira. A partir de então, seguem-se diversos estudos importantes, como José de Alencar (1882) - primo legítimo e maior influência de Araripe - e Gregório de Matos (1893). Juntamente com Sílvio Romero (1851-1914) e José Veríssimo (1857-1916), forma a tríade de críticos mais importantes do final do século XIX brasileiro. À obra de Romero, com quem trava diversas polêmicas, dedica uma série de estudos.

Análise

Araripe Jr. integra, com Silvio Romero e José Veríssimo, a chamada "geração de 1870", década central na história intelectual brasileira, marcada pelo determinismo, doutrina que, no âmbito da crítica literária, leva em conta elementos como meio e raça para a interpretação das obras.  

Além do determinismo, o nacionalismo baliza a crítica de Araripe Jr. e de sua geração. As origens de tal nacionalismo articulam-se à recente independência do Brasil (1822): a partir do momento em que o país deixa de ser colônia, inicia-se a busca por elementos que diferenciem a nova nação da ex-metrópole. Nesse sentido, a literatura e a crítica procuram por temas e linguagens que congreguem elementos tipicamente brasileiros.

Na obra literária de Araripe, sobretudo em Contos Brasileiros (1868), percebe-se a força dos elementos nativistas: trata-se de crônicas indianistas e sertanejas cuja linguagem é bastante similar a de José de Alencar (1829-1877). Alencar é uma das principais influências de Araripe: a ele o crítico dedicou um de seus mais importantes estudos, José de Alencar (1822). Nesta obra, em que Araripe imbrica biografia e comentário crítico, percebe-se a forte influência do método determinista de interpretação, sobretudo pela utilização, por parte do crítico, de metáforas biológicas para caracterizar as obras de Alencar. Atento a isso, o crítico Alfredo Bosi (1936) destaca o "estilo genético de pensar" de Araripe.

Tal "estilo genético" pode ser percebido também nos estudos do crítico sobre a literatura naturalista. Em Raul Pompéia (1888), ele articula o "estilismo agudo" de Pompéia a seu "estado de alma em que a auto-análise febril e a irritação dos nervos impedem uma forma clara de comunicação". Apesar da influência do determinismo em sua crítica, Araripe confere em suas interpretações maior importância ao fator meio, em detrimento da raça. Dessa maneira, afasta-se de Silvio Romero e de certa tendência para o racismo.

Outras informações de Araripe Júnior:

  • Outros nomes
    • Tristão de Alencar Araripe Júnior
    • Oscar Jagoanhara
    • Araripe Jr.
  • Habilidades
    • crítico literário
    • contista
    • romancista

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ARARIPE Júnior. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa4416/araripe-junior>. Acesso em: 20 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7