Artigo da seção pessoas Elba Ramalho

Elba Ramalho

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deElba Ramalho: 17-08-1951 Local de nascimento: (Brasil / Paraíba / Piancó)

Elba Maria Nunes Ramalho (Conceição, Paraíba, 1951). Cantora, compositora, multi-instrumentista e atriz. Entre as intérpretes da Música Popular Brasileira (MPB), destaca-se por gravar ritmos nordestinos associados ao forró, como xote e baião. É uma das principais divulgadoras da cultura do Nordeste e seu sucesso comercial contribui para a popularização desses estilos musicais.

É influenciada por artistas nordestinos importantes como Luiz Gonzaga (1912-1989) e Jackson do Pandeiro (1919-1982). Sua voz dá visibilidade a compositores contemporâneos como Geraldo Azevedo (1945), Zé Ramalho (1949) e Dominguinhos (1941-2013), compositor de quem grava mais de trinta canções.

Aos 14 anos, no Colégio da Prata, em Campina Grande, na Paraíba, participa dos Corais Falados Manuel Bandeira, projeto que mistura música, teatro e dança. Em 1966, encena poesias de autores como Ascenso Ferreira (1895-1965), Carlos Pena Filho (1929-1960) e Castro Alves (1847-1871). No mesmo ano, toca guitarra e bateria na banda de jovem guarda As Brasas. No ano seguinte, muda-se para João Pessoa com a irmã. Na capital paraibana, conhece a banda Os Quatro Loucos, da qual participa seu primo Zé Ramalho. Forma as Golden Girls, uma banda somente de mulheres. Em 1968, atua em Morte e Vida Severina, montagem teatral baseada no livro de João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

Volta à Campina Grande, em 1969. Em 1972, vence o Festival Campinense de Música Popular Brasileira com a canção “Ou Coisa Parecida”, parceria dela com Zezé Duarte. Em 1974, participa como atriz e cantora no show A Feira, do grupo pernambucano Quinteto Violado. O espetáculo é apresentado no Rio de Janeiro, para onde a artista se muda. Em 1977, atua no longa-metragem Morte e Vida Severina, de Zelito Viana (1938). Em 1978, estreia em A Ópera do Malandro, de Chico Buarque (1944), peça para a qual grava com Marieta Severo (1946) a canção O Meu Amor. A gravação a encoraja a investir na carreira de cantora.

O primeiro disco, Ave de Prata, é lançado em 1979. O trabalho anuncia a características marcantes da cantora: timbre agudo e energia na impostação da voz. O estilo expansivo de interpretação combina com as apresentações extrovertidas de palco. 

Elba associa esse estilo ao grito e ao modo de cantar de lavadeiras, pastorinhas e carpideiras nordestinas. Como uma de suas principais influências, cita Gal Costa (1945), cujo estilo também é a preferência pelas regiões agudas da voz. Gal, no entanto, sobretudo nos anos 1970, diversifica as interpretações, acolhendo canções da Bossa Nova, enquanto Elba opta quase sempre pela estridência e pela dicção clara, sem esconder o sotaque paraibano. 

Na canção Não Sonho Mais, de Chico Buarque, escolhe gestos vocais para enfatizar certos trechos da letra, que aborda de modo implícito a angústia, a censura e a repressão do período de ditadura civil-militar no Brasil. O modo gritado com que interpreta alguns versos sugere raiva e revolta na interpretação.

Na década de 1980, grava dez álbuns. O quinto da carreira, Coração Brasileiro (1983), a consagra como uma das cantoras mais populares do período. Os ingressos do show se esgotam rapidamente e sua atuação de palco é elogiada como uma das mais contagiantes entre os artistas da MPB. Além de cantar, Elba demonstra talento como dançarina. Nessa turnê evidencia-se a experiência como atriz em suas apresentações. A naturalidade e a desenvoltura da interpretação, bem como a facilidade com a dança, conferem carisma pop à artista. As participações de Mazolla (1950) como diretor artístico e de Lincoln Olivetti (1954-2015) como arranjador contribuem para o êxito do trabalho. “Banho de Cheiro”, por exemplo, embora apresente estrutura rítmica do frevo, recebe arranjo de metais e teclados, recurso associado à música pop. Com melodia de fácil memorização, a canção se transforma em um dos grandes sucessos radiofônicos do período.

O sétimo álbum da carreira, Fogo na Mistura, lança o maior sucesso comercial da cantora: “De Volta Pro Aconchego”, de Dominguinhos e Nando Cordel (1953). A música é escolhida como tema do personagem principal da novela Roque Santeiro.

Nos anos 1990, Elba grava três discos produzidos por Robertinho do Recife (1963): Leão do Norte (1996), Baioque (1997) e Flor da Paraíba (1998). A década também é marcada pela série Grande Encontro. Em 1996, grava Grande Encontro, com Zé Ramalho, Geraldo Azevedo (1945) e Alceu Valença (1946). Em 1997, o grupo lança Grande Encontro 2 e, em 2000, Grande Encontro 3, ambos sem a participação de Alceu. 

Grava Elba Canta Luiz, em 2002, com composições de Luiz Gonzaga e produção de Dominguinhos. A parceria com o compositor se repete em Elba Ramalho & Dominguinhos: Baião de Dois, de 2005. Nos discos Cordas, Gonzaga e Afins (2015) e O Ouro do Pé da Estrada (2018), a artista mescla repertório popular com arranjos de cordas que flertam com a música erudita.

A obra fonográfica consistente e as performances arrebatadoras de palco garantem à Elba Ramalho um lugar de destaque entre as principais intérpretes da música brasileira. A interpretação sempre festiva e o repertório focado em autores e ritmos nordestinos a diferenciam de outras cantoras de sua geração. A partir dos anos 1980, se consagra ao conferir uma estética pop a ritmos nordestinos como xote, baião e frevo e experimenta o auge do sucesso comercial.

Outras informações de Elba Ramalho:

  • Outros nomes
    • Elba Maria Nunes Ramalho
  • Habilidades
    • Ator
    • Cantor/Intérprete

Espetáculos (3)

Fontes de pesquisa (10)

  • BAHIANA, Ana Maria. O risco do ódio e da paixão na voz rachada de Elba. Revista Somtrês, São Paulo, out. 1979.
  • ELBA RAMALHO. Site Oficial da Artista. Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: http://www.elbaramalho.com.br. Acesso em: 26 jul. 2019
  • FERREIRA, Mauro. Elba Ramalho espana a poeira da estrada em álbum que areja o caminho da cantora ao harmonizar serenidade e pressão. Portal G1, Rio de Janeiro, 28 nov. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2018/11/28/elba-ramalho-espana-a-poeira-da-estrada-em-album-que-areja-o-caminho-da-cantora-ao-harmonizar-serenidade-e-pressao.ghtml.
  • FERREIRA, Mauro. Elba Ramalho espana a poeira da estrada em álbum que areja o caminho da cantora ao harmonizar serenidade e pressão. Portal G1, Rio de Janeiro, 28 nov. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2018/11/28/elba-ramalho-espana-a-poeira-da-estrada-em-album-que-areja-o-caminho-da-cantora-ao-harmonizar-serenidade-e-pressao.ghtml. Acesso em: 26 jul. 2019
  • FIGUEIRÊDO, Anne Raely Pereira de. A estética vocal de cantoras paraibanas: Marinês, Cátia de França e Elba Ramalho. 2010. 171f. Dissertação (Mestrado em Música) – Universidade Federal da Paraíba, Paraíba, 2010.
  • FILHO, Antônio Lauriello. Elba alba rama ramalho. Revista Música, São Paulo, out. 1980.
  • O MOMENTO da estrela. Veja, São Paulo, n. 795, 30 nov. 1983.
  • SOUZA, Valdir Moura de. Ave de prata. Revista Música, São Paulo, set. 1979.
  • TEATRO do Ornitorrinco. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009. 792.0981 To253
  • VERGUEIRO, Maria Alice. Maria Alice Vergueiro. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ELBA Ramalho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa441088/elba-ramalho>. Acesso em: 08 de Dez. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7