Artigo da seção pessoas Fayga Ostrower

Fayga Ostrower

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deFayga Ostrower: 14-09-1920 Local de nascimento: (Polônia / Lódz) | Data de morte 13-09-2001 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Fontamara (prancha 5) , 1945 , Fayga Ostrower
Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

Biografia

Fayga Perla Ostrower (Lodz, Polônia 1920 - Rio de Janeiro RJ 2001). Gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, ceramista, escritora, teórica da arte, professora.  Vem para o Brasil em 1934. Cursa artes gráficas na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1947, onde estuda xilogravura com Axl Leskoschek (1889-1975) e gravura em metal com Carlos Oswald (1882-1971). Sua produção inicial em xilogravura apresenta temática predominantemente social. No início dos anos 1950 passa a produzir obras abstratas. Entre 1954 e 1970, leciona no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Em 1955, viaja para Nova York como bolsista da Fulbright Comission. Trabalha no Brooklyn Museum Art School e estuda gravura no Atelier 17, de Stanley William Hayter (1901-1988). Em 1969, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro publica um álbum de gravuras realizadas entre 1954 e 1966. A partir da década de 1970, dedica-se também à aquarela. Publica vários livros sobre questões de arte e criação artística, entre eles Criatividade e Processos de Criação, 1978, Universos da Arte, 1983, Acasos e Criação Artística, 1990, e A Sensibilidade do Intelecto, 1998.  Em 1983, é realizada retrospectiva dos 40 anos de sua obra gráfica, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e, em 1995, a exposição Gravuras 1950-1995, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro. Em 2001 é lançado pela GMT Editora o livro Fayga Ostrower, organizado por Carlos Martins.

Análise

Em 1934, Fayga Ostrower vem para o Brasil e se estabelece na cidade do Rio de Janeiro. Na década de 1940, a artista realiza gravuras figurativas, de linguagem expressionista e cubista, como ocorre em Lavadeiras (1947), tratando freqüentemente de temas sociais. Nas várias gravuras com o tema Maternidade, os traços são delicados e ocorre um delineamento bastante sintético das figuras. A artista realiza também ilustrações para periódicos e livros. Trabalha tanto com gravura em metal quanto com xilogravura, técnica que prevalece durante sua primeira individual, em 1948.

A partir de 1953, a artista abandona a figuração e volta-se para o abstracionismo. Como aponta o crítico Antônio Bento, por vezes, os elementos formais assumem, em suas gravuras, o caráter de verdadeira arquitetura, pela ordenação que ela imprime às linhas, aos ritmos e às cores. O jogo harmônico de planos coloridos verticais e horizontais estabelece um contraponto aos efeitos cromáticos. Desde os anos 1970, produz também aquarelas, nas quais se revela mais lírica, retomando sugestões de paisagem.

Em suas gravuras, Fayga Ostrower apresenta rigor expressivo e um uso muito impactante da cor, que cria espacialidades luminosas, alem de uma técnica apurada e um questionamento incessante sobre a essência mesma da criação artística - tema abordado freqüentemente em seus escritos. É precursora da abstração na técnica da gravura. Tem também importante atividade como educadora e escritora, com vários livros sobre as artes plásticas.

Outras informações de Fayga Ostrower:

  • Outros nomes
    • Fayga Perla Ostrower
    • Ostrower
  • Habilidades
    • desenhista
    • arte-educador
    • ceramista
    • gravadora
    • ilustradora
    • escritora
    • pintora
    • arte-educadora

Obras de Fayga Ostrower: (26) obras disponíveis:

Todas as obras de Fayga Ostrower:

Midias (1)

“A finalidade da arte vem da possibilidade de o ser humano refletir sobre a vida e se fazer perguntas que são as mesmas desde o homem das cavernas até hoje”, acredita a polonesa Fayga Ostrower. Radicada no Brasil em 1934, inicia-se na arte após o término da Segunda Guerra Mundial, engajando-se inicialmente no expressionismo, para então destacar-se no abstracionismo informal. Interessada pela pesquisa e pelos conceitos artísticos, ela afirma que “a arte se dá em um nível de consciência muito elevado”. “É das coisas mais sublimes que o ser humano pode criar”, diz. A artista dedica-se a lecionar sobre o tema no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Tem artigos e ensaios publicados, além de peças expostas individualmente e em coletivas no país e no exterior, tendo recebido inúmeros prêmios em bienais de todo o mundo, entre eles, o Grande Prêmio da Bienal Internacional de Veneza, em 1958.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (392)

Todas as exposições

Eventos relacionados (3)

Fontes de pesquisa (22)

  • PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo : Edusp, 1998. 429 p.
  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. Posfácio Luiz Armando Bagolin. São Paulo: Meta, 2000. 227 p.
  • AS BIENAIS no acervo do MAC: 1951 a 1985. Coordenação Glória Cristina Motta, Ana Helena Curti. São Paulo: MAC: USP, 1987. 66 p. , il. color.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • DACOLEÇÃO: os caminhos da arte brasileira. Introdução César Luís Pires de Mello; Julio Bogoricin: Rio de Janeiro; comentário Frederico Morais. São Paulo: [s. n. ], 263 p. , il. color.
  • GRAVURA brasileira hoje: depoimentos: III volume. Rio de Janeiro: Oficina de gravura Sesc-Tijuca, 1997. 191 p. , il. color.
  • GRAVURA moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro: MNBA, 1999. 135 p. , il. color.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. 270 p.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. A gravura brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Rio, 1965. 70 p.
  • MULHERES gravadoras: uma homenagem à Edith Behring. Curadoria Ana Maria Netto Nogueira; revisão Edith Piza. Jacareí: Casa da Gravura, 1998.
  • O MUSEU Nacional de Belas Artes. Prefácio Alcídio Mafra de Souza. São Paulo: Banco Safra, 1985. 396 p., il. color.
  • OSTROWER, Fayga. A música da aquarela. Apresentação Heloisa Aleixo Lustosa. Rio de Janeiro: MNBA, 60 p. , il. color.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • ______. A sensibilidade do intelecto: visões paralelas na arte e na ciência, a beleza essencial. Rio de Janeiro: Campus, 1998. 305 p. , il. color.
  • ______. Acasos e criação artística. Prefácio Fayga Ostrower. Rio de Janeiro: Campus, 1990. 289 p. , il.
  • ______. Aquarelas e gravuras. Rio de Janeiro: Galeria Bonino, 1991. [16 ] p. , il. color.
  • ______. Exposição retrospectiva de Fayga Ostrower: 40 anos de obra gráfica. Organização Carlos Martins. Rio de Janeiro: MNBA, 1983. 60 p. , il. color.
  • ______. Gravuras 1950-1995. Organização Júlia Peregrino; apresentação Ferreira Gullar. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. 88 p. , il. color.
  • ______. Litografias. São Paulo: Kate Gallery, 1980. 2 f. Dobradas, il. color.
  • ______. Retrospectiva. São Paulo: MAB, 1983. [12] p. , 2 il. color.
  • ______. Universos da arte. Prefácio Fayga Ostrower. Rio de Janeiro: Campus, 1983. 358p. , il. color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FAYGA Ostrower. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa435/fayga-ostrower>. Acesso em: 15 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7