Artigo da seção pessoas Braz Chediak

Braz Chediak

Artigo da seção pessoas
Teatro / cinema  
Data de nascimento deBraz Chediak: 01-06-1942 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Três Corações)

Biografia
Braz Chediak (Três Corações, Minas Gerais, 1942). Diretor, roteirista, ator e escritor. Filho de Elias José e de Maria Aparecida Guimarães Chediak, começa sua carreira como ator no filme O Homem que Roubou a Copa do Mundo (1963) de Victor Lima (1920-1981), ao lado de Grande Otelo (1915-1993), Ronald Golias (1929-2005), Herval Rossano (1935-2007) e Renata Fronzi (1925-2008).

No teatro atua, em 1962, na peça Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente (146- - ca.1536), sob a direção de Paulo Afonso Grisolli (1934-2004). Doze anos depois, trabalha como assistente de direção em L’Isola Delle Voci , de Giorgio Moser (1923-2004), obra realizada para a RAI, rede de televisão italiana. Escreve seu primeiro roteiro para o filme Na Onda do Iê-Iê-Iê (1966), de Aurélio Teixeira (1926-1973), em parceria com o diretor e Renato Aragão (1935).

Os Viciados (1968) é sua primeira realização cinematográfica. Nos anos seguintes, adapta duas obras de Plínio Marcos (1935-1999) para as telas: Navalha na Carne (1969) e Dois Perdidos numa Noite Suja (1970).

Roda, na primeira metade da década de 1970, uma série de comédias eróticas,as pornochanchadas, como Banana Mecânica (1973), O Roubo das Calcinhas (1975) e Eu dou o que Ela Gosta (1975).

No final dos anos 1970, Chediak retoma as adaptações teatrais ao filmar uma peça de Martins Pena (1815-1848), O Grande Desbum (1978),  e três obras de Nelson Rodrigues (1912-1980): Bonitinha, mas Ordinária (1980), Perdoa-me por me Traíres (1980) e Álbum de Família (1981).

Em 2000, escreve o texto da peça teatral Beijos, em parceria com Nelson Rodrigues Filho, baseado no livro de contos A Vida Como ela É (1961), de Nelson Rodrigues. Em 2002, retoma o mesmo livro de Rodrigues para criar o texto teatral Futebol Paixão, com Nelson Rodrigues Filho e Maurício Antoun.

Análise
Após o fracasso de Os Viciados, seu filme de estreia, Chediak obtém sucesso de bilheteria e boa aceitação por parte dos críticos com a adaptação de Navalha na Carne. A ação  desenvolve-se dentro de um apartamento, no qual as relações humanas entre os três protagonistas – uma prostituta, um cafetão e um homossexual – é marcada pela violência física e psicológica.

A mesma encenação em espaço restrito é retomada em Dois Perdidos numa Noite Suja, segunda transposição fílmica da obra de Plínio Marcos. Desta vez, o local é um quarto pobre de uma hospedaria carioca. O diretor aproxima-se da dramaturgia de Marcos, com diálogos agressivos, secos e cortantes.

No trabalho seguinte, Chediak serve-se mais uma vez da literatura brasileira ao transpor para a tela As Confissões do frei Abóbora (1971), baseado na obra homônima de José Mauro de Vasconcelos (1920-1984).

Em suas realizações seguintes, o diretor volta-se para o cinema comercial das pornochanchadas, gênero fácil e de grande aceitação por parte do público. Entre os filmes dessa fase estão: Banana Mecânica – uma paródia de Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick (1928-1999) – e O Roubo das Calcinhas. Nesse período, Chediak une-se a Pedro Carlos Rovai (1938), um dos maiores produtores das comédias eróticas que marcam o cinema nacional nos anos 1970.

Após esse “período erótico”, o realizador retorna às transposições teatrais ao rodar O Grande desbum. A fita tem como base o texto As Desgraças de uma Criança, escrita por Martins Pena.

A seguir, realiza uma trilogia de películas inspiradas em peças de Nelson Rodrigues. Segundo o crítico Ismail Xavier (1947), esta aproximação não produz trabalhos relevantes. Sobre Álbum de Família, por exemplo, Xavier afirma que Chediak “tropeçou nas dificuldades do tom sério em situações exacerbadas, confirmando os desajeites de uma produção média do cinema brasileiro na lida com o tema”[1].

Notas
[1] XAVIER, Ismail. O olhar e a cena: melodrama, Hollywood, Cinema Novo, Nelson Rodrigues. São Paulo, Cosac Naify, 2003, p. 198-199.

Outras informações de Braz Chediak:

  • Habilidades
    • cineasta
    • ator
    • roteirista

Espetáculos (3)

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • BRAZ Chediak. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa425616/braz-chediak>. Acesso em: 15 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7