Artigo da seção pessoas Lourdes Bastos

Lourdes Bastos

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento deLourdes Bastos: 1927 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Lourdes Bastos (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1927). Bailarina, coreógrafa, professora de dança e preparadora corporal para teatro. Inicia a formação em balé clássico com o coreógrafo Vaslav Veltchek (1897-1968), de 1947 a 1949, na União das Operárias de Jesus, em Botafogo, Rio de Janeiro. Em 1952, frequenta as aulas de dança moderna ministradas por Helenita Sá Earp (1920) na Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ). Aí permanece até 1958, cursando disciplinas para professores de dança moderna.

Entre 1954 e 1962, é bailarina do Grupo de Dança de Vanguarda da Escola Nacional de Educação Física, dirigido por Sá Earp. Durante quatro meses, em 1959, participa de um curso no Connecticut College School of Dance, Estados Unidos, onde faz aulas de dança moderna com Martha Graham (1894-1991) e José Limón (1908-1972). Em 1961, ministra aulas de dança moderna na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atual Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, sendo efetivada em 1963. Assina o primeiro trabalho como coreógrafa, Imagens do Contemporâneo (1964), para os alunos da escola. 

De 1975 a 1979, dá aulas no Centro de Pesquisa Corporal, dirigido por Angel Vianna (1928) e Klauss Vianna (1928-1992). Faz curso de teatro no Teatro Ipanema com os atores Ivan de Albuquerque (1932-2001) e Rubens Corrêa (1931-1996), em 1976. Inicia parceria com a dupla que resulta na preparação corporal de peças encenadas naquele palco, como O Beijo da Mulher Aranha (1981) e Artaud (1986). Em 1977, cria para o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro a obra A Missa, com música de Edu Lobo (1943). Em 1981, inaugura o Studio Lourdes Bastos, na Gávea, no Rio de Janeiro, frequentado por atores e bailarinos . Em seguida, cria a Companhia Lourdes Bastos, em 1982, com as coreografias Quatro Mulheres. A companhia dura até 1989. 

Em 1993, aposenta-se da Escola Maria Olenewa e, em 1994, fecha o Studio. Em 1995, vai morar em Ann Arbor, Michigan, nos Estados Unidos, onde coreografa para o grupo de dança da Michigan University e para artistas locais. Em 1997, seu acervo (incluindo imagens em vídeo) passa a fazer parte da Dance Collection of the New York Public Library for the Perfoming Arts. Em 2007, a Companhia de Dança da Cidade (ligada à UniverCidade do Rio de Janeiro) remonta duas peças do repertório da coreógrafa: Minha Vida (1981) e Concerto em F (1982).

Análise

Na década de 1970, Lourdes Bastos firma-se como referência no ensino da dança moderna no Rio de Janeiro. Nos anos 1960, sistematiza o programa de dança moderna na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com aulas ministradas durante quatro dos nove anos do curso para bailarino profissional. Nos anos 1970 e 1980, projeta-se como preparadora corporal para espetáculos de teatro e como coreógrafa.

A ligação com a dança moderna começa nas aulas de Helenita Sá Earp, na Escola Nacional de Educação Física, nos anos 1950. Lourdes vê ali a possibilidade de uma dança mais livre, que oferece diálogos do corpo com o fluxo, o peso, o espaço e o tempo. Uma descoberta reafirmada nos quatro meses de aulas diárias no Connecticut College School of Dance, em 1959, com Martha Graham e José Limón. A parceria com Sá Earp, com quem desenvolve seu método de ensino da dança moderna, e a temporada nos Estados Unidos são a base de seu trabalho de professora, que exerce na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1961. Apesar da desconfiança dos alunos, habituados às aulas de balé clássico, em 1964, desperta o interesse dos bailarinos para suas aulas, baseadas em posições paralelas dos pés, incluindo movimentos no chão.

O trabalho de preparação corporal para teatro nas montagens comandadas por Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa, no Teatro Ipanema, também é parte importante de sua trajetória, influenciando diretamente a criação coreográfica: em cena, a palavra se junta aos movimentos. Uma linguagem que tem seu ápice em Mar Sem Fim (1983), maior sucesso da coreógrafa, encenada 108 vezes no Brasil e em Portugal, e também em Viva Lorca (1986). 

Com a partida para os Estados Unidos, Lourdes equilibra trabalhos com temáticas mais pessoais, como Adíos, Nonino (2000), solo criado para Suzane Willets Brooks, na qual exibe o sofrimento com um câncer que a acomete pouco antes. Também peças mais universais, caso de Time to Love (2002), homenagem aos mortos na tragédia de 11 de setembro.

Outras informações de Lourdes Bastos:

Espetáculos (4)

Fontes de pesquisa (5)

  • BASTOS, Lourdes. Entrevista concedida pela artista para Adriana Pavlova, por Skype, em 14 jul. 2010 e 10 set. 2010.
  • BITTENCOURT, Elid. Lourdes Bastos: o moderno na dança no Brasil. Tese (Doutorado para em Artes Cênicas) - Unirio, Rio de Janeiro, 2009.
  • BITTENCOURT, Elid. Entrevista concedida pela pesquisadora a Adriana Pavlova, por skype, em 15 jul. 2010.
  • BRAGA, Suzana. Quatro mulheres, uma visão junguiana de dança, por Lourdes Bastos. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 out. 1982.
  • Programa do Espetáculo - O Beijo da Mulher Aranha - 1981. Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LOURDES Bastos. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa421034/lourdes-bastos>. Acesso em: 22 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7