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Jorge Amado

  • Análise
  • Biografía
    Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna BA 1912 - Salvador BA 2001). Escritor. Na infância, vive com a família em Ilhéus, cidade que retrata em alguns de seus romances. Em 1930, muda-se para o Rio de Janeiro, para estudar na Faculdade de Direito, e ali trabalha como jornalista e escreve o seu primeiro romance, O País do Carnaval (1931), publicado quando tem 19 anos. Em Cacau (1933), mostra a realidade social da população do interior baiano que trabalha no cultivo do cacau. O romance é censurado e tem exemplares apreendidos. Nos anos seguintes, Amado publica romances de temática urbana: Suor (1934), Jubiabá (1935), Mar Morto (1936) e Capitães de Areia (1937), que adotam um modelo narrativo e ideológico próximo ao do realismo socialista. Entre 1936 e 1937, o autor sofre duas prisões por motivos políticos e novamente tem os seus livros apreendidos. Em 1941, exila-se na Argentina, para escapar à perseguição do Estado Novo, e começa a redigir a biografia do líder comunista Luís Carlos Prestes, O Cavaleiro da Esperança (1942). Em 1945, é eleito deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) e participa da Assembleia Constituinte, mas o seu mandato é cassado, três anos depois, quando o PCB é colocado na ilegalidade. Entre 1948 e 1956 viaja por diversos países, como França, Tchecoslováquia (atual República Tcheca) e União Soviética (atual Rússia), experiência que relata no livro O Mundo da Paz (1951). Retorna ao Brasil em 1956, e publica, em 1958, o seu romance mais popular, Gabriela, Cravo e Canela. É eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1961. Volta a residir na Bahia em 1963. Jorge Amado recebe numerosos prêmios literários, entre eles destaca-se o Prêmio Camões (1995), pelo conjunto da obra. Em sua última viagem a Paris, em 1998, recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade de Sorbonne.

    Comentario Crítico
    Jorge Amado é um escritor da segunda geração modernista, que tem entre os seus representantes, na prosa de ficção, autores de temática regionalista como Graciliano Ramos (1892 - 1953), José Lins do Rego (1901 - 1957) e Rachel de Queiroz (1910 - 2003), que estreiam em livro na década de 1930. Esses autores narram a realidade social do Nordeste brasileiro, e em especial o cotidiano das pequenas cidades sertanejas, assoladas pela seca, pela miséria e pela violência dos grandes proprietários de terras. Jorge Amado, já em seus primeiros romances, insere-se nessa tendência regionalista e define os elementos básicos de sua prosa narrativa, como o realismo social, os conflitos políticos, o folclore, as crenças e os costumes populares.

    A economia cacaueira de Ilhéus, Bahia, cidade onde o escritor passa a infância, é o pano de fundo de diversos romances de sua primeira fase, como Cacau (1933), que retrata a exploração dos trabalhadores rurais; Terras do Sem Fim (1942), que aborda a disputa entre dois grandes fazendeiros, o coronel Horácio da Silveira e Sinhô Badaró; e São Jorge dos Ilhéus (1944), que narra a falência dos coronéis pela queda vertiginosa do preço do cacau. Dois outros romances que pertencem a essa fase são Jubiabá (1935), saga de um lutador de boxe que se transforma em líder grevista, e Capitães de Areia, que conta a história de um grupo de garotos que vivem de malandragem e pequenos furtos.

    O ciclo de romances que Jorge Amado escreve nesse período tem forte influência do realismo socialista, modelo estético e ideológico desenvolvido na União Soviética na década de 1930. Essa tendência literária, baseada nas formas de narração tradicionais do século XIX, quer denunciar as injustiças sociais, e em especial a exploração da classe operária pela burguesia, ao mesmo tempo que aponta a necessidade de uma solução revolucionária, que emanciparia as camadas oprimidas da sociedade.

    O caráter manipulador e reducionista dessa proposta é evidente. Antonio Candido (1918), em Literatura e Sociedade, já adverte que "nesse tipo de romance, o mais característico do período e frequentemente de tendência radical, é marcante a preponderância do problema sobre o personagem. É a sua força e a sua fraqueza. Raramente [...] a humanidade singular dos protagonistas domina os fatores do enredo: meio social, paisagem, problema político". Em outro comentário sobre o autor baiano, Candido afirma que "nesses romances há um intuito ideológico ostensivo demais, que, por não ser incorporado como elemento necessário à composição, parece com frequência superposição indigerida".

    Apesar dessa limitação, Jorge Amado consegue alguns bons resultados estéticos, como em Capitães de Areia, que conquista a admiração de Glauber Rocha e Paulo Francis. Terras do Sem Fim, por sua vez, recebe elogios do mesmo Antonio Candido, que coloca o livro, ao lado de Fogo Morto, de José Lins do Rego, e de Sentimento do Mundo e Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), entre os mais bem realizados de nossa literatura na década de 1940. Alfredo Bosi (1936), em sua História Concisa da Literatura Brasileira, cita Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus como "afrescos da região do cacau, certamente suas invenções mais felizes".

    Com Gabriela, Cravo e Canela (1958), o autor inicia uma nova fase romanesca, em que, segundo Álvaro Cardoso Gomes, "Jorge Amado abandona a ficção engajada e adentra cidades baianas, carregadas de lirismo, que mostram casos pitorescos e característicos. Verifica-se também substancial mudança na linguagem, que descobre suas raízes populares, recebendo influências da literatura de cordel e tornando-se mais viva e sensual". A crônica social da vida baiana narrada por Jorge Amado nessa fase inclui títulos como Dona Flor e seus Dois Maridos (1967), Teresa Batista Cansada de Guerra (1973) e Tieta do Agreste (1977), livros que são bem recebidos pelos leitores e adaptados para o teatro, cinema e televisão, embora sejam pouco apreciados pela crítica literária, que aponta nessas fábulas populares a superficialidade.

    Alfredo Bosi afirma que, na nova fase Jorge Amado oferece, ao leitor "glutão", "pieguice e volúpia em vez de paixão, estereótipos em vez de trato orgânico dos conflitos sociais, pitoresco em vez de captação estética do meio, tipos 'folclóricos' em vez de pessoas, descuido formal a pretexto de oralidade". Antonio Candido, apesar de reconhecer problemas flagrantes na literatura de Jorge Amado, tem opinião menos severa que a de Bosi, apontando "uma identificação afetiva com o povo, [...] numa prosa generosa, comunicativa, que faz de Jorge Amado o romancista mais popular do Brasil". Entre as narrativas mais originais da segunda fase do autor podemos citar Quincas Berro d'Água (1961), em que o autor se afasta dos padrões lógicos do realismo e incorpora o elemento fantástico-sobrenatural para contar a saga de um funcionário público oprimido pela família que se envolve com bebida, prostituição, vadiagem e alcança o feito de morrer duas vezes.

Primeiras edições

Obras publicadas - primeiras edições

Romance
O País do Carnaval - 1930
Cacau - 1933
Suor - 1934
Jubiabá - 1935
Mar morto - 1936
Capitães da areia - 1937
Terras do Sem-Fim - 1943
São Jorge dos Ilhéus - 1944
Seara vermelha - 1946
Os subterrâneos da liberdade - 1954
Gabriela, cravo e canela - 1958
A morte e a morte de Quincas Berro d'Água - 1961
Os velhos marinheiros ou o capitão de longo curso - 1961
Os pastores da noite - 1964
O Compadre de Ogum - 1964
Dona Flor e Seus Dois Maridos - 1966
Tenda dos milagres - 1969
Teresa Batista cansada de guerra - 1972
Tieta do Agreste - 1977
Farda, fardão, camisola de dormir - 1979
Tocaia grande - 1984
O sumiço da santa - 1988
A descoberta da América pelos turcos - 1994


Poesia
A estrada do mar - 1938

Biografia
ABC de Castro Alves - 1941
O cavaleiro da esperança - 1942

Guia
Bahia de Todos os Santos - 1945

Teatro
O amor do soldado - 1947

Viagens
O mundo da paz - 1951

Conto
Do recente milagre dos pássaros - 1979

Memórias|
O menino grapiúna - 1982
Navegação de cabotagem - 1992

Infantil-Juvenil
O gato Malhado e a andorinha Sinhá - 1976
A bola e o goleiro - 1984

Fábula
O milagre dos pássaros - 1997

Crônica
Hora da Guerra - 2008

Espetáculos

Exibir

Exposições

Fontes de Pesquisa

COMPANHIA BAIANA DE PATIFARIA. Site oficial do grupo. Disponivel em .Acessado em 12 de setembro de 2012. Não catalogado

Catálogo de 15 anos de Ponto de Partida - 1995 Não catalogado

Jorge Amado, Angelina Muniz, Dona Flor e Seus Dois Maridos juntos no Brigadeiro. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado

RAMOS, Fernão (org.); MIRANDA, Luiz Felipe (org.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. p.20/21 R791.430981 E56