Artigo da seção pessoas Elisa Fukuda

Elisa Fukuda

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deElisa Fukuda: 1952 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Elisa Yurico Fukuda (São Paulo, São Paulo, 1952). Violinista e pedagoga. Inicia seus estudos aos quatro anos com o pai, professor de violino, Yoshitame Fukuda. Aos seis, executa o concerto em lá menor de Antonio Vivaldi (1678-1741). No ano seguinte, integra a orquestra infantil da Sociedade Filarmônica de São Paulo. Em 1964, interpreta o concerto para violino em mi menor de Felix Mendelssohn na audição da classe do seu então professor Johannes Oelsner. Estuda com Maria Vischnia, e, sob sua orientação, vence o Concurso Jovens Solistas (RJ). Como prêmio, atua frente à Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência de Kurt Masur em 1970. Nesse ano, ingressa no Conservatório de Música de Genebra, por recomendação de Uto Ughi, onde obtém o "Diploma Superior de Violino" na classe do professor Corrado Romano e recebe em seguida o Primeiro Prêmio de Virtuosidade.

Aperfeiçoa-se em master-classes com Henryk Szering em 1976, Arthur Grumiaux em 1977 e, no ano seguinte, com Nathan Milstein, complementando sua formação no Mozarteum de Salzburg com Sandor Vegh em 1979. Nessa época, apresenta-se como solista com orquestras como a Orchestre de la Suisse Romande e a Orquestra George Enesco de Bucarest (durante o Festival Ravello, Itália, em 1978). Voltando ao Brasil, assume desde 1980 o ensino de nível avançado da Escola de Música Fukuda e, em 1988, funda a Camerata Fukuda, com Celso Antunes, seu maestro titular. Atua ainda como solista frente às principais orquestras de todo o país e com orquestras internacionais, entre as quais a Orquestra de Camâra de Moscou (RJ, 1991), além de realizar recitais no exterior como o Festival de Música de Câmara de São Petersburgo (1992) e a turnê com a Bachiana Filarmônica em Nova Iorque (Lincoln Center) e Miami (Broward Center) executando o concerto para 4 Violinos de Antonio Vivaldi sob a regência de João Carlos Martins (1940) em 2011.

Como camerista, forma, em 1992, o Trio Dell'Arte com Giuliano Montini (piano) e Peter Dauelsberg (violoncelo), com quem participa de concertos e Festivais internacionais na Espanha, França, Argentina, Uruguai, Açores, Alemanha, Suíça, e Portugal. Paralelamente, mantém dois duos de piano e violino, um com Montini e outro com Vera Astrachan e, em 2002, funda o quarteto de cordas Camargo Guarnieri (1907-1993). Ao todo, sua discografia é composta por doze álbuns: um LP com Antonio Del Claro (1950) e José E. Martins, dois CDs gravados com o Trio Dell'Arte , cinco com a Camerata Fukuda, dois com o quarteto Camargo Guarnieri, um com o Duo Montini e outro com o Duo Astrachan. Grava também na Radio Suisse Romande, Rádio e TV Cultura (SP) e TV Educativa (RJ). Recebe vários Prêmios, entre os quais o de "Melhor Solista" (1989) e "Melhor Conjunto Instrumental" com a Camerata Fukuda (1991) e com o Trio Dell'Arte (1993), todos pela APCA, e o Prêmio Carlos Gomes nas categorias "Solista Instrumental" (2000) e "Conjunto Instrumental" com o Quarteto Camargo Guarnieri (2006). É convidada a participar de bancas julgadoras de concursos como o Ibero‑Americano de violino em Cuba (1999) e Liuteria em Querétaro (2003) e do corpo docente de festivais como o 1º Festival "Instrumenta Verano" em Puebla (2003), de Inverno de Campos do Jordão (2005-2011), Música nas Montanhas (2007-2012). É professora da CMU-ECA-USP (1985-1987) e do Curso de Música da Faculdade Cantareira desde 2004.

Análise

A Sociedade Filarmônica de São Paulo1 tem um papel importante na formação clássica da instrumentista Elisa Fukuda. Por meio dela é que Fukuda pode ter a oportunidade de se apresentar desde muito jovem como solista frente a uma orquestra sob a regência do maestro Ken‑ichi Yamakawa executando o Concerto em lá menor para Violino e Orquestra de Antonio Vivaldi. Essa influência dilui-se a partir de sua adolescência, quando passa a estudar com professores que não fazem parte da sociedade nipônica no Brasil. De toda forma, Fukuda ficará ligada a essa raiz, uma vez que, ao decidir retornar ao país após o término de seus estudos em Genebra, é ao lado do pai e na escola de música Fukuda que aplica seus conhecimentos no ensino do violino. O retorno da instrumentista revela em Fukuda seu engajamento com o desenvolvimento da música no Brasil.

Sua atividade como docente não somente ocupa um espaço em sua carreira como na vida musical brasileira. Nesse ínterim, destaca-se sua atividade pedagógica não apenas nas aulas particulares, como também com a Camerata Fukuda, que possibilita a prática instrumental a jovens instrumentistas em um ambiente de alto nível técnico e artístico, sendo considerada uma das mais importantes orquestras de câmera do Brasil. Com tal infraestrutura, Fukuda possibilita a formação de excelentes intérpretes. Assim, seus alunos, ao longo de mais de três décadas de ensino, ocupam, atualmente, as principais posições nas orquestras nacionais, além de muitos serem premiados em concursos nacionais e internacionais e desenvolverem carreiras consequentes tanto na música de câmara quanto como solistas tanto no Brasil quanto no exterior. Entre eles, podemos destacar Cláudio Micheletti (spalla da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo, da Orquestra Experimental de Repertório e professor da Faculdade Cantareira), Pablo León (spalla da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo), Davi Graton (solista A da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), Alexandre Razera (ex‑viola solista da Symphonic Orchestra of RTV Slovenia), Maria Fernanda Krug (ex‑integrante da Salzburg Chamber Soloists), Omar Guey (ex-spalla da Orquestra Sinfônica Internacional de Jerusalem, Israel), Luiz Filipe Coelho (integrante da Berliner Philarmoniker), Thais Coelho (violista da Deutsches Symphonie Orchester), Daniel Stein (Diretor do Latin American Popular Music Ensemble - Indiana University Jacobs School of Music), Winston Ramalho (discípulo e ex‑assistente do violinista húngaro Tibor Varga em Sion, Suíça), Ayako Hattori (discípula e ex-assistente do violinista russo Boris Belkin em Liège, Bélgica, e integrante da Tokyo Symphony Orchestra), Ricardo Herz (proeminente instrumentista na área da música popular brasileira), entre inúmeros outros.

No campo da interpretação, sua atuação como instrumentista desvela o mesmo comprometimento. Intérprete de qualidade internacional, decidiu direcionar e desenvolver sua carreira em solo brasileiro, legando ao público desse país concertos de altíssimo nível tanto como solista concertista quanto como recitalista ou camerista. O repertório que aborda concerne primariamente os grandes nomes da música Ocidental, englobando também, mas não somente, a música brasileira. Dessa forma, em suas gravações, figuram a obra de compositores como Antonin Dvórak, Johannes Brahms (1833-1897), Franz Schubert, Antonio Vivaldi, Johann Sebastian Bach (1685-1750) e Dimitri Shostakovich, além dos brasileiros Henrique Oswald (1918-1965), Alberto Nepomuceno (1864-1920), Camargo Guarnieri e Osvaldo Lacerda. Nesse sentido, trata tanto a música brasileira quanto a europeia com a mesma seriedade e desvelo, sem nenhuma distinção qualitativa.

A fim de desenvolver seu trabalho interpretativo, torna-se extremamente empreendedora, fundando grupos de excelência, registrando o trabalho realizado em mais de uma dezena de CDs e colhendo o reconhecimento da crítica e do público, uma vez que todos os corpos estáveis que fundou e trabalhou receberam, nessas últimas décadas, importantes prêmios concedidos no cenário musical brasileiro. Além do talento nato, o resultado, em todos os âmbitos de sua carreira, se dá pela realização de um trabalho extremamente disciplinado, vigoroso e cuidadoso tecnicamente, o que lhe confere, como a unanimidade das críticas que recebe atesta, um nível de performance musical internacional. Esse é, talvez, o principal ensinamento que lega a seus discípulos em termos de organização e dinâmica de trabalho, e o maior presente que oferece aos seus ouvintes, através do rigor de sua arte aliado à sua sensibilidade e originalidade de interpretação.

Nota

1 Sociedade Filarmônica de São Paulo tinha por finalidade difundir e desenvolver a música clássica entre jovens brasileiros e principalmente nisseis contando como principais mentores Yoshitame Fukuda (pai de Elisa Fukuda) e Toshio Takeda.

Outras informações de Elisa Fukuda:

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ELISA Fukuda. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa4049/elisa-fukuda>. Acesso em: 20 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7