Artigo da seção pessoas Paulo Goulart

Paulo Goulart

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento dePaulo Goulart: 09-01-1933 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Ribeirão Preto) | Data de morte 13-03-2014 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Paulo Goulart , 1953 , Fredi Kleemann

Biografia

Paulo Afonso Miessa (Ribeirão Preto, São Paulo, 1933 - São Paulo, São Paulo, 2014). Ator, dramaturgo e produtor teatral. Ao lado de Nicette Bruno (1933), produz uma série de realizações em que atuam e ganham, ao longo das décadas, representatividade na cena nacional.

Inicia carreira em emissora de rádio fundada por seu pai na cidade de Olímpia, interior de São Paulo. Aos 8 anos de idade, tem sua primeira experiência teatral, interpretando uma pequena bailarina em uma peça de teatro infantil de seu colégio, inspirado nos números musicais do Volga. Estuda química industrial no Liceu Eduardo Prado, em 1951, curso que deixa inconcluso em prol de sua carreira no teatro. Já em 1952 integra a Companhia Nicette Bruno e Seus Comediantes, atuando em Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil, com direção de Ruggero Jacobbi (1920-1981) e, no mesmo ano, em Amor Versus Casamento, de Maxwell Anderson, direção de Rubens Petrille de Aragão. No ano seguinte, está no elenco de Ingênua Até Certo Ponto, de Hugh Herbert, dirigido por Armando Couto, numa nova formação do conjunto, agora intitulado Teatro Íntimo Nicette Bruno (TINB). Ainda em 1953 é dirigido pelo diretor estreante Antunes Filho (1929), em Week-end, de Noel Coward, realização bem-sucedida do TINB. Ainda nessa companhia participa de: É Proibido Suicidar-se na Primavera, de Alejandro Casona, direção de Ruy Affonso (1920-2003), 1953; Brasil Romântico [contendo as peças O Primo da Califórnia, de Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), e Lição de Botânica, de Machado de Assis (1839-1908)], outra direção de Ruggero Jacobbi, 1954; no mesmo ano, Ingenuidade, de John Van Druten, direção de Madalena Nicol. Agora é a vez de ser dirigido por Paulo Francis (1930-1997) em Bife, Bebida e Sexo, adaptação de Ingênua Até Certo Ponto, de Hugh Herbert, 1955. No ano seguinte está em Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), numa encenação de Léo Jusi (1930).

Passa a colaborar com a Companhia Eva e Seus Artistas, de Eva Todor (1920), atuando em Vê Se Me Esquece, de Luiz Iglesias, Anastácia, de Marcelle Maurette, e Lotária, de Luís Iglesias, todos sob a direção de Henriette Morineau (1908-1990), em 1957. No mesmo ano, está em A Vida Não É Nossa, de Accioly Neto (1906-2001), numa produção sua com Nicette Bruno, com direção de José Maria Monteiro (1923-2010), com quem trabalha em mais dois espetáculos subseqüentes.

Está na bem-sucedida montagem de Pedro Mico, de Antônio Callado (1917-1997), em 1958. Participa de Gigi, de Colette, com direção de Cayetano Luca de Tena, em 1958; no mesmo ano, Inimigos Íntimos, de Barrilet e Grédy, direção de Aurimar Rocha. Faz uma participação em Os Artistas Unidos, em Os Brasileiros em Nova York, de Pedro Bloch (1914-2004), outra vez sob a direção de José Maria Monteiro,1959.

É dirigido por Ziembinski (1908-1978), em Zefa Entre os Homens, de Henrique Pongetti (1898-1979), em 1962. Vai com Nicette Bruno para Curitiba, onde realizam uma série de espetáculos com produção do Teatro de Comédia do Paraná e direção de Cláudio Corrêa e Castro (1928-2005): Um Elefante no Caos, de Millôr Fernandes (1923-2012), 1963; A Megera Domada, de William Shakespeare (1564-1616), 1964; O Santo Milagroso, de Lauro César Muniz (1938), 1965. No ano seguinte, reencenam A Megera Domada, agora mais uma vez sob a batuta de Antunes Filho.

Em 1966, está numa ótima encenação de Ademar Guerra (1933-1993), Oh, Que Delícia de Guerra!, de Charles Chilton (1917-2013), Joan Littlewood e o Theatre Workshop, numa produção do Teatro da Esquina.

Goulart e Nicette montam uma parceria com o diretor Antonio Abujamra (1932-2015), o Teatro Livre, e realizam: Boa Tarde, Excelência, de Sérgio Jockyman,1967; O Olho Azul da Falecida, de Joe Orton, 1968; no mesmo ano, Os Últimos, de Máximo Gorki (1868-1936),, mais um Sérgio Jockyman, 1969; O Prisioneiro da Segunda Avenida, de Neil Simon, 1974. Ainda nesse ano, tem participação marcante em Orquestra de Senhoritas, de Jean Anouilh (1910-1987), adaptação e direção de Luís Sérgio Person (1936-1976), em que incorpora a hilária Mme. Hortense, a viúva que chefia a orquestra, arrebatando os prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), e Molière de melhor ator. Atua em Constantina, de Sommerset Maugham, com direção de Cecil Thiré (1943), em 1975, e, no ano seguinte, em Classe Média, Televisão Quebrada, de Sérgio Cecco (1931-1986) e Armando Chulak, novamente sob a direção de Antonio Abujamra, com quem reincide em Treze, de Sérgio Jockyman, 1979. O crítico Sábato Magaldi (1927-2016) comenta: "Paulo Goulart (...) não perde a oportunidade cômica, ressaltando sempre o conflito entre a postura exterior e o íntimo prestes a explodir".1

Ainda com Abujamra, atua em Dona Rosita, a Solteira, de Federico García Lorca (1898-1936), numa tradução de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), 1980. Faz duas incursões na fase áurea do Teatro dos Quatro, em Rei Lear, de William Shakespeare, encenação de Celso Nunes (1941), 1983, e Sábado, Domingo e Segunda, de Eduardo De Filippo (1900-1984), direção de José Wilker (1946-2014), 1986. Volta ao palco com Nicette Bruno, numa direção de Francisco Medeiros (1948), em Aviso Prévio, de Consuelo de Castro (1946-2016), em 1987. Em 1989, está em Meu Reino Por Um Cavalo, de Dias Gomes, direção de Antonio Mercado e, em 1990, em Flávia, Cabeça, Tronco e Membros, de Millôr Fernandes, direção de Luiz Carlos Maciel (1938).

Participa de uma produção de Antonio Fagundes (1949), numa encenação de Ulysses Cruz (1952), Macbeth, de William Shakespeare. Em 1998, substitui Rogério Fróes em O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta, peça que conta a amizade entre o poeta chileno Pablo Neruda e o carteiro Mário Jiménez, com direção de Aderbal Freire Filho (1941). É dirigido por Mauro Rasi (1949-2003) em Arte, de Yasmina Reza, texto em que três amigos - ele, Paulo Gorgulho e Pedro Paulo Rangel (1948) - entram em confronto depois que um deles compra, por preço alto, uma tela toda branca, em 1998, e, novamente com Abujamra, atua em Crimes Delicados, de José Antonio de Souza, 2000. No ano seguinte participa de grande produção de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago (1922-2010), numa adaptação de Maria Adelaide Amaral (1942), sob direção de José Possi Neto (1947), e, em 2003, volta a atuar em Sábado, Domingo e Segunda, de Eduardo De Filippo, agora dirigido por Marcelo Marchioro.

Inicia-se como autor em 1975, escrevendo Nós Também Sabemos Fazer, peça que dirige ele próprio no mesmo ano. Em 1980, é a vez de Mãos ao Alto, São Paulo!, dirigido por Roberto Lage (1947). No ano seguinte, Aderbal Freire-Filho dirige seu texto Mãos ao Alto, Rio!,

Em 1983 escreve duas peças, O Infalível Dr. Brochard, outra direção de Roberto Lage, reencenada no mesmo ano no Rio de Janeiro, novamente por Aderbal Freire Filho.

Em 1990, em parceria com a filha Bárbara Bruno, lançam Look Book Hip House, que permanece inédita.

Paulo Goulart tem também intensa atividade no cinema e na televisão e forma, juntamente com sua mulher, Nicette Bruno, e seus filhos Beth Goulart (1961) e Paulo Goulart Filho e Bárbara Bruno, uma família de artistas talentosos e constantemente dedicados ao teatro.

Notas

1 MAGALDI, Sábato. O 13 de algumas "zebras", mas de ritmo dinâmico. Jornal da Tarde, São Paulo, 28 jul. 1979, p. 12.

Outras informações de Paulo Goulart:

Representação (1)

Espetáculos (86)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (21)

  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • CARDOSO, Luís Carlos. A coragem de Paulo e Nicette. Visão, 10 jun. 1987, p. 41-42.
  • DEL RIOS, Jefferson. 13 pontos numa peça de humor. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 jul. GUERINI, Elaine. Nicette Bruno e Paulo Goulart: Tudo em Família. São Paulo: IMESP/ Fundação Padre Anchieta, 2004. (Coleção Aplauso. Perfil).
  • DEL RIOS, Jefferson. A descoberta do sexo espírita. Folha de S.Paulo, São Paulo, 2 nov. 1983, p. 31.
  • GARCIA, Clóvis. Um espetáculo engraçado, mas que provoca reflexão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 dez. 1984, p. 18.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • GUIMARÃES, Carmelinda. Riso sem compromisso. Visão, 5 dez. 1983, p. 60.
  • GUZIK, Alberto. Última Hora, São Paulo, 21 out. 1974. in: Anuário das Artes, 1972-74. São Paulo: APCA/ Fundação Bienal/ Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, 1973-75.
  • GUZIK, Alberto. Uma trama fantástica, de humor ferino. Jornal da Tarde, São Paulo, 7 dez. 1988, p. 25.
  • MAGALDI, Sábato. Jornal da Tarde, São Paulo, 18 out. 1974. in: Anuário das Artes, 1972-74. São Paulo: APCA/ Fundação Bienal/ Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, 1973-75.
  • MAGALDI, Sábato. O 13 de algumas "zebras", mas de ritmo dinâmico. Jornal da Tarde, São Paulo, 28 jul. 1979, p. 12.
  • MAGALDI, Sábato. O Infalível Dr. Brochard, batendo à porta da velha chanchada. Jornal da Tarde, São Paulo, 13 out. 1983, p. 19.
  • MARCELINO, A. R. O São Paulo, 16 a 22 mar. 1974. in: Anuário das Artes, 1972-74. São Paulo: APCA/ Fundação Bienal/ Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, 1973-75.
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Constantina - 1977 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Evangelho Segundo Jesus Cristo - 2001 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Homem Inesperado - 2008 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Prisioneiro da Segunda Avenida - 2008 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Oh Que Delicia de Guerra - 1966 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Treze - 1979 Não catalogado
  • WEEK-END. Direção de Antunes Filho. São Paulo, 1954. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro de Alumínio, São Paulo, 1954. CCSP - Divisão de Pesquisas/AMM.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PAULO Goulart. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa398818/paulo-goulart>. Acesso em: 15 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7