Artigo da seção pessoas Dori Caymmi

Dori Caymmi

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deDori Caymmi: 26-08-1943 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Dorival Tostes Caymmi (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1943). Compositor, arranjador, violonista e cantor. É filho do compositor baiano Dorival Caymmi (1914-2008) e da cantora mineira Adelaide Tostes Caymmi (1922-2008), conhecida como Stella Maris.

Na infância, estuda piano e tem aulas de teoria musical e harmonia. Aprende a tocar violão sozinho, ouvindo João Gilberto (1931), Baden Powel (1937-2000), o guitarrista americano de jazz Barney Kessel (1923-2004) e seu pai Dorival Caymmi. Especializa-se na área de arranjos com Tom Jobim (1927-1994), Luiz Eça (1936-1992) e Eumir Deodato (1943).

No teatro, assina a direção musical das peças Opinião (1964), Arena Conta Zumbi (1965), Calabar (1973) e Gota d’Água (1975).

Possui treze discos como solista, entre eles Dory Caymmi (1972), Dori Caymmi (1980), Dori Caymmi (1982), os três gravados no Brasil. Em 1989, após trabalhar com o músico Sérgio Mendes (1941), muda-se para os Estados Unidos e lança os álbuns Dori Caymmi (1988) e Brazillian Serenata (1991). Registra, pela produtora do músico americano Quincy Jones (1933), os LPs Kicking Cans (1992) e If Ever (1994).

Na sequência, grava Tome Conta do Meu Filho, que Eu Também Já Fui do Mar... (1997), Cinema – A Romantic Vision (1999), Influências (2001), Contemporâneos (2003), Mundo de Dentro (2010), Poesia Musicada (2011). Nos álbuns seguintes, revisita o repertório de compositores consagrados e do pai Dorival Caymmi.

Contribui como arranjador para Tom Jobim, nas músicas “Águas de Março” e “Matita Perê”, ambas registradas no álbum Matita Perê (1973), Chico Buarque (1944), Maria Bethânia (1946), João Gilberto, Edu Lobo (1943), Elis Regina e seus irmãos Nana Caymmi (1941) e Danilo Caymmi (1948).

Na TV, participa da trilha sonora da novela Gabriela (1975) com a canção “Porto”, além de musicar o poema “Alegre Menina” de Jorge Amado (1912-2001). Para a minissérie Tenda dos Milagres (1985), compõe “Flor da Bahia”, com Paulo César Pinheiro (1949). Cria músicas para a novela infantil Sítio do Picapau Amarelo (1977-1986), adaptada da obra de Monteiro Lobato (1882-1948).

Em 2002, recebe com Paulo César Pinheiro o Grammy Latino de melhor canção brasileira com “Saudades de Amar”, e, em 2004, o prêmio de melhor álbum de samba com Para Caymmi 90 anos, gravado com os irmãos Nana e Danilo.

Análise
Dori Caymmi faz parte da segunda geração de músicos da bossa nova, ao lado de Edu Lobo, Marcos Valle (1943) e Francis Hime (1939). Filho de Dorival Caymmi, é influenciado pelo pai e por músicos que frequentam sua casa, como Tom Jobim. Dori é um músico versátil: atua como instrumentista, produtor e compositor.

Segundo o pesquisador Júlio César Smarçaro, pode-se dividir seu trabalho em três períodos: na primeira fase (1972 a 1982), período em que produz os três primeiros discos com seu nome, estão presentes canções com a estética bossanovista na construção de melodia, letra e harmonia e nos arranjos orquestrais. É o caso de canções como “Minha Doce Namorada” ou “Depois de Tanto Tempo”, ambas de 1972. Outra característica dessa fase é a composição influenciada pelos artistas mineiros do Clube da Esquina, com harmonias modais e acordes de violão com corda solta ou com outros estilos de afinação. Isso está evidente nas canções “O Cantador”, “Lenda” e “Evangelho”, que as avizinha de “Travessia” (1969), de Fernando Brant (1946-2015) e de Milton Nascimento (1942), a quem dedica a composição “Nosso Homem em Três Pontas” (1982).

A direção musical das peças Opinião (1964) e Arena Conta Zumbi (1966), aproxima suas composições da canção de protesto, com cunho social e político, assim como o contemporâneo Edu Lobo.

Quando se muda para os Estados Unidos, inicia-se uma nova fase composicional. Brazilian Serenata (1991) é o disco mais conhecido, com as músicas “Amazon River”, “Mercador de Siri”, “Ninho de Vespa” e “Flower of Bahia”. O fato de ser compositor e arranjador faz com que sua composição atente para a abertura das vozes no violão e no coro. A instrumentação preenche as faixas de frequência auditiva e cria uma sensação de abertura na escuta da música. A prática como compositor de trilha sonora para cinema e orquestrador é incorporada no trabalho solo.

Nessa fase, Dori abandona a influência mineira de Milton Nascimento e assimila outros ritmos brasileiros, como a capoeira, em “Flower of Bahia”, o baião, em “From the Sea” , e o samba, em “Irresistible (Jogo de Cintura)”. Nessa fase, desenvolve sonoridade própria, unindo as referências da Bahia cantanda por seu pai e o Rio de Janeiro de Tom Jobim.  

A terceira fase dá-se mais como intérprete, violonista e arranjador de músicas já consolidadas. Em Tome Conta do Meu Filho, que Eu Também Já Fui do Mar... , reconstrói as músicas do pai, principalmente as canções praieiras, tendo o violão como ponto de partida. No entanto, é no canto que Dorival e Dori mais se assemelham: herdeiro de um estilo bem empostado, com volume e corpo de voz, diferente do cantar da bossa nova. Tanto Dori quanto Danilo e Nana, mesmo revisitando o repertório da bossa nova, cantam ao estilo do pai.

Com afinidade sonora com Joyce Moreno (1948) grava o disco Rio-Bahia – Joyce Moreno e Dori Caymmi (2006), com músicas como: “Pra Que Chorar”, de Baden Powel (1937-2000) e Vinicius de Moraes (1913-1980); “E Era Copacabana”, de Carlos Lyra (1939) e Joyce (1948); e “Flor da Bahia e Saudade do Rio”, de Paulo Cesar Pinhero e Dori Caymmi. Ainda com Paulo Cesar Pinheiro, realiza parceria que resulta nos álbuns Poesia Musicada (2011) e Setenta Anos (2014), dividindo as composições de todas as faixas dos discos.

Outras informações de Dori Caymmi:

  • Outros nomes
    • Dorival Tostes Caymmi
    • Dori Caymi
    • Dory Caymmi
  • Habilidades
    • diretor musical
    • Cantor/Intérprete
    • Violonista
    • Compositor
    • Arranjador
  • Relações de Dori Caymmi com outros artigos da enciclopédia:

Espetáculos (5)

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (6)

  • BERNARDES, Marcelo. Dori Caymmi concorre com grandes arranjadores. Estado de S.Paulo, São Paulo, 23 fev. 2000. Caderno 2. Disponível em: < http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/20000223-38844-nac-0049-cd2-d3-not/busca/Dori+Caymmi >. Acesso em: 20 out. 2013.
  • SMARÇARO, Júlio César Caliman. O Cantador: a música e o violão de Dori Caymmi.  Dissertação (Mestrado em Música) – Instituto de Artes da Universidade de Campinas (Unicamp), Campinas, 2006.
  • DORI CAYMMI. Site oficial do artista. São Paulo, 2013. Disponível em: < www.doricaymmi.com >. Acesso em: 20 out. 2013.
  • GILMAN, Bruce. Gal in Caymmi’s Court. Brazzil, out. 2001. Disponível em: < http://www.brazzil.com/musoct01.htm >. Acesso em: 20 out. 2013.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Calabar o Elogio da Traição - 1980. Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • DORI Caymmi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa394412/dori-caymmi>. Acesso em: 17 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7