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Bartolomeu Campos de Queirós

Outros Nomes: Bartolomeu Campos de Queiroz | Bartholomeu Campos de Queiróz | Bartolomeu Campos Queiroz
  • Análise
  • Biografia
    Bartolomeu Campos de Queirós (Pará de Minas MG 1944 - Belo Horizonte MG 2012). Autor de poemas e histórias infantis e juvenis, educador, crítico de arte, museógrafo e ensaísta. Passa boa parte da infância no interior de Minas Gerais, nas cidades de Papagaio e Pitangui, onde mora com o avô paterno. Aos 6 anos, perde a mãe. No internato do Colégio São Geraldo, em Divinópolis, Minas Gerais, cursa o ginasial, e estuda, por breve período, no convento dos dominicanos em Juiz de Fora, Minas Gerais. Muda-se para Belo Horizonte, inicia o curso de filosofia e trabalha no Centro de Recursos Humanos, escola de experiências pedagógicas do Ministério da Educação. Com uma bolsa da Organização das Nações Unidas (ONU), vai à França, e cursa filosofia no Instituto Pedagógico de Paris. Na capital francesa, escreve seu primeiro livro, O Peixe e o Pássaro, lançado em 1971, ano em que retorna ao Brasil. Torna-se membro do Departamento de Aperfeiçoamento de Professores (DAP), do Ministério da Cultura, do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Curador da Escola Guignard. Atua ainda como assessor especial da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais e presidente da Fundação Clóvis Salgado - Palácio das Artes. No início da década de 1980, trabalha como editor, para a Editora Miguilim, de Belo Horizonte, que se propunha a trazer um tema renovador para a literatura infantil brasileira, incorporando questões sociais da vida contemporânea. De 1986 a 2000, integra o projeto ProLer, da Biblioteca Nacional, ministrando seminários sobre educação, leitura e literatura. Como crítico de arte, participa de júris de salões e curadorias de exposições de artes plásticas e atua na área de museografia.

    Comentário Crítico
    Tendo como tema central a noção de que o sujeito, restringido pelos limites do mundo real, busca expansão e crescimento com base na imaginação, Bartolomeu Campos de Queirós é autor de obras que, embora dedicadas ao público infantojuvenil, não buscam a linguagem facilitada para abordá-lo. O principal recurso de sua poesia ou prosa poética é a metáfora, usada para dar forma aos sentimentos despertados pela descoberta progressiva da realidade.

    Os versos de Pedro (1977) descrevem a relação entre um menino "que tinha o coração cheio de domingos" e uma borboleta. O inseto, que visita constantemente o garoto, serve de modelo para que Pedro faça suas pinturas. O relacionamento de ambos perdura até que cada um extraia de seus encontros a lição de que necessita. A borboleta aprende que é querida pelo menino e dele tem a amizade verdadeira. Já o garoto constata que "no domingo não se precisa ver borboletas. Basta ter o voo delas na lembrança ou fazer bolas de sabão". O testemunho da beleza e a possibilidade de criação artística figuram, dessa maneira, como consequências de uma relação simples e profunda, capaz de trazer paz e felicidade - sentimentos associados ao "domingo".

    As expectativas em torno dos relacionamentos são o mote da narrativa Ciganos (1982), centrada em um menino que sonha ser levado pelos forasteiros - "ser roubado era o mesmo que ser amado. Ele sentia que só roubamos o que nos falta", afirma o narrador. Trata-se de um observador que, retornando à cidade após muitos anos, encontra novamente o garoto. O fecho é apenas sugestivo, e repõe uma das questões centrais do autor: "Ele passeava entre fadas, conchas, pássaros e domingos. Tentei por outra vez adivinhar seu pensamento. Vi que seu coração já não anda farto de desejos".

    A sensação de incompletude que move os sujeitos à imaginação e à criação é o eixo de Ah! Mar... (1985), em que o narrador relata sua vontade de conhecer o oceano. A vastidão das águas e o impulso que sugerem em direção ao desconhecido e ao ilimitado associam-se à curiosidade e, novamente, à imaginação: "Longe do mar inventa-se um oceano".

    Exemplar quanto ao emprego da linguagem metafórica é o livro Mário (1982), sobre o "menino poeta" que sabe ter encontrado no ovo de um pássaro "notícias secretas de vida, mas impossível abri-lo". Entendendo a paciência necessária à revelação da poesia, o menino espera, fazendo crescer, em seu coração, "a vontade de nascer em palavras". O processo de contato com o segredo encerra-se na imagem final, cuja construção atesta que a criação artística é, ela mesma, a preservação do elemento misterioso: "Mário agora é farol em alto-mar".

    A valorização da liberdade engendra a narrativa engajada de Onde Tem Bruxa Tem Fada (1979), em que a fada Maria do Céu decide passar um período na Terra. Na cidade a que chega, dá-se conta de que o espaço para a fantasia é bastante restrito, pois "os mágicos davam tantas tarefas às pessoas que elas não tinham tempo nem para saber que faltava tempo para a alegria nascer". Na confusão em que se mete ao tentar despertar o desejo das crianças por seus pedidos, Maria do Céu encontra a resistência de figuras como o prefeito, o banqueiro, o engenheiro - e acaba presa pela polícia. Antes de partir, porém, deixa uma secreta mensagem às crianças, estimulando-as a lutar contra o controle dos dirigentes, exercido pelo perpétuo e vão estímulo da esperança, "uma coisa que sempre espera e nada faz".

    A angústia diante da realidade se faz presente desde a estreia do autor, em O Peixe e o Pássaro (1974), narrativa versificada em que o eu lírico se divide entre o desejo de permanecer observando os seres do título e a necessidade de partir do local para cumprir "os compromissos aceitos com antecedência". O poeta passa ainda pela tristeza de haver cultivado o mesquinho desejo de construir "uma gaiola conjugada com um aquário" a fim de ter os animais sempre por perto. Ao cabo, contudo, aprende que a experiência depende de uma interiorização da lembrança.

    Em seus mais de 40 títulos, Bartolomeu Campos de Queirós compõe uma obra à qual se aplica perfeitamente a afirmação do próprio autor sobre a poesia infantil de Henriqueta Lisboa: "Para se dirigir aos mais jovens, não se faz necessário empobrecer a linguagem e forçar rimas fáceis para revelar o assunto".

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Términos y Conceptos

Traduções e edições estrangeiras

Traduções e edições estrangeiras

Inglês

Nest egg [Indez]. Tradução Jane Springer. Toronto: Douglas & McIntyre, 1992.

Dinamarquês

Skrukaeg [Indez]. Tradução Gregers Steendahl. København: Gyldendal, 1992.

Primeiras edições

Obra publicada - primeiras edições

Literatura Infantil e Juvenil
1974 - O Peixe e o Pássaro
1979 - Onde tem Bruxa tem Fada
1982 - Raul Luar
1982 - Ciganos
1984 - Mário
1986 - Coração Não Toma Sol
1986 - Cavaleiros das Sete Luas
1986 - Flora
1986 - Correspondência
1988 - Rosa dos Ventos
1990 - Apontamentos
1991 - Minerações
1992 - Pintinhos e Pintinhas
1993 - Papo de Pato
1995 - Por Parte de Pai
1995 - Escritura
1996 - Ah! Mar
1996 - Ler, Escrever e Fazer Conta de Cabeça
1997 - Escritura 
1997 - Pedro
1997 - Diário de Classe
1998 - De Não em Não
1998 - Os Cinco Sentidos
2001 - Bichos São Todos... Bichos!
2002 - Mais com Mais dá Menos
2002 - Diário de Classe
2002 - Estória em 3 Atos
2002 - Faca Afiada
2002 - A Matinta Perera

2003 - Vida e Obra de Aletrícia Depois de Zoroastro
2003 - Até Passarinho Passa
2003 - Menino de Belém
2003 - O Piolho 
2004 - Entretantos
2004 - Pé de Sapo e Sapato de Pato
2004 - Indez
2004 - Formiga Amiga
2004 - O Guarda-Chuva do Guarda  
2004 - O Olho de Vidro do Meu Avô
2004 - O Pato Pacato
2004 - De Letra em Letra
2004 - Faca Afiada
2005 - Pé de Sapo e Sapato de Pato  
2005 - Para Criar Passarinho
2005 - As Patas da Vaca 
2006 - Somos Todos Igualzinhos
2006 - Das Palavras
2006 - Henriquieta Lisboa - Luz da Lua
2006 - Sem Palmeira ou Sábia
2006 - Antes do Depois
2007 - Para Ler em Silêncio
2007 - Sei Por Ouvir Dizer
2007 - O Ovo e o Anjo
2008 - Foi Assim...
2009 - Para Criar Passarinho
2009 - Menino Inteiro
2009 - Pé de Sapo e Sapato de Pato
2009 - Tempo de Vôo
2009 - O Livro de Ana
2009 - Isso Não É Um Elefante
2010 - A Árvore - com Mário Cafiero
2010 - 2 Patas e 1 Tatu
2010 - Trocando Gato por Lebre ou Menino por Vaca
2011 - Vermelho Amargo  

Ensaios
1994 - Entretantos
1996 - Literatura sem Fronteiras

Traduções e edições estrangeiras

Translations and foreign editions

Inglês

Nest egg [Indez]. Tradução Jane Springer. Toronto: Douglas & McIntyre, 1992.

Dinamarquês

Skrukaeg [Indez]. Tradução Gregers Steendahl. København: Gyldendal, 1992.

Espetáculo

Exposições

Evento

Fontes de Pesquisa

"Escritor Bartolomeu Campos de Queirós morre aos 67 anos". Ilustrada - Folha de S.Paulo. São Paulo, 16 de jan de 2012. . Data de acesso: 18 de janeiro de 2012.

Catálogo de 15 anos de Ponto de Partida - 1995