Artigo da seção pessoas Ana Kfouri

Ana Kfouri

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deAna Kfouri: 14-10-1957 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Ana Maria Barcellos Kfouri (São Paulo SP 1957). Diretora e atriz. Ana Kfouri constrói espetáculos em que combina ação e coreografia gestual, com textos compostos de fragmentos unidos pela temática.

Faz cursos de dança e atua em alguns espetáculos como atriz - entre eles Carmem com Filtro, texto e direção de Gerald Thomas, e Blasfêmeas, em que assina a co-autoria de um roteiro feito de fragmentos de outros autores, dirigido por Roberto Lage, ambos de 1987. Em 1989, está no elenco da ópera de Philip Glass e Gerald Thomas, Mattogrosso, novamente encenação de Gerald Thomas, e em Ponto Limite, roteiro seu, de Lu Grimaldi e  Paulo José, que assina a direção do espetáculo. Esta experiência de extrair trechos de obras literárias para compor uma colcha de retalhos voltada para a encenação passará a nortear o seu trabalho de diretora.

Ana Kfouri funda a Companhia Teatral do Movimento, que estréia em 1992, com o espetáculo A Lua Que Me Instrua, assinando pela primeira vez a direção e o roteiro de fragmentos, após trabalhar, ainda, como preparadora corporal e coreógrafa de diversos espetáculos experimentais ou de linguagem marcada pela fisicalidade. Em 1993, volta a atuar em Pentesiléias, adaptação de Daniela Thomas para a obra de Kleist, direção de Bete Coelho.

Em 1994, sua companhia monta dois espetáculos - Dizem de Mim o Diabo, com partes de peças de Nelson Rodrigues, e Aldeia, em que as situações propostas pelo conto Via Crucis, de Clarice Lispector, são apresentadas numa linguagem corporal que mecaniza os movimentos e transforma as personagens em bonecos. Em 1997, inicia uma série de espetáculos inspirados em alguns dos pecados capitais. O primeiro, Volúpia, faz uma seleção de textos sem nenhuma intenção moralista ou libertária, mas procura captar a visão de vários autores sobre o tema. A expressão corporal procura encontrar equivalente à palavra, pela via do humor, da poesia ou da simples ilustração. O crítico Macksen Luiz, considerando que a realização não tem a consistência da seleção de textos, observa que "muitas vezes o espetáculo adquire um nervosismo de movimentos que não disfarça a dificuldade em encontrar melhor expressão cênica" e que "toda essa agitação acaba por repetir soluções e confere um ar 'exibicionista' à montagem".1

Em 1998, Ana Kfouri dirige Eu Sou Mais Nelson, espetáculo de estréia do Grupo Alice 118, conjunto de atores formandos da CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, em que volta a costurar fragmentos de peças de Nelson Rodrigues. Kfouri seleciona as referências dramáticas a partir da ótica da jovialidade, criando um ambiente adolescente, alegre e bem-humorado, do qual emergem as cenas. O espetáculo, que se apresenta no circuito amador do Rio de Janeiro e em diversos festivais nacionais, recebe os primeiros prêmios do Festival de Teatro de Bolso do Duse e do Festival da Veiga de Almeida.

Em 1999, volta ao projeto dos pecados capitais, com a Companhia Teatral do Movimento, tematizando a Gula. Nas diversas cenas, a palavra é o eixo para uma coreografia de exuberantes formas dramáticas. A visão da gula como a desmedida no objetivo de saciar o desejo está expressa na cena inicial, em que os atores executam uma música de percussão extraída de pratos e talheres ao mesmo tempo em que realizam uma coreografia facial  utilizando o limite muscular para exprimir a voracidade. Segue-se HH (Informe-se), 2000, com o Grupo Alice 118, baseado na obra da poeta Hilda Hilst, que a diretora retoma dois anos depois com a Companhia Teatral do Movimento em Fluxo, em que tempera a verborragia do texto com uma coreografia de gestos. Ainda em 2000, a diretora dá continuidade aos pecados capitais com Preguiça, e monta, com duas atrizes de sua companhia, O Gordo e O Magro Vão Para O Céu, de Paul Auster. Segundo o crítico Macksen Luiz, a diretora consegue, nesta montagem, exploração técnica do movimento e a humanização dos personagens:

"O palhaço redimensiona os seus métodos expressivos, faz suas ridículas intervenções como se quisesse demonstrar que nesses gestos e caretas tão primários estão sentimentos bem mais complexos e dúvidas insolúveis. [...] As quedas, o corpo em permanente desequilíbrio, as palavras repetidas como uma piada, o gesto que se confunde com o pastelão são os meios pelos quais a tensão dramática se instala".2

Notas
1. LUIZ, Macksen. Sexo bem-humorado. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 abr. 1997.

2. LUIZ, Macksen. Comédia metafísica faz rir do cotidiano. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 out. 2001.

Outras informações

  • Outros nomes
    • Ana Maria Barcellos Kfouri
  • Habilidades
    • educação
    • bailarino
    • coreógrafo
    • ator
    • roteirista
    • diretor de teatro

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Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (7)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Ana Kfouri. (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. 415 p. R792.0981 A636t 1994
  • KFOURI, Ana. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • LUIZ, Macksen. A comida é secundária. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 dez. 1999.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Carmem com Filtro - 1986 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Nostradamus - 1986 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANA Kfouri. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa389149/ana-kfouri>. Acesso em: 29 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7