Artigo da seção pessoas Karina Buhr

Karina Buhr

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deKarina Buhr: 20-05-1974 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Salvador)

Biografia

Karina Buhr (Salvador BA 1974). Cantora, compositora, percussionista, atriz e ilustradora. Aos 8 anos muda-se para o Recife, começa a cantar e a tocar percussão com grupos de maracatu, como o Estrela Brilhante do Recife, o Piaba de Ouro, o Véio Mangaba e Suas Pastoras Endiabradas. Em 1997 integra a banda Comadre Fulozinha - com Isaar França, Renata Mattar, Telma César, Alessandra Leão e Maria Helena -, em que canta, compõe, toca percussão e rabeca. Com o grupo lança seu primeiro disco, chamado Comadre Florzinha (1999), seguido de Tocar na Banda (2003), pela YB Music, e Vou Voltar Andando (2009), nos quais é responsável pelas ilustrações de todas as capas. Faz sua primeira turnê internacional com a banda, entre 2000 e 2001, se apresentando no Canadá, Estados Unidos, Bélgica, Suíça e França. Com a banda participa de discos de Antônio Nóbrega, em Pernambuco Falando para o Mundo (1998); de Mundo Livre S/A, em Por Pouco (2000); de DJ Dolores, em Contraditório? (2002), da banda Eddie, em Original Olinda Style (2003), do Bonsucesso Samba Clube, em Bonsucesso Samba Clube (2003); e de Erasto Vasconcelos, em Jornal da Palmeira (2005).

Karina muda-se para São Paulo em 2003 e passa a integrar a companhia Teatro Oficina Uzina Uzona, do diretor José Celso Martinez Corrêa, na montagem da tragédia grega As Bacantes. Em 2007, compõe o elenco da peça Os Sertões, e faz turnê com o grupo pelo Brasil passando por Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Quixeramobim, no Ceará, e Canudos, na Bahia. Participa da gravação dos DVDs da peça e da abertura da temporada 2005/2006 do Volksbühne, teatro de Berlim.

Lança seu primeiro disco solo, Eu Menti pra Você, em 2010, e é premiada como artista do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), indicada ao prêmio de artista revelação no VMB da MTV e de melhor cantora no Prêmio Música Digital. Participa do programa Ensaio, dirigido por Fernando Faro, na TV Cultura. Sua música O Pé é incluída na série Descolados, da MTV.

Grava seu segundo CD com incentivo cultural do edital Natura Musical, intitulado Longe de Onde, em 2011. No mesmo ano, participa dos festivais Rock in Rio, no Rio de Janeiro, e do Roskilde, na Dinamarca. Integra a trilha sonora da novela Cordel Encantado, da Rede Globo, com a música Tum Tum Tum. Participa da faixa Desencantados, parceria com Marina Lima, Alex Fonseca e Edgard Scandurra, no disco Clímax (2011) e canta Tão Fácil (Marina Lima e Antônio Cícero) no tributo Literalmente Loucas - As Canções de Marina Lima (2011). Grava com Flávia Maia sua composição Sonhando, no disco Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa (2011), de Anelis Assumpção. No Tributo 100 Anos de Gonzagão, em 2012, Karina Buhr grava Xanduzinha, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

 

Comentário Crítico

A carreira solo de Karina Buhr é diferente de seu trabalho com o grupo Comadre Fulozinha. Em três discos do grupo, as músicas de sua autoria vão adquirindo a cada disco mais espaço. Os ritmos regionais do Nordeste como o maracatu, a ciranda e o coco são preponderantes, mas ganham nova roupagem com a adição de saxofone, cavaquinho, violão e rabeca. A abertura de vozes também contribui para formar uma textura e o som de Comadre Fulozinha remete às rodas e cirandas do Nordeste, mas com sonoridade mais contemporânea.

O período em que Karina está no grupo faz com que ela experimente, dentro da tradição, suas habilidades como cantora, compositora e percussionista. Podem-se observar alguns elementos de sua poesia e sua preocupação com a palavra, com a aliteração e seus diferentes significados semânticos, já nessa época, como na música Saí Passada, do último disco com o grupo, "Eu lembro que passei a saia / Fui com minha saia passear / a rua prateada ficava / quando eu te via passar / No dia que eu te disse saia daqui". Com o grupo, excursiona pelo Brasil e outros países, o que faz com que sua performance ficasse cada vez mais segura, chegando a ser um dos pontos fortes de sua carreira solo. Sua trajetória no Teatro Oficina contribui para seu desenvolvimento corporal.

Com o álbum Eu Menti pra Você (2010), Karina inaugura outra fase de sua personalidade artística. Ao contrário de Comadre Fulozinha, aqui ela embaralha propositalmente suas referências. Não é possível eleger um ritmo, ou uma sonoridade como preponderante no disco todo, mas sim um conjunto delas em diálogo.

O rock presente nas faixas Nassira e Najaf prepara para o punk da faixa Soldat. O groove de baixo, do baixista Mau, com a bateria de Bruno Buarque, músicos responsáveis junto com a cantora pela produção musical, assim como o teclado de Dustan Gallas são a estrutura de músicas como Avião Aeroporto e O Pé. A letra passa a apresentar motivos mais tensos, como visto em Avião Aeroporto nos versos: "O corpo humano tem a resistência perfeita / se bate de leve dói / se bate com força mata". Outro momento, no mesmo tom é a balada com programações eletrônicas Esperança Cansa, "Esperança cansa / Cansa de esperar / já não tô podendo mais / Minha paciência é a razão / Minha fúria odiosa já tá na agulha".

A fragilidade e a simplicidade de suas letras tratam das coisas banais do cotidiano como na canção Plástico Bolha, "Hoje eu não tô a fim de corre-corre / confusão / Eu quero passar a tarde estourando plástico bolha", ou em Eu Menti pra Você, na qual ela faz uma provocação: "Eu sou uma pessoa má / eu menti pra você", contrastando com a balada Bem Vindas, que conta com a sanfona e o piano do músico Marcelo Jeneci, em que essas mentiras sinceras e esse aparente encantamento pelas coisas banais não são mais suficientes como revela a letra "Essa tarde dourada que traz / felicidade pras pessoas normais / não me mente mais". Em Ciranda do Incentivo, uma canção aos moldes do funk carioca, ela critica a padronização da produção artística que tenta se adequar às leis de incentivo à cultura. "Mas é preciso entrar no gráfico / no mercado fonográfico."

Seu segundo disco, Longe de Onde, de 2011, aprofunda questões tratadas no trabalho anterior. O rock se torna o gênero dominante, a palavra o principal elemento de seu trabalho. As guitarras de Fernando Catatau e Edgar Scandurra passam a ser mais presentes no arranjo e substituem a importância que o teclado tem no álbum anterior. Ela brinca com a banalidade de forma menos óbvia e literal. Volta-se para a possibilidade de explorar o texto como na canção Cara Palavra, "Cada fala / cada palavra cala / e ganha um signovosignificado para mim / Desperta dor / apaga dor". Em A Pessoa Morre, canta a impossibilidade de uma única palavra conseguir traduzir os múltiplos significados de uma pessoa, "a pessoa morre depois de tanto verbo".

Vinda da tradição dos maracatus do Recife, Karina encontra na cidade de São Paulo espaço para experimentações musicais com rock, punk e eletrônica.

Outras informações de Karina Buhr:

  • Outros nomes
    • Karina Buhr Magalhães
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Percussionista
    • Compositor
    • Ator
    • Ilustrador

Espetáculos (9)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (4)

  • GARCIA, Lauro Lisboa. O Peso que vem de Onde. O Estado de São Paulo, São Paulo, 22 out. 2011. Caderno 2.
  • KARINA BUHR. Site oficial do artista. São Paulo, 2012. Disponivem em: < www.karinabuhr.com.br >. Acesso em: 15 out. 2012.
  • PRETO, Marcus. A Bacante. Folha de S.Paulo, São Paulo, 10 fev.2010. Ilustrada
  • Programa do Espetáculo - Os Sertões - A Luta 2 Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • KARINA Buhr. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa388545/karina-buhr>. Acesso em: 24 de Mar. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7