Artigo da seção pessoas Alice Miceli

Alice Miceli

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deAlice Miceli: 25-03-1980 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

Strange Fruit , 2005 , Alice Miceli
Reprodução fotográfica Amilcar Packer

Biografia

Alice Miceli Araújo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1980). Videoartista e fotógrafa. Em 2001, forma-se em artes e mídias eletrônicas na Ecole Supérieure d’Études Cinématographiques de Paris (Esec). Em 2003, ingressa no Grupo de Estudos e Discussão de Projetos do professor Charles Watson (1951), na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Entre 2004 e 2005, realiza residência artística na Cable Factory, em Helsinque, na Finlândia, como bolsista do programa Unesco/Aschberg Bursaries for Artists/Hiap.

Em 2005, seu vídeo 88 de 14.000 – com imagens de 88 entre os 14 mil mortos numa prisão de extermínio do Camboja sob o regime do Khmer Vermelho, na década de 1970 – é selecionado como finalista do Transmediale/International Media Art Festival (Berlim). Desde então, Miceli tem participado de dezenas de exposições coletivas no Brasil e no exterior, incluindo: Festival VideoBrasil (2005 e 2007); Festival Videoformes, em Clermont-Ferrand, França (2005); Documenta de Kassel (2007); Sidney Film Festival (2008); mostra Nova Arte Nova, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro (2008); e Mediations Biennale, em Poznan, na Polônia (2012).

Em 2007, muda-se para Berlim a fim de se dedicar ao Projeto Chernobyl, que se estende até 2010. Realizado na zona de exclusão da usina nuclear soviética que explodiu em 1986, o projeto inclui imagens captadas por dispositivos sensíveis à radiação gama do ambiente, especialmente desenvolvidos pela artista. O projeto, um dos vencedores do 6º Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia (2005-2006), rende a Miceli sua primeira participação na Bienal de São Paulo (2010). Em 2011, ocorrem suas primeiras exposições individuais, na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, e na Meulensteen Gallery, em Nova York.

Análise

Após trabalhar com os cineastas Silvio Tendler (1950) e Sandra Kogut (1965), Miceli envereda pela investigação visual com uma peculiar combinação entre arte, história e tecnologia. Esses campos se fertilizam mutuamente para engendrar vídeos, fotografias e instalações estruturados em torno da crise da representação como sintoma da crise da sociedade contemporânea.

Nas palavras da crítica Giselle Beiguelman (1962), os trabalhos de Miceli obrigam o espectador a “repensar as estratégias correntes de lidar com a história e com a memória, nos assaltando, sem terror, com vestígios por vezes mórbidos, por vezes imponderáveis, muitas vezes trágicos, da ação humana, na política e na ciência”.1 Investigando um arquivo fotográfico de vítimas do Khmer Vermelho, percorrendo campos e cidades vazios em torno da usina de Chernobyl, apropriando-se de frames de vídeos prosaicos para os quais propõe intrigantes releituras, ou mesmo quando se debruça sobre seu próprio rosto, o foco da artista é pesquisar as interseções entre registro documentário e invenção visual por meio de uma reflexão sobre a natureza processual da produção da imagem.

Diversos lugares despovoados, inacessíveis ou labirínticos, muitas vezes reconstruídos pela virtualidade do loop, permeiam as obras de Miceli e servem de cenário para a pesquisa de temas recorrentes, como a relatividade entre tempo e espaço, identidade e memória. Segundo a própria artista afirma: “[...] tenho interesse por esses lugares não vistos, ou inacessíveis. As fronteiras, as terras de ninguém. [...]. Nos meus trabalhos, há várias imagens que remetem ao impenetrável”.2

Notas

1 BEIGUELMAN, Giselle. Irretratáveis anos-luz. São Paulo, 2009. Disponível em: http://www2.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/up/arquivos/200703/20070328_120414_ensaio_AMiceli_P.pdf. Acesso em: 15 out. 2013.
2 MICELI, Alice. Entrevista no dossiê sobre a artista no sítio do Projeto VideoBrasil, n. 27. Disponível em: http://www2.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/site/dossier027/apresenta.asp. Acesso em: 17 out. 2013.

Outras informações de Alice Miceli:

  • Outros nomes
    • Alice Miceli Araújo
    • Alice Micelli
  • Habilidades
    • fotógrafo
    • Videoartista

Obras de Alice Miceli: (1) obras disponíveis:

Exposições (19)

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Fontes de pesquisa (8)

  • ALICE MICELI. Currículo da artista no site da Galeria Nara Roesler. São Paulo, 2013. Disponível em: http://www.nararoesler.com.br/artistas/alice-miceli. Acesso em: 15 out. 2013.
  • BEIGUELMAN, Gisele. Irretratáveis anos-luz. São Paulo, 2009. Disponível em http://www2.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/up/arquivos/200703/20070328_120414_ensaio_AMiceli_P.pdf. Acesso em: 15 out. 2013.
  • FARIAS, Agnaldo. Colapso. São Paulo, 2011. Disponível em: http://www.nararoesler.com.br/download_texto/colapso_agnaldo_farias_1300900814_1340038489.pdf. Acesso em: 17 out. 2013.
  • MICELI, Alice. Chernobyl Project. Berlim: Several Pursuits, 2010 (com ensaios de Gunalan Nadarajan, Paula Alzugaray e Raïssa de Góes).
  • MICELI, Alice. Dossiê sobre a artista no site do Festival VideoBrasil, n. 27. São Paulo, 2009. Disponível em: http://www2.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/site/dossier027/apresenta.asp. Acesso em: 17 out.
  • MONACHESI, Juliana. A identidade dissolvida. São Paulo, 2004. Disponível em: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000214.html. Acesso em: 16 out. 2013.
  • PRÊMIO CULTURAL SERGIO MOTTA, 4. São Paulo, 2003.
  • SALÃO NACIONAL DE ARTE DE GOIÁS, 2006, Goiânia, GO. Salão Nacional de Arte de Goiás: 6º prêmio Flamboyant Brasil Mostra Sua arte. Curadoria Divino Sobral. Goiás: Flamboyant Shopping Center, 2006.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALICE Miceli. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa377650/alice-miceli>. Acesso em: 24 de Mar. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7