Artigo da seção pessoas Ana Catarina

Ana Catarina

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento deAna Catarina: 06-02-1975 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Registro fotográfico Marcus Leoni

Ana Catarina Vieira (São Paulo, São Paulo, 1975). Bailarina, coreógrafa e pesquisadora. Criadora do Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, é reconhecida por um estilo de dança que mistura técnicas clássicas e expressões das danças populares brasileiras.

O interesse de Ana Catarina por movimento surge durante a infância. Sua formação em dança se inicia aos oito anos, com as professoras Beth Durão (1959) e Betina Zacarias (1962). Depois, ingressa na escola de Ismael Guiser (1927 - 2008).

Por sua desenvoltura e preparo físico, pula diversas etapas de formação e, ao chegar até Guiser, é confrontada pela importância de refazer suas bases de balé. Num curso de férias, conhece o professor Sacha Svetloff, com quem faz aulas a fim de preparar-se para audições em grandes companhias.

Com Svetloff, estuda técnica e princípios de movimentação, trabalhando peso, apoios, organização do corpo e consciência corporal, fatores que se tornam determinantes em seu trabalho.

Em 1997, faz audição para o balé O Quebra Nozes, montado pela Cisne Negro Companhia de Dança anualmente, a partir de 1983, em São Paulo. É contratada como estagiária da companhia e, depois, efetivada em seu elenco.

Na Cisne, que tem em sua história o trabalho com danças brasileiras, encontra espaço para explorar um pouco mais de seu interesse por essas manifestações e para trabalhar com a mistura, entre o clássico e o popular. Ainda na companhia, em 1999, conhece o bailarino e percussionista Ângelo Madureira (1975), vindo do Balé Popular do Recife. O encontro amplia as possibilidades de Ana Catarina aplicar seus estudos sobre prática e técnica do balé às movimentações e passos das danças populares. A convivência entre os dois bailarinos resulta na criação da escola Brasílica Música e Dança, aberta por Ana Catarina e Ângelo em 2000.

Na escola, os dois operam com uma derivação própria do método do Balé Popular do Recife. Enquanto este método trabalha as danças através de seus ciclos festivos, celebrando o que é próprio a cada uma dessas manifestações, Ana e Ângelo trabalham com o conceito de passo patrimônio, estudando os passos nucleares comuns a diversas danças. Nesse processo, levam em conta as conexões entre os movimentos e a construção de habilidades dos intérpretes e do corpo dançante.

Em parceria com Ângelo, Ana é contemplada pelo programa Rumos Dança, do Itaú Cultural, em 2003, por meio do qual desenvolve o espetáculo Somtir (2003). Em Somtir, a pesquisa se desenvolve a partir dos passos das danças populares, notavelmente o maracatu, mas retira o contexto musical dessa expressão, que passa a ser realizada com trilhas sonoras diversas.

A obra ilustra algumas semelhanças entre princípios do balé clássico e das danças populares, como a frontalidade, o virtuosismo e a realização pública – focada no público. O resultado do espetáculo traz questionamentos da comunidade da dança e dos habituados à dança contemporânea, o que leva a uma grande pesquisa de Ana Catarina acerca da arte contemporânea, na busca pelo entendimento de em que lugar poderia se inserir sua produção. Vendo o contemporâneo como um espaço para o político, o incômodo e a reflexão, Ana Catarina passa a questionar a maneira como os mestres populares são tratados e desvalorizados, o que se torna um eixo na busca por outras formas de fazer danças populares.

O grupo de Ana Catarina recebe duas vezes (2003 e 2007) o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e obtém o Prêmio Klauss Vianna (2009). Também recebe apoio de múltiplas edições do Fomento à Dança de São Paulo e é patrocinada pela Petrobrás (2012-2015). Apesar do sucesso e dos recursos obtidos pela companhia, os padrões de submissão ao que se espera de um grupo de dança contemporânea levam Ana e Ângelo a um momento de interrupção dos trabalhos e retorno à percussão e ao popular.

Nesse momento, surge um projeto de pesquisa que resulta no espetáculo Bolo de Rolo (2019). A partir de um desconforto com o desaparecimento da dança, com diminuição do público e seu interesse, o grupo busca levar a dança às pessoas, o que se faz num espetáculo interativo. Em meio a um baile, uma grande festa ou bloco carnavalesco, organizado por Ana Catarina e Ângelo, o público é levado a dançar, produzindo coreografia em tempo real. A movimentação é simples, conjunta, simultânea, e a situação é magnificada por figurinos e adereços que criam a situação da festa. O efeito é de integração e evidencia a busca do grupo pelas práticas de participação.

Também em 2019, Ana Catarina realiza a primeira coreografia que assina sozinha, o espetáculo infantil Goitá, para a Cisne Negro, abrindo um campo de trabalho que, apesar de ligado à pesquisa com Ângelo Madureira, tem um foco pessoal. A coreógrafa leva para as obras a experiência em uma grande companhia e o conhecimento da técnica e da movimentação clássica.

É a referência do clássico enquanto técnica e enquanto forma de conhecimento sobre o corpo que, misturada às práticas das danças populares e suas potências, organiza a característica do trabalho de Ana Catarina Vieira, marcada por sua ação de pesquisa e colaboração artística desde 2000.

Outras informações de Ana Catarina:

  • Outros nomes
    • Ana Catarina Vieira Madureira
    • Ana Catarina Vieira
  • Habilidades
    • Bailarino
    • Coreógrafo
    • Dançarino
    • diretor artístico
    • Pesquisador
    • Produtor cultural
    • professor de dança

Midias (1)

Ana Catarina – Série Cada Voz (2019)
A bailarina Ana Catarina, que começa a estudar balé aos oito anos, conta sobre sua trajetória no Brasil e a paixão que nasce na percepção e estudo dos movimentos das danças populares.

Fala, também, sobre a importância do ato de dançar como possibilidade de dar vazão à sua existência para algo novo. E que pode, inclusive, permanecer, mesmo após a morte do corpo.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig

Espetáculos (1)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (7)

  • Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Canal de vídeos oficial do grupo. Disponível em: https://vimeo.com/dancacontemporanea. Acesso em: 01 no. 2019
  • BOGÉA, Inês. Mostra do Itaú mapeia as vibrações da criação no Brasil. Folha de S. Paulo, 9 de mar. de 2004. 
  • Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Site oficial do grupo. Disponível em: http://www.dancacontemporanea.com.br/site/.  Acesso em: 01 no. 2019
  • KATZ, Helena. Como usar a cultura popular sem cair em armadilhas fáceis. O Estado de S.Paulo, 20 de jun. de 2005. 
  • KATZ, Helena. Popular e Clássico nos passos da pesquisa. O Estado de S.Paulo, 30 de nov. de 2007.
  • Mostra Rumos Dança 2003. Catálogo. São Paulo, 2004. Disponível em: http://acervomuseudadanca.com.br/wp-content/uploads/2016/11/1-18.pdf.  Acesso em: 01 nov. 2019
  • VIEIRA, Ana Catarina. Ana Catarina Vieira. São Paulo: [s.n.], 2019. Entrevista concedida a Henrique Rochelle, crítico de dança.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANA Catarina. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa372814/ana-catarina>. Acesso em: 27 de Fev. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7