Artigo da seção pessoas Marçal Aquino

Marçal Aquino

Artigo da seção pessoas
Literatura / teatro  
Data de nascimento deMarçal Aquino: 28-01-1958 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Amparo)

Biografia

Marçal Aquino (Amparo SP 1958). Romancista, contista, roteirista e jornalista. Passa a infância e a adolescência no interior de São Paulo, graduando-se em jornalismo pela PUC/Campinas em 1983. Em 1984, ainda residindo no interior, publica seu primeiro livro de poemas, A Depilação da Noiva no Dia do Casamento, em edição independente. Muda-se para São Paulo, no ano seguinte, e passa a trabalhar como jornalista em veículos como Gazeta Esportiva e O Estado de São Paulo. A partir de 1988, atua como jornalista policial no Jornal da Tarde, fato que influencia sua obra posterior.

Lança seu primeiro livro de contos em 1991, As Fomes de Setembro, contemplado pelo 5º Prêmio Bienal Nestlé de Literatura. No mesmo ano conhece o diretor Beto Brandt (1965), com quem estabelece uma duradoura parceria no cinema. Em 1994 Aquino elabora o roteiro de Os Matadores, longa-metragem dirigido por Brant. Nessa época, torna-se jornalista free-lancer para dedicar-se com maior intensidade à literatura e ao cinema. Recebe o prêmio Jabuti com O Amor e Outros Objetos Pontiagudos (2001). Em 2002 publica o romance O Invasor, juntamente com o roteiro do filme homônimo, com direção de Brant e lançado no mesmo ano. Torna-se consultor do 4º Laboratório de Roteiros Sundance/RioFilme, a convite do Sundance Institute (Utah, EUA). Em 2005 publica o romance Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, que em 2012 torna-se filme, novamente dirigido por Beto Brandt.

Análise

A prosa de Marçal Aquino caracteriza-se pela intensa relação com a realidade, cujos traços imediatos o autor procura transpor para a literatura: Aquino busca retratar, por meio de linguagem bastante enxuta e realista, os modos de vida nas grandes cidades do país, sobretudo do "submundo" (expressão utilizada pelo narrador do romance O Invasor para caracterizar o espaço em que se passaria a trama) e das classes sociais mais baixas. Segundo o romancista Cristovão Tezza (1952), a literatura de Aquino comumente aborda "um mundo paralelo que não frequenta a suposta normalidade da classe média, mas que tenta imitar canhestramente seus valores". Desse modo, suas narrativas são povoadas de nomes e marcas de mercadorias e do universo pop ( "O escritor corta as unhas do pé e pensa, não sabe por quê, em Frank Sinatra"; "Um feriado em Salvador e uma visita a Ouro Preto, estreando um Corcel que havíamos comprado"; "Tirou uma Montblanc do bolso da camisa").

Observa-se também na prosa de Aquino a predominância de temas ligados à violência urbana; nesse sentido, sua ficção tangencia o jornalismo, não só pela representação de casos cotidianos, mas pela própria linguagem empregada, bastante objetiva. A articulação de literatura e jornalismo na obra de Aquino é tamanha que não raras vezes suas personagens são repórteres que têm pretensões literárias, construindo assim um interessante jogo de espelhos entre autor e narradores ("Ela riu e disse que todo repórter sempre tem muitas histórias para contar (...) Eu pensei em contar o caso do advogado que largou tudo e virou mendigo depois de flagrar a mulher com outro na cama").

O autor também dedica-se à  literatura infanto-juvenil, publicando quatro títulos pela Coleção Vagalume, da Editora Ática. Embora a linguagem e personagens de sua prosa infanto-juvenil sejam distintas dos romances para o leitor adulto, é interessante notar que a atmosfera de suspense e tensão ronda também os livros para os jovens, isto é, o diálogo de Aquino com a literatura policial atravessa a totalidade de sua obra, sendo o elo de ligação entre a prosa de tonalidade jornalística e os romances infanto-juvenis.

Outras informações de Marçal Aquino:

  • Outros nomes
    • Marçal Aquino
  • Habilidades
    • contista
    • jornalista
    • romancista
    • roteirista

Midias (1)

A rua é a matriz da literatura do paulista Marçal Aquino. “Uma centelha que deflagra o meu processo criativo”, explica ele. Formado em jornalismo, com passagem pelos principais veículos do País, o escritor é especialmente conhecido pelos livros de contos e novelas, geralmente de temática urbana e policial, a exemplo da série de TV Força Tarefa, escrita ao lado de Fernando Bonassi para a Rede Globo. Leitor viciado e obsessivo, Aquino só lia gibis até os 10 anos. Depois passou aos livros, quando as histórias começam a surgir de sua cabeça para que pudesse também refletir e entender melhor o mundo. Multilinguagem, tem investido também em roteiros de cinema e vê com otimismo a diversidade de discursos e objetivos da cena atual com o barateamento e a democratização dos meios tecnológicos a partir da década de 1990. “Esse lote é muito rico e não para de se suceder. Os contemporâneos estão cada vez mais ousados”, acredita.

Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Espetáculos (2)

Eventos relacionados (7)

Fontes de pesquisa (2)

  • Programa do Espetáculo - Amor de Servidão - 2008 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Boteco - 1997 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MARÇAL Aquino. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa3617/marcal-aquino>. Acesso em: 20 de Fev. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7