Artigo da seção pessoas Nara Leão

Nara Leão

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deNara Leão: 19-01-1942 Local de nascimento: (Brasil / Espírito Santo / Vitória) | Data de morte 07-06-1989 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Nara Lofego Leão (Vitória, Espírito Santo, 1942 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1989). Cantora. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1943. Muito jovem, inicia os estudos musicais com o violonista Patrício Teixeira (1893-1972). No apartamento dos pais, em Copacabana, são realizadas reuniões musicais e Nara convive com artistas como Roberto Menescal (1937), Carlos Lyra (1939) e Ronaldo Bôscoli (1929-1994).

Estreia em 1963, no musical Pobre Menina Rica, de Vinicius de Moraes (1913-1980) e Carlos Lyra. No mesmo ano, grava duas faixas no LP Depois do Carnaval, de Carlos Lyra, e participa da trilha sonora de Ganga Zumba, de Carlos Diegues (1940)

Em 1964, lança o primeiro disco solo, Nara, com arranjo do maestro Lindolpho Gaya (1921-1987). Em dezembro desse ano, integra o elenco do show Opinião. No ano seguinte, Nara, Edu Lobo (1943) e o Tamba Trio realizam o show 5 na Bossa, no Teatro Paramount, em São Paulo. A apresentação é lançada em LP, no qual Nara interpreta o samba "O Trem Atrasou", de Paquito (1915-1975), Estanislau Silva (ca.1910-ca.1990) e Artur Vilarinho.   

Em 1966, no 2o Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, sua interpretação da marcha "A Banda", de Chico Buarque (1944), divide o primeiro lugar com "Disparada", de Geraldo Vandré (1935), cantada por Jair Rodrigues (1939-2014). O sucesso inspira a criação de Pra Ver a Banda Passar, musical com Chico e Nara televisionado pela TV Record. Em 1967, no 2o Festival Internacional da Canção, a cantora interpreta “Carolina”, de Chico Buarque e lança o segundo LP, Nara, com arranjo de Oscar Castro Neves (1940-2013).  No início da década de 1970, muda-se para Paris com o marido Cacá Diegues e lança o LP Dez Anos Depois (1971).

Em 1972, participa do filme Quando o Carnaval Chegar, de Cacá Diegues, com Chico Buarque e Maria Bethânia (1946). Em 1973, participa do show Phono 73, realizado em São Paulo. No ano seguinte, integra o projeto Música Popular do Centro Oeste/Sudeste, coordenado por Marcus Pereira (1930). Em 1975, lança Meu Primeiro Amor, com produção de Paulinho Tapajós (1945-2013). 

No disco Romance Popular (1981) interpreta obras de autores do Nordeste. Em 1983, lança Meu Samba Encabulado, com acompanhamento do grupo Camerata Carioca, e apresenta-se em várias cidades pelo Projeto Pixinguinha. 

Entre 1984 e 1986, lança discos dedicados à bossa nova. Grava Meus Sonhos Dourados (1987) e My Foolish Heart (1989), álbuns com versões em português de canções norte-americanas. 

Análise

Nara Leão é importante formadora da Música Popular Brasileira (MPB). Sintonizada com a produção musical de sua época, lança novos compositores e resgata outros esquecidos e clássicos do cancioneiro nacional. É uma das figuras centrais da bossa nova, com forma de cantar suave e arranjos elaborados em seus discos. 

Antes de lançar-se como intérprete, frequenta intensamente o meio musical: convive com músicos da bossa nova e sambistas antigos pouco gravados. Aproxima-se de membros do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, que defende a aproximação da classe média com a cultura popular. Frequenta o Zicartola, restaurante de Cartola (1908-1980) e Dona Zica (1913-2003), ponto de encontro entre artistas e intelectuais no centro do Rio de Janeiro.

Nos primeiros discos, Nara (1964), Opinião de Nara (1964) e O canto livre de Nara (1965), grava autores contemporâneos e compositores do “samba de morro”. Registra os sambas "Marcha da Quarta-Feira de Cinzas" (Carlos Lyra, Vinicius de Moraes), "Diz que Fui por Aí" [Zé Kéti (1921-1999), Hortênsio Rocha], "Luz Negra" [Nelson Cavaquinho (1911-1986) e Amâncio Cardoso] e "O Sol Nascerá" [Cartola, Élton Medeiros (1930)]. Grava também canções de viés político, como "Opinião" e "Acender as Velas", de Zé Ketti;  "Corisco" [Sérgio Ricardo (1932) e Glauber Rocha (1931-1982)], "Segredo do Sertanejo"[João do Vale (1934-1996)], além de rememorar clássicos, como a marcha "Mal me Quer" [Newton Teixeira (1916-1990) e Cristóvão de Alencar (1910-1983)].   

A atuação política extrapola dos discos. Em 1964, participa do show Opinião, de Armando Costa (1933-1984), Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), Paulo Pontes (1940-1976) e Ferreira Gullar (1930-2016). O espetáculo reúne tipos sociais diversos com posição crítica ao regime militar (1964-1985). Além da canção título1, o espetáculo apresenta as músicas "Guantanamera", do compositor estadunidense Peter Seeger (1919-2014), e "Carcará", de João do Vale e José Cândido (1927-2008). Em 1965, Nara convida a estreante Maria Bethânia para substituí-la. No ano seguinte, participa de outro importante espetáculo de crítica ao contexto sociopolítico, Liberdade, Liberdade (1966), de Flávio Rangel (1934-1988) e Millôr Fernandes (1923-2012).   

Também contribui com o reconhecimento de novos compositores. No disco Nara Pede Passagem (1966), grava os sambas "Pede Passagem" [Sidney Miller (1945-1980)], "Olê, Olá" e "Pedro Pedreiro", de Chico Buarque, além de sambas de Paulinho da Viola (1942), Elton Medeiros e Guilherme de Brito (1922-2006). 

Em 1968, participa do disco manifesto Tropicália ou Panis et Circensis e registra canções de Caetano Veloso (1942) nos discos Nara Leão (1968) e Coisas do Mundo (1969). Seguindo a prática desse movimento, revisita a tradição e regrava os sambas "Infelizmente" [Lamartine Babo (1904-1963) e Ary Pavão] e "Fez Bobagem" [Assis Valente (1911-1958)].

Dedica o LP Dez Anos Depois (1971) às canções de Tom Jobim (1927-1994), Vinicius de Moraes, Newton Mendonça (1927-1960), Aloysio de Oliveira (1914-1995), Dolores Duran (1930-1959), Carlos Lyra, Johnny Alf (1929-2010) e Baden Powell (1937-2000).

Em 1977, lança Meus Amigos São um Barato e conquista sucesso dividindo os vocais com Chico Buarque na canção João e Maria, de Sivuca (1930-2006) e Chico Buarque. Dedica os álbuns E que Tudo Mais Vá pro Inferno (1978) à obra de Roberto Carlos (1941) e Erasmo Carlos (1941) e Com Açúcar, com Afeto (1980) às composições de Chico Buarque.  

Aproxima-se da bossa nova com Abraços e Beijinhos e Carinhos sem Ter Fim... (1984) com arranjos de César Camargo Mariano (1943). Em 1985, lança Um Cantinho, um Violão com Roberto Menescal (1937) e viaja para o Japão, onde grava o CD Garota de Ipanema (1986), primeiro registro de um artista brasileiro nesse suporte. 

Em 2007, Nara Leão é homenageada por Fernanda Takai (1971) no disco Onde Brilhem os Olhos Seus.

Notas

1. Composta por Zé Kéti, "Opinião" é um protesto contra a remoção de favelas realizada pelo governador Carlos Lacerda.

Outras informações de Nara Leão:

  • Outros nomes
    • Nara Lofego Leão
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Violonista

Obras de Nara Leão: (2) obras disponíveis:

Espetáculos (4)

Fontes de pesquisa (9)

  • CABRAL, Sergio. Nara Leão – Uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Lumiar, 2001.
  • CASTRO, Ruy. Chega de saudade: a história e as histórias da Bossa Nova. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
  • MARCONDES, Marcos Antônio (Ed.). Enciclopédia da música brasileira: popular, erudita e folclórica. 2. ed. São Paulo: Art Editora: Publifolha, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • NAPOLITANO, Marcos. História & Música: por uma história cultural da música popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.
  • NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na MPB (1959-69). São Paulo: Annablume, 2001.
  • Planilha enviada pela pesquisadora Rosyane Trotta Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - TBC Apresenta Arena-Opinião - 1965 Não catalogado
  • SEVERIANO, Jaime: MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras. Volume 2: 1958-1985. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • SEVERIANO, Jaime: MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras. Volume 1: 1901-1957. São Paulo: Editora 34, 1998. 

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NARA Leão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359596/nara-leao>. Acesso em: 15 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7