Artigo da seção pessoas Carlos Queiroz Telles

Carlos Queiroz Telles

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deCarlos Queiroz Telles: 09-03-1936 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 17-02-1993 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Carlos Queiroz Telles , 1979
Registro fotográfico autoria desconhecida

Biografia
José Carlos Botelho de Queiróz Telles (São Paulo SP 1936 - idem 1993). Autor. É um dos fundadores do grupo Teatro Oficina nos anos 60. Ganha projeção como dramaturgo nos anos 1970, através de adaptações ou recorrendo a temas ligados ao teatro de resistência e inspirados por acontecimentos do momento.

Seu primeiro texto, A Ponte, escrito em 1958, é levado à cena pelo Teatro Oficina no mesmo ano, ao iniciar suas atividades ainda em fase amadora. Forma-se em direito na Universidade de São Paulo, USP, em 1959. Volta à dramaturgia somente em 1972, com A Semana - Esses Intrépidos Rapazes e Sua Maravilhosa Semana de Arte Moderna, escrita para situar com novo olhar os acontecimentos do histórico movimento de renovação das artes brasileiras de 1922, e Frei Caneca, sobre a vida do padre revolucionário que pretendeu desligar Pernambuco do jugo português, com a Confederação do Equador no século XIX. Ambos, com direção de Fernando Peixoto, integram o movimento de recuperação do Theatro São Pedro, promovido por Maurício e Beatriz Segall no início da década.

Ainda em 1972, com A Viagem, num bem-sucedido e grandioso espetáculo de Celso Nunes, produzido por Ruth Escobar, Queiroz transpõe para a cena o poema épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. É premiado como melhor autor com o Molière, Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA, e Independência do Conselho Estadual de Cultura do Estado de São Paulo.

Tomando uma notícia de jornal como inspiração, o autor enfoca em A Bolsinha Mágica de Marly Emboaba, a vida de uma prostituta de baixa condição, tomando o fato como um pretexto para falar sobre o milagre econômico em curso, levado à cena em 1975. No mesmo ano, tema assemelhado está em Muro de Arrimo - monólogo sobre um operário da construção civil que, enquanto levanta um muro, ouve um jogo de final de campeonato da seleção brasileira de futebol -, agudo contraponto entre suas duras condições de vida e as expectativas de um ilusório futuro de glórias. Alinhada à resistência, a montagem de Antônio Abujamra traz Antonio Fagundes como protagonista, em desempenho elogiado e premiado.

São esses os textos mais conhecidos e difundidos do autor: através da tradução francesa de Jacques Thieriot, conhecem montagens em Paris (sob o título de José) e outras capitais européias, a partir de 1976. Marly (traduzida como A Belle Vie), além da Europa, sobe aos palcos em algumas montagens latino-americanas.

Com Arte Final, Queiroz como que ajusta contas com o mundo da publicidade, atividade que bem conhece em sua longa carreira de profissional da área. Desde 1957 trabalha - como empregado ou proprietário - em diversas empresas do setor. As trapaças e negociatas que intermediam a oferta de produtos metaforizam-se sobre o protagonista, um criador de mitos que vê sua situação existencial falir e desintegrar-se. Novamente com Antonio Fagundes no desempenho central, a montagem sobe à cena em 1978, com direção de Cecil Thiré

Completam as obras do autor A Heróica Pancada, texto sobre um grupo de ex-alunos da Faculdade de Direito, proibido em 1973, ainda inédito; Um Trágico Acidente, encenado sem repercussão em 1976; e o infantil A Revolta dos Perus, de 1985.

Analisando em sua tese a atuação dramatúrgica de Queiroz, afirma o professor Marco Antônio Guerra: "Trabalhando o conteúdo histórico sob as mais variadas formas - do musical à tragédia, da chanchada ao drama - e utilizando todos os recursos possíveis - colagens, adaptações, documentos, depoimentos etc. - Carlos Queiroz Telles aponta também para uma nova forma de autor no Brasil pós-64: não mais aquele criador único, de significados únicos, com uma trajetória de vida linear, mas sim, como indivíduo construído e reconstruído por fatores sociais e ideológicos, cuja identidade não paira acima desses fatores e nem se desenvolve por uma lógica interna autônoma. Pelo contrário, é na relação profunda entre as estruturas existentes e sua produção dramatúrgica que reside grande parte de sua importância no quadro da cultura brasileira. [...] Queiroz faz o teatro possível: aquele que ele próprio denomina Teatro de Eficiência".1

Notas
1. GUERRA, M. A. Carlos Queiroz Telles: história e dramaturgia em cena: década de 70. São Paulo: Annablume, 1993, p. 23.

Outras informações de Carlos Queiroz Telles:

  • Outros nomes
    • José Carlos Botelho de Queiróz Telles
    • Carlos Queirós Teles
    • Carlos Queiróz Teles
    • Carlos Queirós Telles
    • Carlos Queiróz Telles
  • Habilidades
    • autor
    • ator
    • dramaturgo
    • tradutor

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Fontes de pesquisa (12)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Carlos Queiroz Telles. In: ______. Enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. São Paulo, 2000. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação Vitae.
  • CRONOLOGIA das artes em São Paulo 1975-1995: artes cênicas - teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. v. 3.
  • Entrevista com Etty Fraser .Planilha enviada pela pesquisadora Rosy Farias Não Catalogado
  • GUERRA, M. A. Carlos Queiroz Telles: história e dramaturgia em cena: década de 70. São Paulo: Annablume, 1993.
  • Programa do Espetáculo - A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade - 2007 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - À Margem da Vida - 1976. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Muro de Arrimo - 1975 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Jogo do Poder - 1974 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Ricardo III - 1975 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Torre de Babel - 1977 Não catalogado
  • TELLES, Carlos Queiroz. Tirando de letra: um manual de sobrevivência na selva da comunicação, publicidade, teatro, jornalismo, televisão. São Paulo: Nova Cultural, 1993.
  • TELLES, Carlos Queiroz. A revolta dos perus. 3. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1999. Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS Queiroz Telles. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359444/carlos-queiroz-telles>. Acesso em: 25 de Set. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7