Artigo da seção pessoas João Bethencourt

João Bethencourt

Artigo da seção pessoas
Teatro / cinema  
Data de nascimento deJoão Bethencourt: 10-12-1924 Local de nascimento: (Hungria / Budapeste) | Data de morte 31-12-2006 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

João Estevão Weiner Bethencourt (Budapeste, Hungria 1924 - Rio de Janeiro RJ 2006). Autor e diretor. A dramaturgia de João Bethencourt explora a comédia de costumes - filão clássico do teatro brasileiro - aliada a uma visão crítica da temática abordada. A ação e diálogos que desenvolve em seus textos são de grande comunicabilidade e aceitação popular. Autor profícuo do teatro brasileiro, tem mais de 30 peças escritas e encenadas.

Depois de formar-se em agronomia no Rio de Janeiro, faz, no início dos anos 50, mestrado em teatro na Universidade de Yale, Estados Unidos, onde adquire domínio da técnica de playwriting, que constitui um dos traços fortes do seu perfil como autor. Na volta ao Rio de Janeiro, dirige em 1954, para o grupo amador O Tablado, Nossa Cidade, de Thornton Wilder, que o projeta como um dos mais promissores encenadores da sua geração. Em 1956, dirige para o Teatro Nacional de Comédia, TNC, uma adaptação de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Em 1957 volta a dirigir no TNC, desta vez uma peça de sua autoria, Jogo de Crianças; e, no mesmo ano, Provas de Amor é montada no Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, em São Paulo, com direção de Maurice Vaneau.

Desde então, João Bethencourt transforma-se no mais prolífico autor teatral brasileiro, lançando cerca de 30 comédias de sua autoria, praticamente todas com sua própria direção. Destacam-se: Dois Fragas e um Destino, Como Matar um Playboy, Frank Sinatra 4815, O Crime Roubado, Mister Sexo, O Dia em que Raptaram o Papa, Bonifácio Bilhões, A Cinderela do Petróleo, Tem um Psicanalista na Nossa Cama, A Venerável Mme. Goneau, Brejnev Janta Seu Alfaiate, O Padre Assaltante, última vencedora do Concurso de Dramaturgia do Instituto Nacional de Artes Cênicas em 1987. Além da sua impressionante penetração no mercado brasileiro, ele torna-se também um dos autores mais montados no exterior, sendo que O Dia em que Raptaram o Papa, com cerca de 30 encenações estrangeiras, ocupa o primeiro lugar, seguida de Bonifácio Bilhões, Como Matar um Playboy, O Dia em que Alfredo Virou a Mão e A Sina do Barão (adaptação de um conto de Arthur Schnitzler).

Bethencourt assina também montagens de outros dramaturgos. A sua encenação de Um Elefante no Caos, de Millôr Fernandes, lhe vale o Prêmio Associação Nacional de Críticos Teatrais, APCT, de melhor diretor de 1960. Dirige também, entre outros textos, As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, 1965; e Os Pais Abstratos, de Pedro Bloch, 1966, e, ainda, uma ópera, La Bohéme, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em Lisboa dirige, para o Teatro Villaret, Verão e Fumo, de Tennessee Williams, e Assassinos Associados, de Robert Thomas, também em 1966; em Amsterdã, para a Companhia Karl Guttmann, Bonifácio Bilhões, de sua autoria; em Londres, é assistente de George Devine, no Royal Court, na montagem de Exit the King, de Eugène Ionesco. Por sua encenação de O Doente Imaginário, de Molière, ganha o Prêmio Governador do Estado, em 1978.

É também um ativo tradutor de teatro, tendo no seu acervo traduções de autores que variam de Molière, Bernard Shaw e Arthur Miller a Georges Feydeau, Neil Simon, Jean Poiret e Pierre Barillet e J. P. Grédy.

Outra faceta da sua atividade é a de professor. Já em 1954 é o primeiro ocupante da cadeira de Direção no Conservatório Nacional de Teatro. No governo de Carlos Lacerda é diretor do Departamento de Cultura do Estado da Guanabara. Também participa da Diretoria, ocupando inclusive a Presidência, da Associação Carioca de Empresários Teatrais.

Realiza ainda trabalhos jornalísticos, sobretudo com textos de humor, redige roteiros para televisão, escreve um livro de humor, A Mãe que Entrou em Órbita, e um romance, Vidas de El Justicero, filmado por Nelson Pereira dos Santos. Algumas de suas peças são também adaptadas para cinema.

Com agudo senso de observação, João Bethencourt pinça do cotidiano carioca, brasileiro ou até mesmo universal um pequeno episódio e o transforma numa história que comporta um comunicativo potencial humorístico. Esse humor é tão autenticamente brasileiro que lança mão de recursos farsescos clássicos do nosso teatro popular. Suas peças mostram domínio dos mecanismos do teatro e, por meio da história, das cenas, das personagens e dos diálogos, agradam o público. O autor escreve, dirige e também produz ou co-produz os resultados do seu trabalho, ocupando espaços significativos no mercado teatral, chegando a ter, no Rio de Janeiro, três peças simultaneamente em cartaz.

O crítico Yan Michalski, ensaiando uma apreciação sobre o autor, reconhece que a crítica especializada muitas vezes fez restrições ao seu trabalho, por não se aprofundar nos assuntos que aborda e, como diretor, se manter em uma criação rotineira. Mas, segundo Michalski, "... ninguém pode negar-lhe o mérito de ter delimitado com nitidez e explorado com eficiência um espaço específico de criação teatral: o de um entertainment ameno, mas nos seus momentos mais felizes dotado de uma real visão crítica, de uma incontestável competência técnica, e de uma rara identificação com o gosto de amplas faixas de consumidores do seu trabalho".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. João Bethencourt. In: _________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Outras informações

  • Outros nomes
    • João Estevão Weiner Bethencourt
    • João Bithencourt
    • João Bittencourt
  • Habilidades
    • tradutor
    • autor
    • diretor

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Fontes de pesquisa (12)

  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. 415 p. R792.0981 A636t 1994
  • BETHENCOURT, João. (Dossiê Personalidade Artes Cênicas). Rio de Janeiro: CEDOC/Funarte.
  • CIALIMITE. Disponível em: < http://www.cialimite.com.br/emcartaz.html>. Acesso em :13 de junho de 2011 Não catalogado
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • MICHALSKI, Yan. João Bethencourt. In: _________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • MICHALSKI, Yan; TROTTA, Rosyane. Teatro e estado: as companhias oficiais de teatro no Brasil: história e polêmica. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, 1992. 235 p. (Teatro, 21)
  • Morre o diretor teatral João Bethencourt. O Estado de S.Paulo, 01 jan 2007. Caderno 2, p.D4 O Estado de S. Paulo
  • Programa do Espetáculo - A Cinderela do Petróleo - 1977. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Dança Lenta no Local do Crime - 2005. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Feira do Adultério - 1976 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Motel Camas Redondas, Casais Quadrados - 1978 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Tem Um Psicanalista na Nossa Cama - 1980 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOÃO Bethencourt. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359378/joao-bethencourt>. Acesso em: 30 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7