Artigo da seção pessoas Carlos Wilson

Carlos Wilson

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deCarlos Wilson: 1950 Local de nascimento: (Brasil / Espírito Santo / Vitória) | Data de morte 11-01-1992 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Carlos Wilson Coutinho Silveira (Vitória, ES, 1950 - Rio de Janeiro, RJ, 1992). Diretor e ator. Integrante da companhia O Tablado, torna-se renomado diretor de teatro jovem, na década de 1980, adaptando clássicos da literatura universal.

No final dos anos 1960, Carlos Wilson ingressa n'O Tablado, onde estreia, em 1970, em Maroquinhas Fru-Fru, texto e direção de Maria Clara Machado (1921-2001). Durante toda a década de 1970, Carlos Wilson, mais conhecido como Damião, atua nos espetáculos infantis escritos e dirigidos por Maria Clara. Em clássicos da autora, como Pluft, o Fantasminha, A Menina e o Vento, Tribobó City, o ator empresta seu rosto redondo e sua voz cavernosa a personagens singelos. Em 1975, protagoniza o espetáculo adulto O Dragão, de Eugène Schwartz, e atua também em Vassa Geleznova (1974), de Máximo Gorki, ambos com direção de Maria Clara Machado. Em 1978, estréia como diretor, na mesma companhia, realizando também os figurinos de A Visita da Velha Senhora, de Dürrenmatt.

Em 1980, dirige Hoje É Dia de Rock, de José Vicente (1945-2007), que marcaria o início de uma série de trabalhos voltados para o público jovem. Dois anos depois, realiza sua primeira direção fora da companhia, adaptando o romance de Jorge Amado (1912-2001), Capitães da Areia. Apresentado no horário noturno, com vesperais, o espetáculo se torna um sucesso junto ao público adolescente, como descreve o crítico Yan Michalski (1932-1990):

"Na sessão a que assisti, como parece estar acontecendo em todas as vesperais, para não mais de quatro ou cinco adultos havia perto de 200 gatinhas e gatões, em torno dos 16 anos: um público animado, saudável, bonito, vestido na última moda esportiva, que acompanhava com visível interesse as aventuras da miserável juventude abandonada da Bahia".1

Nos próximos espetáculos, Carlos Wilson consolida uma linha de trabalho em que alia a literatura épica ou dramática, de temas nem sempre populares, a uma linguagem de grande fluência teatral, em que a marcação e a coreografia,  com um elenco numeroso, sustentam a beleza visual e o dinamismo do espetáculo. Adapta Os Doze Trabalhos de Hércules, do livro de Monteiro Lobato (1882-1948), que é encenado em duas partes, com dois anos de intervalo - 1983 e 1985. O primeiro espetáculo recebe o Prêmio Inacen de melhor espetáculo infantil do ano. A crítica Flora Sussekind ressalta dois méritos do diretor: "o de adaptar com extrema eficiência cênica textos literários para o teatro e o de trabalhar com um elenco bastante jovem e conseguir dele um rendimento interpretativo muito bom".2

Depois de encenar Nossa Cidade, de Thornton Wilder, n'O Tablado, Carlos Wilson realiza um de seus mais ousados projetos - adaptar O Auto da Barca do Inferno, escrito pelo português Gil Vicente em 1517, para uma ópera-rock. Carlos Wilson exalta no texto seus aspectos de fábula moralista e de narrativa aventurosa. Uma banda, colocada em um praticável acima do nível do palco, toca ao vivo enquanto os atores dançam e cantam, no palco, o texto transformado em letra musical por Charles Kahn. O crítico Macksen Luiz (1945) analisa o espetáculo:

"A memória da platéia é remetida, portanto, para o universo dos roqueiros internacionais, o que estabelece uma identidade, quase uma intimidade. Como numa ópera tradicional todo o diálogo é cantado com o impacto adicional de se ouvir um português diferente, antigo [...]. Os deslocamentos no amplo palco do Teatro Villa-Lobos são executados com graça e leveza, lembrando as experiências grupais do teatro dos anos 70, mas recarregado pelo entusiasmo e a garra que somente um elenco identificado com uma idéia central bem nítida [...] pode transmitir".3

Em 1986, Carlos Wilson recebe o Prêmio Mambembe, como Personalidade do Ano, e o Prêmio Molière, pelo conjunto de trabalhos. No ano seguinte adapta O Ateneu, de Raul Pompéia, e encena A Odisséia, de Homero, com adaptação de Domingos Oliveira (1936). Em 1988, encena Os 3 Mosqueteiros, adaptado por Ana Maria Machado. Dois anos depois, dirige O Guarani.

 

Notas
1 MICHALSKI, Yan. Capitães das areias da zona sul. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 mar. 1982.

2 SUSSEKIND, Flora. Os doze venenos de Hércules. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 ago. 1983.

3 LUIZ, Macksen. 'O Auto da Barca do Inferno'. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 02 ago. 1984.

Outras informações de Carlos Wilson:

  • Outros nomes
    • Carlos Wilson Coutinho Silveira
    • Damião
  • Habilidades
    • diretor de teatro
    • Ator
    • Cenógrafo
    • figurinista

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Fontes de pesquisa (5)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Carlos Wilson (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: Platonov - 1980 Não catalogado
  • MICHALSKI, Yan. Capitães das areias da zona sul. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 mar. 1982.
  • SUSSEKIND, Flora. Os doze venenos de Hércules. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 ago. 1983.
  • WILSON, Carlos. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.

Como citar?

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  • CARLOS Wilson. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359331/carlos-wilson>. Acesso em: 23 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7