Artigo da seção pessoas Alberto Nepomuceno

Alberto Nepomuceno

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deAlberto Nepomuceno: 06-07-1864 Local de nascimento: (Brasil / Ceará / Fortaleza) | Data de morte 16-10-1920 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Alberto Nepomuceno (Fortaleza, CE, 1864 - Rio de Janeiro, RJ, 1920). Compositor, pianista, organista, professor. Aos oito anos, muda-se com a família para o Recife e tem as primeiras lições de violino e piano com o pai, Victor Nepomuceno, violinista e ex-organista da catedral de Fortaleza. Prossegue os estudos com o maestro Euclides Fonseca, diretor de concerto do Clube Carlos Gomes, cargo assumido por Alberto Nepomuceno em 1882. Dois anos mais tarde, retorna a Fortaleza. Integrante de uma sociedade abolicionista, tem seu pedido de bolsa para estudar na Europa negado pelo governo do Ceará. Em 1885, parte para o Rio de Janeiro, onde dá aulas de piano e toca em saraus para sobreviver. Faz a primeira apresentação como pianista no Clube Beethoven1 e passa a lecionar piano nessa sociedade no ano seguinte. Torna-se amigo do escultor Rodolfo Bernardelli e do violoncelista Francisco Nascimento, que, em 1887, o acompanha numa série de recitais pelo Nordeste do Brasil. Datam desse ano suas primeiras composições, entre elas Mazurca, para violoncelo e piano; Prece, para orquestra; e Dança de Negros, para piano.

A renda obtida na turnê pelo Nordeste, somada à ajuda financeira da família Bernardelli, custeia sua viagem à Europa, em 1888. Na Accademia Nazionale di Santa Cecilia [Academia Santa Cecília], em Roma, estuda harmonia, com Eugenio Terziani e Cesare de Sanctis, e piano, com Giovanni Sgambati. Em 1890, conquista o terceiro lugar no concurso para a escolha do Hino à Proclamação da República. O prêmio (200 mil-réis mensais, durante quatro anos) permite-lhe fixar-se em Berlim e estudar composição na Escola Superior de Música, de 1890 a 1892, e órgão, composição e piano no Conservatório Stern, entre 1892 e 1894. Nas férias, tem aulas de alta interpretação pianística com Theodor Lechetitzki, em Viena. Lá conhece a pianista norueguesa Walborg Bang, com quem se casa, em 1893. Segue para a Noruega e se hospeda na casa do compositor Edvard Grieg. Rege a Filarmônica de Berlim nas provas finais do conservatório, em 1894, executando Scherzo e Suíte Antiga, de sua autoria. Em Paris, tem aulas com o organista Alexandre Guilmant, de 1894 a 1895, e assiste à estreia mundial do Prélude à l'Après-Midi d'un Faune, de Claude Debussy. Apresenta essa peça em primeira audição no Brasil, em 1908.

De volta ao Rio, em 1895, torna-se professor de órgão do Instituto Nacional de Música (INM), e realiza um recital de canções suas em português. Passa a lutar pela nacionalização da música brasileira por meio do idioma, polemizando com o crítico Oscar Guanabarino - defensor do canto em italiano. Nepomuceno assume a direção da Associação de Concertos Populares em 1896 e promove recitais com repertórios europeu e brasileiro. Em 1897, estreia várias de suas composições sinfônicas, entre elas a Sinfonia em Sol Menor, As Uiaras (coro feminino e orquestra) e a Série Brasileira, de clara orientação nacionalista. No ano seguinte, rege a Missa Festiva, do padre José Mauricio Nunes Garcia, compositor cuja obra ajuda a restaurar. Entre 1902 e 1903, torna-se diretor do INM, cargo que retoma em 1906 e exerce até 1916. Promove no INM o primeiro concerto de violão de Catulo da Paixão Cearense, em 1908, e causa grande polêmica.

Em 1913, sua ópera Abul, de 1905, estreia em Buenos Aires, segue para Montevidéu, Rio de Janeiro e São Paulo, e é executada em Roma, em 1915. É um dos primeiros a divulgar a obra de Heitor Villa-Lobos, incluindo-a nos concertos no Theatro Municipal, em 1917, além de promover suas primeiras edições. Em setembro de 1920, semanas antes da morte de Nepomuceno, Richard Strauss (1864-1949) rege no Theatro Municipal do Rio de Janeiro o prelúdio da ópera O Garatuja, de 1904 - baseada em romance de José de Alencar -, que o compositor brasileiro não chega a concluir.

 

Comentário Crítico
Conhecido como "precursor do nacionalismo", Alberto Nepomuceno é lembrado na historiografia musical como um dos primeiros compositores a empregar ritmos, gêneros e temas "caracteristicamente brasileiros", ao lado do paulista Alexandre Levy e do paranaense Itiberê da Cunha. Embora use recursos oriundos das músicas francesa e alemã, sobretudo no tocante à forma e harmonia, Nepomuceno procura mimetizar em algumas obras certo "sotaque brasileiro", apropriando-se particularmente da música popular, tanto urbana quanto folclórica. Sua Galhofeira, para piano solo, 1894, por exemplo, é um maxixe. Já a Série Brasileira, de 1897, considerada por alguns como o marco inicial do nacionalismo, mescla temas folclóricos, gêneros urbanos cariocas, melódica nordestina e ritmos afro-brasileiros. Dividida em quatro partes - Alvorada na Serra, Intermédio, Sesta na Rede e Batuque, a mais famosa, um reaproveitamento da Dança de Negros - a Série desagrada à crítica mais ortodoxa da época, escandalizada com a presença de um reco-reco na última delas.

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Outras informações de Alberto Nepomuceno:

  • Outros nomes
    • Alberto Nepomuceno
  • Habilidades
    • Compositor
    • Pianista

Espetáculos (1)

Fontes de pesquisa (7)

  • CACCIATORE, Olga. Dicionário biográfico de música erudita brasileira. Rio: Forense Universitária, 2005, p. 300-3.
  • CORREA, Ségio Alvim. Alberto Nepomuceno: catálogo geral. Rio de Janeiro: Funarte, 1996.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.
  • GOLDBERG, Luiz Guilherme. Uma garatuja entre o Wotan e o Fauno: Alberto Nepomuceno e o modernismo musical no Brasil. Tese de Doutorado. Porto Alegre: IA-UFRGS, 2007.
  • PEREIRA, Avelino Romero. Música, sociedade e política: Alberto Nepomuceno e a república musical. Rio de Janeiro, Ed. da UFRJ, 2007.
  • PIGNATARI, Dante. Canto da língua: Alberto Nepomuceno e a criação da canção brasileira. Tese de Doutorado. São Paulo: FFLCH-USP, 2009.
  • SOUZA, Rodolfo Coelho de. "Aspectos da modernidade na música de Nepomuceno relacionado ao projeto de tradução do Harmonielehre de Schoenberg". InEm Pauta. Porto Alegre, v. 17, n. 29, jul.-dez. 2006, p. 63-81.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALBERTO Nepomuceno. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa357267/alberto-nepomuceno>. Acesso em: 09 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7